segunda-feira, 24 de julho de 2017

LEMBRANÇAS DO CÁRCERE MAMERTINO E SUA CRUZ INVERTIDA por FRANCISCO SOUTO NETO para o PORTAL IZA ZILLI.

A cruz invertida no altar de São Pedro, no nível mais profundo do Cárcere Mamertino.

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Iza Zilli

Comendador Francisco Souto Neto

Lembranças do Cárcere Mamertino e sua cruz invertida

Francisco Souto Neto

       Segundo antigo ditado, uma vida inteira não é suficiente para conhecer Roma. Depois de algumas viagens à Cidade Eterna, o turista que já visitou as suas principais atrações sente aumentar uma inquietação ao perceber que as particularidades da capital da Itália, ligadas a uma história de quase 3000 anos, são incontáveis, e cada vez mais fascinantes. Se alguém viajar acompanhado de familiar ou amigo, é sempre necessário planejar com antecedência os locais que desejam conhecer, debater as opiniões de todos os participantes, e estabelecer as prioridades.

       No último passeio que fiz a Roma, que foi na companhia de Rubens Faria Gonçalves, tínhamos ambos o propósito de conhecer o Cárcere Mamertino, também denominado Cárcere Tuliano, uma prisão subterrânea que já existia três séculos antes de Cristo. São Pedro e São Paulo estiveram ali aprisionados, além de enorme número de importantes personalidades de várias eras, tais como reis, governadores, senadores, ministros. Não se tratava de um lugar para prisioneiros comuns, mas para os de segurança máxima, isto é, os inimigos públicos. Eles eram condenados à morte dolorosa, geralmente por estrangulamento. Desse martírio só escapavam aqueles que, por sorte, morressem antes por causas naturais, isto é, de frio, fome ou doenças. No ano de 314 o Papa Silvestre dedicou a prisão a São Pedro em Cárcere (San Pietro in Carcere), nome da igreja que foi construída sobre aquele lúgubre local. No século XVI, a essa igreja foi sobreposta outra, denominada São José dos Carpinteiros (Chiesa di San Giuseppe dei Falegnami), e de situa ao lado de uma igreja bem maior (Chiesa dei Santi Luca e Martina). A entrada da Igreja São José dos Carpinteiros está situada a uns quatro metros acima da rua, devido a obras realizadas na década de 30 do século XX, que baixaram o nível da praça em frente, para permitir o acesso direto ao Cárcere Mamertino.

Esta gravura do século XIX mostra como era a fachada da igreja (a menor, do lado esquerdo) que foi construída sobre o Cárcere Mamertino.

Ao fundo, a Igreja San Giuseppe dei Falegnani, construída sobre o Cárcere Mamertino. À direita, veem-se as colunas e a escadaria da fachada de outra igreja, a Chiesa dei Santi Luca e Martina. Em primeiro plano, Rubens Faria Gonçalves. Dá para ler na fachada da igreja ao fundo, a palavra MAMERTINUM. Foto de Francisco Souto Neto.

A Chiesa dei Santi Luca e Martina sobre o Cárcere Mamertino.

Na calçada, uma pessoa olha para baixo, através da grade, onde está a porta de entrada ao Cárcere no subsolo.

A inscrição MAMERTINUM indica onde é o cárcere, no subsolo.

Um desenho mostra os níveis subterrâneos do Cárcere.

Entrando no Cárcere Mamertino

       Alguns autores já descreveram a entrada no Cárcere Mamertino como uma “descida aos infernos”. Além de um lugar muito lúgubre, as histórias escabrosas ocorridas ali desde antes de Cristo são de uma total desumanidade.


Ao nível da calçada, a entrada para a escada que desce aos dois níveis subterrâneos do Cárcere Mamertino, localiza-se assim ao lado.


Detalhe do portão para as escadas descendentes.

Ao nível da calçada, a entrada para a escada que desce aos dois níveis subterrâneos do Cárcere Mamertino, localiza-se assim ao lado.

As duas escadas que levam do nível da rua à porta propriamente dita do Cárcere.

Uma turista entrando no cárcere.

No primeiro subsolo do Cárcere Mamertino há hoje uma capela. À esquerda, vê-se uma escada que sobe para a saída, e outra escada que desce ao nível mais profundo do cárcere.

Numa das paredes do nível da capela, há uma tenebrosa placa de mármore informando alguns dos mais importantes prisioneiros que ali estiveram, e a maneira como foram mortos...

Eis a cruz invertida no altar de São Pedro, no nível mais profundo do Cárcere Mamertino.

 
Outra placa indica que São Pedro, acorrentado com São Paulo a este local, batizou 47 prisioneiros e dois guardas (que depois foram também mortos por causa disso). 

Uma fonte brotou neste local, cuja água foi usada por São Pedro para os batismos (vide o círculo no chão, que é onde há água da fonte).

       A entrada para o Cárcere Mamertino se faz por uma escadaria que começa no atual nível da rua, exatamente sob a fachada das igrejas sobrepostas, que se aprofunda paralela à calçada, onde há quatro janelões, que à distância parecem enormes portas abertas, mas que estão protegidas por grades, para que os transeuntes não caiam no desvão.  Descendo por essa escadaria, o visitante chega a um nível profundo, onde se encontra a chamada cela superior, abafada e sem janelas. Numa das paredes está fixada imensa placa de mármore gravada com os nomes dos prisioneiros mais famosos que ali encontraram a morte dolorosa. Ao lado do nome, consta a causa mortis e o ano da execução. Uns eram decapitados, outros estrangulados, outros morriam “de fome”, e assim por diante. A cela inferior da masmorra era alcançada através de um buraco no chão, em que colocavam uma escada de madeira para a descida dos prisioneiros, de onde somente sairiam, ou mortos, ou para serem executados. Dizia-se, já naqueles tempos remotos, que aquela escada de madeira era uma descida para os infernos. Atualmente há uma escada de pedra num canto que foi aberto para que os visitantes possam descer sem maiores riscos. Esse plano inferior da prisão, úmido, está ligado ao principal esgoto da cidade, que se chamava Cloaca Máxima. Às vezes, quando o prisioneiro era executado naquele local, costumavam jogar o corpo ao esgoto, ali ao lado.

       Há uma fonte no chão. Como a iluminação local era fraca, não conseguíamos ver o interior do buraco. Rubens Faria Gonçalves testou-o com uma das mãos... e encontrou a água. Segundo a lenda, quando São Pedro estava ali aprisionado, fez brotar aquela fonte, que antes não existia, e com a sua água batizou 42 outros prisioneiros, e também os dois guardas do cárcere, que se chamavam Processo e Martiniano. Esses guardas foram igualmente condenados e supliciados. Outro milagre atribuído a São Pedro teria ocorrido no momento que ele descia pela escada de madeira para aquela escuridão, quando foi brutalmente empurrado por um dos guardas contra a parede. Quando o santo bateu o rosto no obstáculo de pedra, esta teria amolecido, e parte do seu rosto ficou ali impresso. Segundo a tradição cristã, houve mais um milagre por São Pedro: as correntes que o prendiam, soltaram-se e caíram ao chão. Essas correntes estão expostas numa das mais importantes igrejas de Roma, que se chama Igreja de São Pedro Acorrentado (Chiesa di San Pietro ai Vincoli).

       Nesse piso mais profundo há mais um altar, assim transformado em capela. A cruz desse altar está invertida, alusão a São Pedro, que saiu dali para ser crucificado de ponta-cabeça. Ao lado do altar existe uma coluna onde, segundo a lenda, estiveram acorrentados Pedro e Paulo. Não resta dúvida de que a visão daquela cruz invertida causa grande impressão às pessoas que visitam o pavoroso calabouço.
       Saímos daquele espaço abafado e escuro. Subimos ao piso superior da masmorra e dali outros degraus nos levaram para o nível da rua. Encontramos a paisagem ensolarada, e uma brisa reconfortante nos trouxe de volta à Roma atual. Partimos para novos passeios, porém com o pensamento ainda aprisionado ao lugar horrendo que acabáramos de visitar.


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quarta-feira, 19 de julho de 2017

MADRI E SALAMANCA, por FRANCISCO SOUTO NETO para o PORTAL IZA ZILLI.

Detalhe do tríptico O Jardim das Delícias Terrenas, de Bosch, no Museu do Prado.

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Iza Zilli

Comendador Francisco Souto Neto

Madrí e Salamanca

Francisco Souto Neto


Em Madri, o Palácio Real e o Museu do Prado
     

        Chegamos ao Aeroporto de Barajas, em Madrí, no meio da tarde de um ameno início do outono europeu. Hospedamo-nos na Gran Via, junto às galerias de arte que expõem os mais importantes artistas plásticos europeus contemporâneos, no vértice de um triângulo imaginário cujas outras pontas tocam o Palácio Real e o Museu do Prado.

Francisco Souto Neto e Rubens Faria Gonçalves em frente ao Palácio Real de Madrí

 
Interior do Palácio Real de Madrí: o salão dos tronos do rei e rainha da Espanha.

       O Palácio Real… ele é o maior de toda a Europa Ocidental, ocupando uma extensão de 135.000m2, com três andares e quatro entrepisos. A fachada mede 130 metros de extensão por 33 de altura. Conta com 870 janelas e 240 balcões. O Salão dos Tronos é esplendoroso. Na sua coleção de instrumentos musicais há um violino Stradivarius.

       Quanto ao Museu do Prado, o acervo é admirabilíssimo, com seus El Greco, Goya, Velázquez, Paul Rubens, Van Dyck… e a Guernica de Picasso. Dentre todos os tesouros lá expostos, provavelmente o Jardim das Delícias Terrenas, um delirante tríptico de Bosch, era o que mais atraía minha curiosidade.

       Abaixo, pode-se ver o referido tríptico, seguido de alguns detalhes que selecionei para a curiosidade dos leitores. É preciso lembrar que Hieronymus Bosch, o autor de O Jardim das Delícias Terrenas, viveu de 1450 a 1516, isto é, há mais de seis séculos. É incrível que tal tríptico tenha sobrevivido à sanha destruidora dos fundamentalistas da Igreja Católica daquele tempo.

O tríptico “Jardim das Delícias Terrenas”, de Hieronymus Bosch.

 
Detalhe.

Detalhe.

 
Detalhe.

 
Detalhe.

Detalhe.

 
Detalhe.

 
Detalhe.

       Entretanto, um dos nossos objetivos principais na Espanha era uma visita à cidade de Salamanca, terra dos antepassados do meu companheiro de viagem Rubens Faria Gonçalves.

Salamanca, berço do plateresco

       Dois ou três anos antes de partir para a viagem que o levaria a descobrir a América, Cristóvão Colombo esteve em Salamanca para realizar conferência sobre geografia, astronomia, cartografia e algumas outras ciências ligadas às suas teorias a respeito de um novo caminho marítimo para as Índias. Naquela ocasião Salamanca já contava com mais de dois séculos de tradição universitária. Aliás, a Universidade de Salamanca, nos séculos XIV e XV, era tão importante quanto as de Paris e Oxford.

       A cidade guarda monumentos de rara beleza, como a velha catedral em estilo românico, do século XII, e a “nova”, gótica, do século XVI. A Plaza Mayor, construída no século XVIII, é exemplo de um dos mais felizes momentos da arquitetura espanhola, verdadeiro orgulho da Espanha.

       Sob o nome de Salamânica, a cidade já existia, sob o domínio de Roma, no ano 220 a.C. Ela é, portanto, uma cidade que existe há mais de dois mil anos. Apesar de saqueada e semidestruída pelas terríveis tropas de Aníbal, foi reconstruída pelos romanos. Ainda há vestígios destes, em muros e pontes.

      No século XVIII, o ouro e principalmente a prata vindos da América, serviram para enriquecer conventos, palácios e igrejas. Foi aí que surgiu em Salamanca um estilo arquitetônico único, que existe somente ali: o plateresco. Esse nome vem dos artesões da prata (plata em espanhol), que eram os plateros.

       O plateresco nos tetos das igrejas, nas grandes fachadas das antigas construções e em colunas, é uma delicada ornamentação esculpida na pedra. Extraordinariamente complexa, como se vê nas fotos que ilustram este artigo.

Atrás de Rubens Faria Gonçalves, a Catedral Nova (séc. XVI).

Souto Neto filmando a fachada plateresca da Catedral Nova (séc. XVI).

 
Detalhe do pórtico plateresco da Catedral Nova.

 
Teto plateresco da Catedral Nova.

 
Teto plateresco da Catedral Nova.

       Salamanca tem hoje 145 mil habitantes, mas é uma das mais visitadas cidades da Espanha. É moderna e movimentada, embora seu traçado permaneça medieval, com ruas curvas e estreitas no seu setor antigo. A sua famosa e antiga universidade aqui permanece atuante, atraindo jovens não somente da Espanha, como um dos mais respeitados centros de estudos de todo o mundo.


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sábado, 1 de julho de 2017

A INCRÍVEL IGREJA EXPIATÓRIA DA SAGRADA FAMÍLIA, DE GAUDÍ, EM BARCELONA, por Francisco Souto Neto para o Portal Iza Zilli.

Interior da Igreja Expiatória da Sagrada Família (Barcelona) em 2017

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Iza Zilli

Comendador Francisco Souto Neto

A incrível Igreja Expiatória da Sagrada Família, de Gaudí, em Barcelona.

Francisco Souto Neto

 
Antoni Gaudí (Antoni Placid Gaudí i Cornet) em foto de 15 de março de 1878, Barcelona, foi um famoso arquiteto catalão.

       No final da década de 70 desembarquei em Barcelona, na Catalunha, com um objetivo principal: conhecer a Igreja Expiatória da Sagrada Família, obra iniciada (e ainda inacabada) em 1884 por um dos mais controversos arquitetos de todos os tempos, e o mais importante da Espanha: Antoni Gaudí (1852-1926). 

       Decidido a construir a maior e mais inovadora catedral do mundo, e antevendo que a obra duraria séculos, ocorreu a Gaudí que a fachada leste – a Fachada da Natividade – deveria ser levantada antes das demais e completada ainda durante a sua geração. Deu início à construção em 1884, trabalhando nisso ao longo de ininterruptos 40 anos, até ver as primeiras quatro torres prontas, adornadas com a sua Porta da Fé, Esperança e Caridade, e sentiu-se satisfeito com a conclusão da primeira parte da obra.

 Início da construção, por volta de 1890.

A Sagrada Família em 1892.

 
Antes do fim do século XIX, com uma parede lateral à esquerda (que será a parede da abside) e o começo da Fachada da Natividade, aqui vista do seu lado interno.

 
Parte interna da Fachada da Natividade por volta de 1899-1900.

A elevação das quatro primeiras torres, de um total previsto de dezoito torres.

 
Em 1935, as quatro primeiras torres concluídas

 
Detalhe da Fachada da Natividade.

       Gaudí morreu aos 74 anos atropelado por um bonde, e as obras pararam. Somente após a Guerra Civil Espanhola, a construção foi retomada, mas muito lentamente, porque sem apoio governamental, apenas com doações dos visitantes.

       No final da década de 70, eu em Barcelona:

Francisco Souto Neto numa ponte entre duas torres.

Perigosos caminhos externos entre as torres. Foto Souto Neto.

As paredes da futura abside era tudo o que existia entre os dois conjuntos a céu aberto das torres.

As quatro torres da Fachada da Natividade.

Detalhe da Fachada da Natividade.

       Na minha primeira visita ao templo, a construção das quatro torres da fachada oeste já tinha alcançado o seu ápice, mas estava ainda em obras. A entrada fazia-se pela Fachada da Natividade.

Galgando as alturas

       Naquela ocasião, a igreja apresentava-se assim: de um lado, as quatro torres da fachada leste; do outro, as quatro torres da oeste... e todo o espaço entre tais fachadas estava a céu aberto, com grama no seu centro vazio!

Maquete que mostra as oito torres separadas de quatro em quatro em 1980. Fachada da Natalidade.

A Fachada da Paixão em construção em 1980. Fachada da Paixão.

       Eram, portanto, duas fachadas isoladas, monumentais em altura e beleza, mas que pareciam cenários de teatro. Com a altura de 125 metros, equivaliam a um prédio de cerca de 40 andares. A entrada à igreja fazia-se pela Fachada da Natividade, que é a original de Gaudí.

       O elevador da torre da Natividade não estava funcionando, e eu me dispus a subir os 400 degraus para poder apreciar o panorama de Barcelona. Mais que isto, a escalada serviu para que eu pudesse observar o espetáculo visual sem precedentes da construção de Gaudí, e sentir de perto a magnificência das suas paredes de pedra.

       Estive também na cripta, onde está Gaudí enterrado, e vi a maquete do que será a igreja quando pronta, com uma torre central ainda mais alta do que as anteriores, projetada para ter 170 metros de altura, mais do que um prédio de 50 andares.

Maquete que prevê como será a igreja quando concluída. A entrada será feita pela Fachada da Glória, que ainda não existe.

Aspecto de como ficará a Igreja Expiatória da Sagrada Família quando for inaugurada em 2026.

       Num desvairio de formas arquitetônicas que lembram a Natureza, tais como troncos de árvores e folhas, toda a construção e as esculturas são feitas em pedra. Lembro-me de que, naquela ocasião, embora ainda muito jovem e viajando com apertada economia, não resisti ao entusiasmo e emoção ante a beleza da obra e fiz uma doação espontânea ao cofre da igreja, pensando: “quero ajudar na construção deste templo fantástico, nem que seja com o equivalente a uma modesta pequena pedra”.

A Fachada da Paixão

       Só em 1991 retornei a Barcelona, agora na companhia do meu amigo Rubens Faria Gonçalves, e ambos logo rumamos à Sagrada Família. A Fachada da Paixão (lado oeste) já estava inaugurada, e por ali é que agora se fazia a entrada dos visitantes, em oposição à outra fachada, original de Gaudí, onde é relatada na pedra a alegria do nascimento de Jesus, a nova fachada evoca desolação, dor, sacrifício e a morte de Cristo.

       Em 1987, nomeado pela Junta de Construção, o escultor Josep María Subirachs começou a fazer a parte escultórica da nova fachada, mas impôs a condição de não imitar Gaudí para não interferir nem copiar o estilo da fachada original, deixando claro aquilo que era criação do genial Gaudí (isto é, a Fachada da Natividade), e o que seria dos artistas dos tempos por vir. E deste modo as esculturas de Subirachs resultaram “descarnadas”... e polêmicas. Mas não são justamente a polêmica e a inovação que costumam movimentar a arte? A mim, o resultado pareceu interessantíssimo.

Aspecto da nova Fachada da Paixão.

Detalhe dos conjuntos escultóricos da Fachada da Paixão.

Figura sofrida na Fachada da Paixão.

O beijo de Judas em Jesus.

Jesus coroado de espinhos.

Jesus coroado de espinhos (detalhe).

       Apesar da mudança de estilo das novas estátuas (pois Subirachs é nosso contemporâneo), está em harmonia com a arquitetura da igreja, que é toda de Gaudí. Quando for erguida a terceira fachada, que será a frente da igreja, certamente algum artista – que talvez hoje não tenha ainda nascido – irá esculpir conforme os ditames do futuro.

Atrás de Francisco Souto Neto, duas novas torres da igreja (1991).

Rubens Faria Gonçalves na ponte entre duas torres (1991).

Na segunda sacada de baixo para cima vê-se Rubens Gonçalves. Essas paredes no futuro serão INTERNAS, isto é, ficarão DENTRO da igreja. Observem-se as torres acima.

       Subimos os 400 degraus da torre e imaginei que era a última vez em toda a vida que eu me dispunha a fazer tal esforço.

A visita de 2001

       Em 2001 estive outra vez em Barcelona, e novamente com Rubens Gonçalves, meu velho companheiro de viagens. E é claro que logo acorremos à Igreja Expiatória da Sagrada Família.

       A construção avançou muito. Agora as duas fachadas laterais estão unidas pelo teto da futura nave central do templo. Ficamos longamente observando o trabalho ruidoso dos construtores serrando grandes blocos de pedra e erguendo altíssimas colunas. Pensei, assombrado, que estávamos tendo o raro privilégio de acompanhar alguns dos passos da construção da “Catedral dos Pobres” – a Sagrada Família é também assim conhecida, porque vive e cresce de pequenas “esmolas” doadas pelo povo.

Rubens Faria Gonçalves na Fachada da Natividade em 2001.

Francisco Souto Neto pela terceira vez subindo os 400 degraus em 2001.

Uma das alegorias das torres, vista de trás.

Souto Neto na ponte entre as duas torres em 2001.

Rubens observando a paisagem.

As quatro torres do outro lado e, à esquerda, avança a construção entre elas.

Abaixo, a parede da abside que existe desde o século XIX, e à esquerda vê-se a construção que sobe.

A construção que sobe entre as torres.

A construção no centro da igreja.

       Vimos o local onde se erguerá a Fachada da Glória e a torre do domo central que, de tão alta (170 metros) “tocará o céu”. Talvez seja concluída em 2026, quando então deverá ser a maior e mais alta igreja do mundo.

       Como de hábito, mais uma vez dispusemo-nos a subir as quatro centenas de degraus de uma das torres. A subida é muito divertida, cheia de paradas para observar a um ou outro detalhe. A meia altura, as torres intercomunicam-se através de uma ponte de pedra. As escadas espiraladas estão sempre coalhadas de turistas. Quando alguém ultrapassa, é preciso que o outro se encoste à parede para abrir espaço. Sobe-se por uma escada e desce-se por outra. Chegar ao alto da torre é tão maravilhoso que o turista logo se esquece do cansaço da subida.

Além de Gaudí


       A Sagrada Família foi “apenas” a última construção de Gaudí. As obras do assombroso arquiteto espalham-se para além da Catalunha. Por exemplo, até mesmo a Catedral de Palma de Majorca (onde estive há quatro anos) tem o altar projetado por Gaudí.

       Além disso, Barcelona não é “somente Gaudí”. Trata-se de uma cidade riquíssima, a segunda da Espanha em população, que rivaliza com a capital daquele país em cultura e beleza. Eu, particularmente, gosto muito mais de Barcelona do que de Madri. Seus habitantes não se consideram espanhóis. Barcelona, capital da Catalunha (região que aspira se separar da Espanha) quer ser a capital do “país catalão”. Até língua própria eles têm, que é, obviamente, o catalão, e nem mesmo gostam de falar o espanhol.

       Questões políticas à parte, eu penso mesmo é em um dia voltar a Barcelona para “fiscalizar” os progressos da construção e ter ainda vigor bastante para dispensar o elevador e subir os 400 degraus da extraordinária, esplendorosa e monumental Igreja Expiatória da Sagrada Família.

     Abaixo, fotografias encontradas na internet dão conta de quão fascinante está se tornando o interior do templo. Como em Gaudí a arquitetura deve seguir as linhas curvilíneas da Natureza, as colunas assemelham-se a troncos de árvores e as cores da pintura, bem como os reflexos dos vitrais, tornam a Sagrada Família um verdadeiro delírio de beleza e originalidade.

ABAIXO, 12 FOTOS ATUAIS (2017), UMA DO EXTERIOR E AS 11 RESTANTES DO SURPREENDENTE INTERIOR DA IGREJA EXPIATÓRIA DA SAGRADA FAMÍLIA:













   Adiante, um filme que mostra como continuará sendo erguida a Sagrada Família até à sua finalização em 2026:



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