segunda-feira, 21 de março de 2016

"MEU ENCONTRO COM OS MORTOS EM ROMA E PALERMO", do Comendador FRANCISCO SOUTO NETO para o PORTAL IZA ZILLI.

PORTAL IZA ZILLI

Na Catacumba dos Capuchinhos, os mortos em pé!

Iza Zilli


Comendador FRANCISCO SOUTO NETO

MEU ENCONTRO COM OS MORTOS EM ROMA E PALERMO

Francisco Souto Neto
               
     Catacumbas são cemitérios romanos do século I ao IV, feitos em galerias subterrâneas, às vezes utilizados pelos cristãos – no remoto passado – para reuniões secretas ou cultos. Só na cidade de Roma existem cerca de 40 catacumbas, algumas gigantescas e às vezes interligadas. Além de Roma, há outras também em Nápoles, Sardenha e Sicília. Eu já tive a oportunidade de conhecer algumas delas.

Em pé, os mortos de Palermo

     A Sicília é a ilha “chutada” pela bota itálica, onde se localiza o Etna – o vulcão mais ativo do continente europeu – cuja capital é Palermo. No ano de 2001 fiz um cruzeiro de sete dias pelo Mar Mediterrâneo a bordo do Costa Riviera, e um dos portos visitados foi justamente Palermo. O sul da Itália não é uma região muito segura para turistas, frequentemente ameaçados por batedores de carteira e “trombadinhas”, de modo que foi preferível aderir a uma das diversas excursões organizadas pelo próprio navio, dedicando a tarde a conhecer a Catacumba dos Capuchinhos. Ao tomar o ônibus que esperava pelos passageiros no cais ao lado do navio, a guia apresentou-se e a todos advertiu: "Neste passeio veremos principalmente cadáveres”.

   Naquela catacumba estão 8000 mortos, uns poucos deitados, maioria em pé, pendurados ou encostados nas paredes e trajando roupas de época. Os cadáveres mais velhos são de capuchinhos e nobres da Sicília. O mais antigo deles, em bom estado de preservação, é do ano 900, portanto, com 1100 anos! Os mais recentes são do início do século XX.  Alguns esqueletos, às vezes ainda recobertos de débil camada de pele, parecem gritar, outros sorrir. O cadáver adulto mais bem conservado é o do siciliano Antonio Prestigiacomo morto em 1846.

     É proibido fotografar dentro das catacumbas. Por isso, as reproduções abaixo são de cartões postais que comprei na portaria daquelas necrópoles. 

FOTO 1 – Corredor dos profissionais. Os melhores do seu tempo: o pedreiro, o entalhador, o banqueiro, o dentista, e assim por diante. Costumam ser visitados pelos seus descendentes.

FOTO 2 – Antonio Prestigiacomo, morto em 1844.


FOTO 3 – Três mortos em séculos passados.

     Mas existe uma menina falecida em 1920, conhecida como La Bambina, que está absolutamente intacta, deitada no interior do seu caixão. Eu me lembrava de ter visto o rosto daquela criança, há alguns anos, num programa de televisão que se chamava “Acredite se Quiser”, apresentado pelo ator Jack Palance. La Bambina continua sendo a principal atração da catacumba. Fiquei a contemplá-la por muito tempo, de certo modo fascinado, porque ela parece dormir envolta pelas suas cobertas, apenas o rosto despontando sereno e inocente. Um laço de fita amarela enfeita os cabelos da garotinha.

FOTO 4 – "La Bambina" ("A menina") que se chamava Rosalia Lombardo. Morta em 1920 e embalsamada. Parece dormir.

     A mumificação de La Bambina foi feita por um médico que morreu sem revelar os métodos que adotou. A irmã gêmea da menina veio visitá-la até ao começo dos anos 90 do século passado, quando faleceu. Desde então, La Bambina não tem mais recebido visitas de familiares.

     No Dia de Finados, em Palermo, os pais costumam levar os filhos às catacumbas, para que visitem seus antepassados. Segundo o costume local, a energia elétrica é desligada naquele dia, e os visitantes valem-se de velas. Não há, entretanto, absolutamente nenhum terror, nem a mínima intenção de assustar a quem quer que seja. Tudo é feito com a maior naturalidade. Aquilo é para os sicilianos um simples fato cultural, uma tradição, um ato de respeito.

Catacumba dos Capuchinhos em Roma

     Noutra ocasião eu me encontrava em Roma, quando visitei outra catacumba, também de capuchinhos, bem mais em forma de cripta do que de uma catacumba propriamente dita, anexa à Igreja Santa Maria della Concezione, em plena Via Veneto, uma rua elegante e movimentada conhecida desde os tempos alegres della dolce vita de Fellini... Localiza-se no primeiro quarteirão da referida Via Veneto, a poucos metros da Piazza Barberini, em cuja esquina está a famosa Fonte das Abelhas, da autoria de Bernini.

     A igreja foi construída em 1624. Dentro dela há uma sepultura sem nome, próxima ao altar, ao rés do chão, sobre a qual todos os visitantes pisam ao circular pelo templo. Ali está enterrado o cardeal Antonio Barberini, da riquíssima família romana e irmão do Papa Urbano VIII. Por ser capuchinho com voto de pobreza, o cardeal Barberini ordenou que ao morrer, num ato de humildade, fosse enterrado em cova cuja lápide, para ser pisada por todos, não contivesse o seu nome, mas apenas o triste epitáfio em latim: “Hic jacet pulvis, cinis et nihil” (“Aqui jazem pó, cinzas, e nada”).

     Sob a igreja, mas com entrada por fora, pela Via Veneto, está uma catacumba diferente, inteiramente decorada com os ossos de 6000 irmãos capuchinhos. O curioso é que tais ossos, desmembrados dos seus donos, ornamentam as paredes formando verdadeiros florais rococós. Do teto pendem lustres compostos com ossos. Cornijas, molduras, tudo, absolutamente tudo, é feito com ossos humanos dispostos como peças decorativas. Ligados por arames invisíveis, formam coroas de espinhos, crucifixos e corações sacros. Um dos poucos esqueletos completos é o de uma princesa Barberini que morreu ainda criança. Alguns esqueletos adultos também foram conservados inteiros, vestidos com trajes eclesiásticos, mas estão sempre cercados pelos “adereços” que formam, nas paredes e tetos, “elegantes” traçados.

FOTO 5 – Corredor decorado com ossos humanos. À direita, as diversas capelas.


FOTO 6 – Crânios de capuchinhos.


FOTO 7 – Capela com paredes decoradas por caveiras e ornamentadas com ossos menores... e teto suntuosamente macabro.


FOTO 8 – Teto de uma das capelas.


FOTO 9 – O teto desta capela forma "flores" com ossos ao redor de um esqueleto.


FOTO 10 – Detalhe da fotografia anterior. Teto de uma das capelas. O esqueleto central simboliza a Morte, e sua foice é toda formada com ossos humanos.

     Por toda parte, as órbitas oculares vazias dos crânios parecem seguir os movimentos dos visitantes. Apesar disso, a catacumba não chega a ser lúgubre, talvez porque os ossos estejam dispostos de modo a “enfeitar” os diversos cômodos, ou capelas, simulando uma impressão de macabra “beleza”. Ainda assim, ao sair do recinto, vi uma inscrição sobre a porta, que resume a triste realidade dos restos mortais ali expostos: “Nós fomos o que você é”.

     É preciso que se compreenda que neste contexto as catacumbas, ao preservarem ossos dispersos ou cadáveres mumificados e vestidos, impõem, principalmente, o respeito aos mortos, tratados sempre com reverência, fazendo-nos refletir sobre a efemeridade da vida e a nossa própria finitude.

-o-

terça-feira, 15 de março de 2016

O PALÁCIO DE VAUX-LE-VICOMTE E A FESTA IMPRUDENTE DE NICOLAS FOUQUET, do Comendador FRANCISCO SOUTO NETO para o PORTAL IZA ZILLI.

PORTAL IZA ZILLI
Vaux-le-Vicomte, o palácio que ousou ofender o Rei de França.


Iza Zilli


Comendador FRANCISCO SOUTO NETO

O Palácio de Vaux-Le-Vicomte e a festa imprudente de Nicolas Fouquet

     Vaux-Le-Vicomte é um castelo ou palácio setecentista situado a apenas 50 quilômetros de Paris, nos arredores da cidade de Melun. Foi construído em estilo barroco entre os anos de 1648 e 1661 por Nicolas Fouquet (1615-1680) que era o Superintendente das Finanças do reino. Paralelamente, em 1859, o jovem rei da França Luís XIV, que viria a ser o Rei Sol, era um menino de 10 anos quando Fouquet começou a construção de Vaux-Le-Vicomte. Quando o rei estava com apenas 21 anos, ainda sem conhecer o palácio de Fouquet, resolveu mudar-se de Paris para uma área mais afastada, e no ano seguinte estabeleceu-se na região rural de Versalhes, no pavilhão de caça do seu pai, para ali ao lado começar a construir a sua futura residência (o Palácio de Versalhes, como hoje o conhecemos).

     Portanto, quando Fouquet começou a construir o seu palácio de Vaux-le-Vicomte, o de Versalhes ainda não existia. Ele contratou o arquiteto Louis Le Vau, o pintor Charles Le Brun e o paisagista André Le Nôtre, para criarem o mais refinado e magnífico palácio da França, e jardins nunca antes vistos. Segundo estudiosos, Fouquet seria corrupto e estaria desviando dinheiro da corte francesa para erguer o seu fabuloso Vaux-Le-Vicomte.

FOTO 1 - Nicolas Fouquet.

FOTO 2 – Visão geral do Château Vaux-Le-Vicomte e seus jardins vistos de frente.

FOTO 3 – O palácio visto de trás e os jardins dos fundos.

     Fouquet, presunçoso, resolveu dar uma festa em seu castelo para impressionar o rei, a quem convidou para um banquete. Estava cioso de exibir sua riqueza e de ser admirado. Alguns historiadores informam que o total dos convidados para a festa chegou a 3.000 pessoas. Para realizar o jantar, o rei contratou o célebre cozinheiro François Vatel, maître d’hôtel, o inventor do creme de chantilly. Seria uma festa nunca antes imaginada, de esplendor inacreditável... que traria consequências desastrosas ao anfitrião.

     A festa ocorreu no dia 17 de agosto de 1661. Quando a carruagem do rei e seu séquito entraram na propriedade, Luís XIV assombrou-se com a imensidão do palácio e o requinte dos três quilômetros de jardins, com fontes e lagos ladeados por relva bem aparada salpicada de intermináveis canteiros de flores exóticas.

FOTO 4 – O rei Luís XIV quando jovem, ao visitar Vaux-Le-Vicomte.

FOTO 5 – O portão de entrada ao palácio.

FOTO 6 – O palácio visto de trás.

FOTO 7 - Detalhe dos jardins de Vaux-Le-Vicomte.

     Recebidos no palácio, os convidados alojaram-se nos seus 700 apartamentos. O maior e mais luxuoso apartamento, chamado de “Quarto do Rei”, acolheu Luís XIV. Um passeio pelos interiores do enorme edifício deixou o rei estupefato e cada vez mais irritado. Enquanto Fouquet pensava que estivesse sendo admirado pelo rei, este sentia-se humilhado pelo seu anfitrião e funcionário, que ousava aparentar mais riqueza do que o próprio rei.

     Sobre os jardins, ao anoitecer, houve uma queima de fogos de artifício que praticamente trouxe o dia de volta, tal o esplendor. Em seguida o banquete começou a ser servido: centenas de bandejas contendo carnes as mais variadas e com os aspectos mais inusitados, travessas com manjares, doces, cestas de frutas exóticas... O rei, que tinha sido alertado anteriormente, teve a certeza de que o palácio Vaux-Le-Vicomte era resultado de recursos desviados fraudulentamente para os bolsos de Fouquet. Conteve sua raiva pelo ambicioso funcionário que aparentava excessivo poder, e retirou-se.

FOTO 8 – O palácio Vaux-Le-Vicomte à noite.

FOTO 9 – Vista de dentro para fora.

FOTO 10 – Interiores do palácio: o "Grand Salon".

FOTO 11 – Interiores do palácio: uma das salas.

FOTO 12 – Interiores do palácio: sala do buffet.

FOTO 13 – Interiores do palácio: biblioteca.

FOTO 14 – Interiores do palácio: o “Quarto do Rei”.

FOTO 15 – Interiores do palácio: uma das portas.

FOTO 16 – Interiores do palácio: detalhe do teto de um dos salões.

     Pouco tempo depois, o rei ordenou a prisão de Fouquet.  Ao fim de um processo que durou três anos, Fouquet foi condenado a passar 15 anos preso na fortaleza de Pinerolo, na Itália, onde morreu em 1680. Depois de numerosas suposições sobre a identidade do "Homem da máscara de ferro", várias pesquisas afirmam que Nicolas Fouquet era esse prisioneiro. Ao que se sabe, tal hipótese foi confirmada graças ao estudo dos salários dos carcereiros e a diferentes depoimentos da época.

     Ainda impressionado com o palácio de Fouquet, o rei Luís XIV mandou chamar o arquiteto Louis Le Vau, o pintor Charles Le Brun e o paisagista André Le Nôtre, os mesmo que conceberam o palácio Vaux-le-Vicomte, e contratou-os para criarem para si um palácio que fosse o maior, o mais belo e mais rico do mundo. E os três geniais criadores puseram mãos à obra e levantaram os jardins e o Palácio de Versalhes, à altura do poder daquele soberano que passou a ser conhecido pela eternidade como o Rei-Sol.

FOTO 17 – O rei Luís XIV velho, em Versalhes, conhecido como Rei Sol.

FOTO 18 – Francisco Souto Neto, apontando à estátua equestre do rei Luís XIV, pergunta: “Tudo isto para um só homem?”. A resposta que todo francês tem na ponta da língua: “Não! Tudo isto pela glória da França”.


-o-

segunda-feira, 7 de março de 2016

"FILAS, PARA QUE VOS QUERO? ou A FILA MAL ORIENTADA PARA OS ELEVADORES DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ", do Comendador FRANCISCO SOUTO NETO para o PORTAL IZA ZILLI.

PORTAL IZA ZILLI
- O maior Portal de Comunicação Social do Paraná -

FILAS, PARA QUE VOS QUERO?
ou
A FILA MAL ORIENTADA PARA OS ELEVADORES DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ


Iza Zilli

Comendador FRANCISCO SOUTO NETO

FILAS, PARA QUE VOS QUERO?
ou
A FILA MAL ORIENTADA PARA OS ELEVADORES DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ


Comendador FRANCISCO SOUTO NETO


     Creio que recebemos a primeira noção de fila e de organização das filas ao ingressarmos na escola. Pelo menos na minha infância foi assim. As crianças que chegavam ao colégio ficavam brincando num pátio, até que os portões de entrada se fechavam e um sinal sonoro era o indício para “entrarmos em forma”. Organizávamo-nos em filas e esticávamos o braço direito com a mão repousando sobre o ombro do colega à frente. Em seguida marchávamos rumo às respectivas salas de aula.

FOTO 1 – Crianças em fila.

     A fila é uma instituição válida para todos os países civilizados do mundo... ou para quase todos. Na Europa, por exemplo, a filas são respeitadas. Não existe aquilo que se vê no Brasil, de alguém na fila do supermercado lembrar-se de que esqueceu de pegar uma determinada mercadoria, e pedir à pessoa de trás para “guardar” o lugar até ao seu retorno. Se alguém sair da fila, tanto lá quanto aqui, em se tratando de uma pessoa bem educada, quando retornar deverá posicionar-se em último lugar.

     Embora eu tenha estado por várias vezes na Itália, há anos não viajo àquele maravilhoso e admirável país. Admirável, porém indisciplinado em determinadas circunstâncias, porque os italianos aglomeram-se em vez de formar fila, e ficam naquele bolo humano de empurra-empurra para serem atendidos. Espero que eles tenham melhorado nos últimos tempos, porque sob tais aspectos agem na contramão dos bons costumes internacionais. Os franceses também nem sempre são respeitadores de filas. Os povos de idioma germânico, os escandinavos e outros europeus, e até mesmo orientais como os nipônicos, são invejáveis no tocante ao respeito público às normas estabelecidas.

FOTO 2 – Italianos aglomerados para comprar gelatto (sorvete).

FOTO 3 – Disorganizzazione in botteghino (desorganização na bilheteria), ou a falta de uma fila organizada.

     Fila organizada é demonstração de civilidade. Mas se ela se apresenta desorganizada, pode gerar situações bastante esdrúxulas. Exemplo disso verifica-se no prédio localizado na esquina da Rua Mauá com a Av. João Gualberto, um dos mais altos de Curitiba, agora propriedade do Tribunal de Justiça do Paraná. No tempo em que a Sadia ocupava maior parte do edifício, as filas dos elevadores que saíam pela porta principal do prédio e se estendiam pelo lado de fora sob a galeria, eram bem disciplinadas. Depois que o prédio foi comprado pelo TJ-PR, a fila dos elevadores parece ter deixado de receber qualquer orientação ou organização. É aquilo que costumo chamar – se me perdoam a expressão – de “fila burra” e que pode ser observada principalmente quando centenas de funcionários voltam do almoço.

     A fila do TJPR sai pela porta principal do edifício e costuma se formar em direção à rua, criando uma barreira para as pessoas que transitam na galeria.

FOTO 4 – Fila em lugar errado. Deveria ser orientada a formar-se junto à parede envidraçada do prédio do TJ-PR. (Fotos de Francisco Souto Neto)

FOTO 5 – O homem de camisa azul que caminha na galeria, encontra a obstrução causada pela fila. Terá que pedir licença à fila para continuar andando.

FOTO 6 – Barreira causada pela fila atravessada na galeria, dificultando o caminho dos transeuntes. “Preciso passar. Com licença?”.

     Neste caso, seria mais cômodo aos transeuntes evitarem passar pela galeria, preferindo caminhar pela calçada descoberta. Esta, porém, foi construída numa inclinação muito acentuada, que certamente está em desacordo com as normas da prefeitura. Se para um homem é difícil passar por ali, imagino que para as mulheres com seus saltos altíssimos, a calçada é um convite para uma fratura no pé. Então, transitando com mais segurança pela galeria, ao chegar à barreira formada pelos funcionários em fila, quase sempre distraídos com os olhos fixos e dedos tamborilando nos seus telefones celulares, o transeunte tem que pôr volume na voz para pedir: “com licença?”.


FOTO 7 – Eis como a fila para os elevadores do TJ-PR se forma, atravessando a galeria e a calçada em direção à rua, dificultando o caminho dos transeuntes. (Desenhos de Francisco Souto Neto)


FOTO 8 – A fila para os elevadores do TJ-PR às vezes se estende até à calçada, atrapalhando o caminho de quem vai pela galeria.


FOTO 9 – Antes de encontrar seu caminho paralelo ao prédio, a fila corta a galeria, atrapalhando quem passa por ali.


FOTO 10 – A fila para os elevadores do TJ-PR precisa ser orientada a posicionar-se rente à parede envidraçada do edifício, deixando livre o espaço para a circulação.  

     É incrível que no Tribunal de Justiça não haja alguém para disciplinar a fila da hora do almoço, que vai margeando a Rua Mauá, às vezes se prolongando pela Av. João Gualberto, onde vira com as costas para o Cabral, igualmente atrapalhando o trânsito de quem circula por aquele outro lado do quarteirão.

     A solução seria simplíssima se alguém, no Tribunal de Justiça, tiver a brilhante ideia de orientar o pessoal a fazer a fila rente à parede envidraçada do prédio. Não mais do que dois ou três pedestais organizadores de filas, como aqueles com faixas ou cordões usados no hall de recepção do prédio, bastariam para sinalizar o local correto onde se posicionarem os pobres funcionários com suas identificações penduradas no pescoço, que esperam pelos poucos elevadores do prédio mais alto do bairro.

FOTO 11 – Heureca!

FOTO 12 – Solução trivial e a fila organizada junto à parede.

     O presidente atual do Tribunal de Justiça do Paraná, o desembargador Paulo Roberto Vasconcelos (aquele senhor que fisicamente se assemelha ao Barão do Rio Branco), poderia impor a ordem na fila dos elevadores, porém provavelmente um presidente não se ocupará de questões tão prosaicas. Mas estou certo de que outros desembargadores (e há alguns deles, receptivos e simpáticos, que almoçam nos restaurantes da região) poderão encaminhar estas sugestões às pessoas certas da administração do prédio, pedindo-lhes uma solução.

     Se as centenas de funcionários do TJ-PR aprenderem que naquele caso a fila deve correr junto à parede do edifício sem obstruir a passagem de outros cidadãos que andam pela galeria nos “horários de pico”, estarão dando mais um passo rumo à boa educação, à disciplina, à cidadania e até mesmo... à acessibilidade.

-o-


OBSERVAÇÃO ACRESCENTADA EM 16.3.2016

Em apenas uma semana o TJ-PR tomou providências que me surpreenderam: indo além das minhas sugestões, colaram-se placas de acrílico na parede do edifício, como se vê na foto abaixo:

"POR GENTILEZA: Filas do elevador devem ser formadas ao lado da parede".
(Foto de 16.3.2016)

A fila agora perfeitamente organizada junto à parede do prédio do TJ-PR. O jovem casal de transeuntes, à esquerda, pode doravante transitar tranquilamente pelo espaço público da galeria. (Foto de 21.3.2016)

Como não bastasse, mudaram a direção da fila que sempre se formava rumo à esquina da Av. João Gualberto, orientando-a para o lado da Rua Campos Sales, que é uma área menos movimentada. Agradeço à Ouvidoria do TJ-PR, ao seu presidente Dr. Paulo Roberto Vasconcelos, ao desembargador Dr. Domingos José Perfetto, e aos demais que tomaram conhecimento do meu artigo, e cumprimento-os por resolverem prontamente a situação incômoda que se arrastava há anos. 


ADENDO ACRESCENTADO EM 19.3.2016

No dia 17 de março de 2016, Francisco Souto Neto (o autor do artigo acima) em sua reunião mensal na Academia de Letras José de Alencar, da qual é membro e a cuja diretoria pertence, contou a seus pares, por sugestão da presidenta da instituição Drª Anita Zippin, o episódio da “fila indisciplinada” do TJ-PR, que há dois ou três anos perturbava o trânsito de pedestres em determinado horário, e que foi resolvido graças ao artigo em questão. As reuniões são costumeiramente filmadas, e tal fragmento encontra-se no YouTube, neste link:



-o-