domingo, 21 de junho de 2026

JULIE LONDON – A CANTORA E ATRIZ ESTADUNIDENSE CUJA VOZ ME ACOMPANHA HÁ QUASE 70 ANOS - por Francisco Souto Neto em 20.6.2026.

JULIE LONDON – A CANTORA E ATRIZ ESTADUNIDENSE CUJA VOZ ME ACOMPANHA HÁ QUASE 70 ANOS      -       por Francisco Souto Neto em 19.6.2026.


A cantora e atriz Julie London (capa da revista LIFE) 


Francisco Souto Neto em 2025.


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O primeiro disco de Julie London que  conheci, “Julie is her name”, foi comprado pelo meu irmão Olímpio Souto em 1957.

 
FOTO 1 – “Julie is her name”, o primeiro long-play de Julie London em 1957.

FOTO 2 – A contracapa.

 

Anos depois, quando meu irmão mudou-se para Nova York, deu-me o  disco de presente porque sabia que eu gostava de Julie London mais do que ele. A música mais importante do disco era “Cry me a River”, que Julie apareceu cantando num filme em CinemaScope estrelado por Jayne Mansfield, “The Girl Can't Help It”, que no Brasil chamou-se “Sabes o que Quero”. Foi assistindo a esse filme que meu irmão e eu descobrimos Julie London.

Abaixo está a sequência do filme quando Tom Ewell, embriagado, despede-se de Jayne Mansfield e vai para casa, onde pega o disco “Julie is her name” e o coloca na vitrola... então começa a não apenas ouvir, mas, no seu delírio, também vê Julie London cantando em todos os lugares da residência. 

 

FOTO 3 – Sequência do filme “Sabes o que quero”, com Tom Ewell e Jayne Mansfield, em que Julie London aparece como ela mesma, cantando “Cry me a River”.

 

Abaixo, captada do YouTube, a sequência acima referida. Assista clicando abaixo:

 

https://www.youtube.com/watch?v=OAAq2O9bjKM&list=RDOAAq2O9bjKM&start_radio=1

 

No começo do ano de 1958, quando ingressei no 3º ano do Curso Ginasial da Academia, eu estava com 14 anos de idade, e fiz no meu caderno de desenho um retrato a lápis de Julie London. Meu professor de desenho teceu elogios, mas é claro que o retrato é muito ruim. Afinal, eu era ainda um menino. Mas está aqui neste relato apenas a título de curiosidade. Vale para atestar que eu era, realmente, um grande fã da cantora.

 

FOTO 4 – O retrato a lápis (obviamente mal feito) que fiz no meu caderno de desenho no 3º ano do Curso Ginasial, quando eu era um menino aos 14 anos no começo do ano letivo de 1958.

 

Aos 15 anos eu era tão fã de Julie London que fiz uma montagem fotográfica onde ela aparecia ao meu lado, da seguinte maneira: posei para uma fotografia segurando o tal disco, apontando para um espaço vazio ao meu lado onde, após revelada a fotografia, recortei de uma revista a foto da cantora e ali colei-a. Naquele tempo as fotografias eram em preto e branco. Agora, passados uns 70 anos, colori-a através da IA:

FOTO 5 – A montagem que fiz aos 15 anos de idade,  com recorte de revista com Julie London que colei na minha fotografia (tempo das fotos em preto e branco), e à direita o trabalho feito em 2026 pela IA que deu cores e nitidez à fotografia que tirei há quase 70 anos.  0BSERVE a coincidência de que na fotografia que abre este texto, com Julie London na capa da revista LIFE, ela usa o mesmo vestido da foto acima.

No Natal de 1959, meu saudoso amigo Joãozinho (João Vargas d'Oliveira Júnior) tocou a campainha de minha casa e entrou sorridente. Trazia para mim e minha irmã Ivone um disco que eu nem sabia existir: era o Volume 2 de “Julie is her Name”, uma preciosidade! Que enorme surpresa! Joãozinho sabia que eu tinha o primeiro volume e que desconhecia a existência do segundo volume recém-lançado.  

 

FOTO 6 – A capa de “Julie is her name Volume 2”. Joãozinho escreveu uma dedicatória sobre a capa de plástico. Com a passagem das décadas, a tinta da caneta esferográfica desapareceu, porém o vestígio deixado pela pressão da caneta sobre a superfície do plástico ainda pode ser lido inclinando-se a capa em relação à claridade.

 

FOTO 7 – Joãozinho e Francisco Souto Neto adolescentes.

 

Em 1960 meu irmão Olímpio “abandonou o ninho” da nossa casa paterna e mudou-se para a capital de São Paulo. Ele estava com 26 anos e era ainda solteiro. Ele era realmente um artista: fazia desenhos que vendia para as fábricas de estamparia de Campinas e começou a atuar em teatro. Naquele começo dos anos 60 ele já contracenava com atores que nos anos seguintes tornaram-se famosos através de novelas da Rede Globo.


FOTO 8 – Meu irmão Olímpio Souto em 1965.

Uma noite, quando estava indo para a pensão onde morava, ao passar em frente ao Hotel Jaraguá, viu que uma linda mulher saía dali para embarcar no carro que a aguardava. Ele de repente percebeu que se tratava de Julie London que estava ali hospedada, pois veio ao Brasil para apresentar-se cantando. Até nas capas de O Cruzeiro e da Manchete ela já tinha aparecido, nas reportagens sobre suas apresentações no Brasil. Ao reconhecê-la, voltou uns passos e pediu-lhe um autógrafo. Mas... onde ele poderia colher seu autógrafo se estava sem nenhum papel à mão? Entretanto, ele havia comprado maços de cigarro que estavam envoltos em “papel de embrulho” (que é como se dizia na época). E ali mesmo Julie London gentilmente e sorrindo deu-lhe um autógrafo, assinando com a caneta-tinteiro do próprio Olímpio. Ele pegou esse autógrafo porque sabia que eu gostaria muito de recebê-lo. 

 

A carta – manuscrita, que era usual à época – em “papel de seda”, poderá ser lida abaixo, em três páginas. Olímpio tinha uma ótima caligrafia. Aqui, vê-se que ele escreveu às pressas, porém, assim mesmo é bem legível e a sua descrição sensível, poética,  interessantíssima.

 

FOTO 10 – A carta de meu irmão Olímpio: 1ª página. 

       
FOTO 11 – A carta de meu irmão Olímpio: 2ª página.


 

            No mesmo ano de 1960, quando morávamos em Ponta Grossa, meus pais viajaram a São Paulo, o que faziam habitualmente para visitar minha avó paterna, a quem chamávamos de Mãe Nina. Eu pedi ao meu Papai que, se possível, fosse a uma importante casa de discos para ver se encontraria algum novo de Julie London. Ele gentilmente lá esteve e trouxe de presente para mim o “About the blues”, que hoje considero o melhor dentre todos os discos da cantora.

  

FOTO 13 – A capa de “About the blues”

 

FOTO 14 – Contracapa de “About the blues”

  

O quarto disco de Julie London que recebi de presente foi do meu amigo Rubens Faria Gonçalves no ano de 1976, quando ele ainda residia em São Paulo. 

 

FOTO 15 – Capa de “The very best of Julie London”


FOTO 16 – Contracapa de “The very best of Julie London”

 

Em 1980 eu reuni os 11 discos long-play (de 33 rpm) que eu tenho e tirei uma fotografia deles reunidos no chão, com a presença do meu chihuahua Quincas Little Poncho (1973-1990)

 

 

Quando foi inventado um novo tipo de discos, os CDs que tornaram ultrapassados os long-plays, todos os antigos discos de Julie London foram relançados, não só os que existiam no Brasil, como também inúmeros outros que foram lançados nos Estados Unidos. No ano de 2025 eu reuni os meus 22 CDs de Julie London em uma única fotografia que se vê abaixo.

 

 
FOTO 18 – Minha coleção de CDs de Julie London

 

Estes são os 22 CD de Julie London que comprei. Note-se que inúmeros dos CD englobam DOIS antigos long-plays de Julie London. Isto significa que os 22 volumes acima englobam mais de 30 antigos discos de Julie London.

 

FOTO 19 – Este é um detalhe da FOTO 19, apenas para mostrar que vários dos seus CDs envolvem dois álbuns de sua discografia.

  

No link abaixo está o disco completo “Julie is her name”, e aqui podem ser ouvidas todas as suas faixas:

 

https://www.youtube.com/watch?v=gCGNYJOrebA&list=PLVnkoLiLMTm5Nc1ODYiFJGiZQkXtEwQFt

 


 

Na Wikipédia pode ser lida em português a biografia de Julie London, que inclui todos os seus filmes realizados em Hollywood, pois ela foi, além de cantora, uma importante e elogiada atriz. Para ler e ver, basta clicar neste link:

https://en.wikipedia.org/wiki/Julie_London

 

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FOTO 20  – Em 2026 em meu quarto onde, por ser espaçoso, mantenho uma sala íntima e também uma mesa de trabalho com o meu computador (este não aparece na foto) segurando o primero disco de Julie London. Guardo todos os seus long-plays e os CDs. À direita, minha cama de cerca de 200 anos..


FOTO 21  – Em 20.6.2026, com o disco comprado pelo meu irmão em 1957, há quase 70 anos.


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sexta-feira, 20 de março de 2026

UM TROPEÇÃO E A QUEDA NA RUA por Francisco Souto Neto em 20.03.2026.


Francisco Souto Neto em 2025.

Francisco Souto Neto em 2026... antes da queda.
 
 

 

UM TROPEÇÃO E UMA QUEDA NA RUA 

por  Francisco Souto Neto 

 

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Preâmbulo

 

NA SEMANA PASSADA, AO ATRAVESSAR UMA RUA, SOFRI TROPEÇÃO E A QUEDA... COMO CONSEQUÊNCIA, TIVE OMBRO E ÚMERO FRATURADOS. ESTOU AGORA CONVALESCENTE COM BRAÇO DIREITO TOTALMENTE IMOBILIZADO. DURANTE 40 DIAS, TEREI QUE DIGITAR NO COMPUTADOR COM UM DEDO DA MÃO ESQUERDA, LETRA POR LETRA, EM DIFÍCIL E LENTA TAREFA. DEPOIS SERÃO MESES E MESES DE FISIOTERAPIA. MAS NÃO FOI SÓ ISSO, POIS TAMBÉM BATI A BOCA NO ASFALTO, PERDI DENTES E TIVE CORTES NO INTERIOR DOS LÁBIOS PROVOCADOS PELAS ARESTAS DOS DENTES FRAGMENTADOS.

 

Histórico da queda

 

Em apenas um segundo, tudo pode se transformar. Esse lapso mínimo, quase imperceptível, é capaz de redesenhar destinos, interromper planos e suspender sonhos. É o instante que separa a rotina tranquila de um turbilhão existencial, o previsível do imprevisível.

Foi na tarde de 11 de março de 2026, após uma consulta rotineira à minha dentista, doutora Ilda Pazinatto — uma profilaxia que cumpro como quem cumpre um ritual de cuidado — que me vi, de súbito, diante dessa ruptura. Caminhava de volta para casa, a mente ocupada com a viagem à Europa que se aproximava, quando, ao atravessar a Avenida Vicente Machado, tropecei. O corpo estendeu-se sobre o asfalto como se o tempo tivesse congelado.

 

A dor aguda no ombro direito denunciava a fratura. O rosto, levado ao solo, encontrou a aspereza do pavimento: os dois dentes incisivos superiores se partiram, e os lábios, feridos por dentro, jorraram sangue em profusão. O vermelho tingia minhas mãos, meu bigode, meu cavanhaque, como se fossem pincelados por uma tinta fresca e cruel.

Incapaz de erguer-me sozinho, clamei por socorro. Dois transeuntes acudiram, sustentando-me com esforço. Um deles, já com o celular em punho, ofereceu chamar uma ambulância. Hesitei um pouco e achei melhor retornar ao consultório de minha dentista, situado no quarteirão ao lado, e dali pedir socorro ao meu amigo Rubens, para só então chamar a ambulância que me levaria ao hospital. Minha dentista e sua secretária Janete levaram-me ao banheiro para que eu lavasse as mãos e o rosto. Meu reflexo no espelho assustou-me pela quantidade de sangue ao redor da boca, como se esta estivesse recoberta por tinta vermelha ainda úmida.

Entre gestos de cuidado enquanto meu amigo Rubens não chegava para levar-me ao pronto-socorro, doutora Ilda suavizou as arestas que restaram próximas à raiz dos dentes quebrados e improvisou uma solução estética colocando duas provisórias próteses dentárias no espaço aberto.

No Vita Batel – o hospital pronto-socorro mais próximo – onde fui atendido prioritariamente, após radiografias e tomografia, veio a confirmação: fratura no úmero. Mais uma vez, como em 2024, quando o ombro esquerdo já havia sofrido semelhante destino, a vida me lembrava da fragilidade dos ossos e da persistência da dor.

 Quando em 2024 – há menos de dois anos – tive fraturado o ombro esquerdo no úmero proximal, publiquei num dos meus blogs temáticos o relato da amarga experiência, cujo texto poderá ser recordado no seguinte link:


https://fsoutone.blogspot.com/2024/08/anatomia-de-uma-queda-ou-parafraseando.html

 

Após o diagnóstico, no caso específico do meu tipo de fratura, é preciso aguardar durante uma semana para buscar-se, através de novos exames, uma resposta à indagação que fustiga a mente de qualquer paciente: “estarei livre de uma cirurgia?”.

Além disso, três dias após o acidente, notei que os cortes ocorridos no interior da boca começaram a inflamar. Temendo que as inflamações pudessem derivar para infecções, acompanhado pelo meu amigo Rubens busquei auxílio no pronto-socorro do Hospital São Vicente, que fica praticamente ao lado de onde resido, e ali fui rapidamente atendido por Dra. Mariana Moscalewsky, a quem eu já conhecia da uma consulta havida há alguns anos. Ela, muito gentil, disse-me espontaneamente que se lembrava de mim. Voltei para casa com a receita de uma pomada composta por antibióticos.

 

Os passos seguintes da convalescença

 

No dia 18 voltei ao Hospital Vita Batel para a primeira consulta com Dr. Vagner Messias Fruehling, o médico ortopedista que acompanhará a minha fratura até solucioná-la. Após atualização de radiografia do ombro, ele deu-me a notícia que eu tanto esperava: a fratura permanece estável e assim, em processo de calcificação, se ela mantiver-se nos próximos 45 dias, provavelmente será desnecessária a temida cirurgia corretiva. Didático e atencioso, orientou-me quanto aos cuidados para chegarmos com sucesso ao nosso desiderato.

Neste ínterim tenho contado com o apoio incondicional de meu amigo e companheiro Rubens que com incrível paciência e dedicação resolve os problemas que meu braço esquerdo não consegue solucionar sozinho. Por exemplo, dobrar um guardanapo, pendurar e recolher roupa do varal, cortar um tomate ou um peito de frango no prato, amarrar o cordão do sapato ou tênis, vestir uma camisa, calçar as meias, assinar um documento, lavar um talher... Com um braço imobilizado tornamo-nos prisioneiros do próprio corpo.

Um novo passeio à Europa terá que ser novamente adiado. Entretanto não deixo de ficar imaginando o Quartier Latin em Paris, a Nôtre Dame renascida, os verdejantes planaltos alpinos coalhados de flores amarelas sob os picos nevados da Jungfrau na Suíça, as torres da Sagrada Família que se erguem cada vez mais altas em Barcelona, a freira idosa que arrancava de um órgão romano da Igreja de Santo Inácio de Loyola a força de Bach na Tocata e Fuga em Ré Menor, e os fascinantes labirintos de Veneza onde tantas vezes nos perdemos, eu e Rubens, com alegria e deslumbramento. 

Mas há um obstáculo à vista: não há como não lastimar que a esta altura da História, quando já atravessamos mais de uma quarta parte de Século XXI, que o mundo esteja sendo regido por um presidente estadunidense delirante, arrogante, mentiroso, prepotente, desdenhoso e megalomaníaco, que age como um tirano e desequilibrado rei do mundo, que nos trata como fundo de quintal e vem ampliando as guerras, o desespero e a morte de inocentes no planeta, tal como já fez o Primeiro-ministro de Israel contra a população civil da Faixa de Gaza! Viajar à Europa num momento de graves incidentes políticos talvez seja tão ou mais arriscado e triste do que uma queda no asfalto.

Agora resta esperar que o tempo de minha imobilização e da fisioterapia se cumpra. Que o corpo se recomponha, para que possamos retomar os caminhos e os passeios, sem que o espectro da finitude e da guerra que assombra a Europa e o mundo, nos roube também a esperança.

 

Epílogo

 

Em 2024 fraturei o ombro esquerdo; agora em março de 2026 a fratura é no ombro direito...

Em casa, lendo ou assistindo à televisão. Ou ainda, quem sabe, como disse Samuel Beckett: esperando Godot.

 

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

NO SÉCULO XXI O DESTINO DA FAMOSA TELA DO VISCONDE DE SOUTO por Francisco Souto Neto.


Visconde de Souto retratado em óleo sobre tela por Augusto Rodrigues Duarte em 1879. Acervo da Beneficência Portuguesa, Rio de Janeiro, até 2025. Atualmente acervo de Ricardo Salles. Fotografia de Ney O. R. Carvalho.  

 

Comendador Francisco Souto Neto em 2026.

 

  

NO SÉCULO XXI O DESTINO DA FAMOSA TELA DO

VISCONDE DE SOUTO 

por  Francisco Souto Neto

  

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Preâmbulo

 

Antes de tratar sobre o paradeiro do famoso retrato em óleo sobre tela do visconde de Souto, de 1879, parece-me oportuno referir-me, em breve síntese, à importância de meu trisavô como uma das mais influentes personalidades do Segundo Reinado no Brasil, um dos sustentáculos da economia e do desenvolvimento do nosso país ao período do imperador Dom Pedro II.

Logo abaixo, o texto constante da 4ª capa ou contracapa do livro Visconde de Souto: Ascensão e “Quebra” no Rio de Janeiro Imperial, da autoria de Francisco Souto Neto e Lúcia Helena Souto Martini, Editora Prismas, 2017:

 

Quarta capa, lombada, capa e orelha.

A capa.

Os autores Francisco Souto Neto e Lúcia Helena Souto Martini fotografados em 2016.

 

“António José Alves Souto nasceu a 28 de março de 1813 na cidade do Porto, Portugal. Veio para o Brasil aos 15 anos e na capital imperial, Rio de Janeiro, tornou-se o primeiro banqueiro particular do país. Sua casa bancária, conhecida como Casa Souto, rivalizava em carteira de depósitos com o Banco do Brasil. Vizinho da Quinta Imperial da Boa Vista, tornou-se amigo do Imperador D. Pedro II. ‘Honrado com a confiança do Imperador, recebi-o em sua casa e toda família imperial com a maior singeleza, sem o espalhafato ridículo  dos preparativos burgueses em tais ocasiões’ (Bessa e Meneses, jornal Commercio de Lisboa, 28 de fevereiro de 1880). Por volta de 1850 criou um jardim zoológico em sua chácara, o primeiro do Brasil, importando animais de três continentes. Foi a primeira vez que os brasileiros puderem ver elefantes, leões e ursos.

O visconde de Souto foi fundador da Junta dos Corretores que se transformou na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, fez parte da primeira diretoria da Caixa Econômica e presidiu a Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro. Pelo casamento dos filhos aparentou-se com o conde de Ipanema, marquês de Olinda, visconde de Pirassununga e com o ministro de Estado Eusébio de Queirós. Tornou-se o banqueiro oficial da Casa Imperial do Brasil. Abolicionista, comprava escravos para alforriá-los. Sustentou creches, amparou crianças órfãs e assegurou-lhes a educação. Desenvolveu muitas obras para o progresso do país e associou-se ao barão de Mauá em algumas delas.

No dia 10 de setembro de 1864 ocorreu o inesperado: a Casa Souto quebrou. Essa falência arrastou num turbilhão alguns bancos, cerca de cem empresas no Brasil e duas em Portugal, abalou o país e foi noticiada até nos confins do mundo então conhecido, como na Nova Zelândia e no novíssimo continente da Austrália. ‘Supor naquele tempo que o Souto quebrasse era o mesmo que acreditar na quebra do Pão de Açúcar’, segundo Arthur Azevedo e Raimundo Magalhães Júnior em Contos Ligeiros.

Machado de Assis teve uma certa fixação no poderoso banqueiro e o mencionou várias vezes em livros e artigos em jornais, como em Quincas Borba: ‘Pode cair, tudo pode cair. Eu vi cair o banqueiro Souto, em 1864’. Contam Benedito Ribeiro e Mário Mazzel Guimarães em História dos bancos e do desenvolvimento financeiro do Brasil: ‘...até os papagaios repetiam nas varandas e cozinhas das casas-grandes: ‘O Souto quebrou! O Souto quebrou!’.

Inocentado da quebra de sua própria casa bancária, o visconde de Souto morreu em 1880 respeitado e reverenciado, tal como revelam centenas de autores constantes da bibliografia desta obra que soma 620 livros pesquisados.

Esse livro contém um apêndice que relata a degradação do setor histórico do Cemitério do Catumbi, onde estão inumados o visconde e a viscondessa de Souto, dentre outros grandes nomes da História do Brasil”.

 

Como descobri a existência do grande retrato em óleo sobre tela do visconde de Souto

 

Na infância e juventude, em tempos muito anteriores à internet, o conhecimento se escondia nas páginas pesadas das enciclopédias — Delta Larousse, Barsa, Mirador — verdadeiros monumentos de papel que se alinhavam em estantes imponentes. Cada coleção reunia cerca de quinze a vinte volumes, abrangendo todas as áreas do saber em ordem alfabética, como se fosse um mapa do mundo impresso. Com o passar dos anos, porém, tornavam-se estáticas, envelhecidas diante da velocidade da História, e precisavam ser atualizadas por suplementos anuais. Eram obras caras, quase luxuosas, acessíveis apenas às famílias mais abastadas. Para a maioria das pessoas, restava o caminho das bibliotecas públicas, onde o saber se oferecia como um tesouro coletivo.

Pouco sabíamos, então, sobre a vida de meu trisavô, o visconde de Souto. Foi apenas ao início da década de 1990 que eu e minha prima Lúcia Helena Souto Martini começamos a descobrir, já com o auxílio da nascente internet, que sua trajetória havia sido de grande relevância para a História do Brasil. Movidos pelo desejo de aprofundar esse legado, começamos a busca, através da Estante Virtual, de livros que se referissem ao nosso ancestral, e foi assim que comprei Bolsa de Valores do Rio de Janeiro 150 anos: a história de um mercado”, da autoria de Ney Oscar Ribeiro de Carvalho.

  

Capa do livro “Bolsa de Valores do Rio de Janeiro 150 anos: a história de um mercado”. Fotografia por Francisco Souto Neto.

Foi na página 54 desse volume que, pela primeira vez, meus olhos se encontraram com o célebre retrato do visconde de Souto — imagem que, mais do que uma representação, parecia abrir uma janela para o passado e revelar a presença viva de um antepassado que ajudou a construir uma instituição fundamental para o país, a Junta dos Corretores do Rio de Janeiro, atual Bolsa de Valores, da qual foi seu primeiro diretor.

O livro sobre a Bolsa de Valores com as dimensões de 23 por 29 centímetros tem, portanto, o formato horizontal.

 

 
O livro aberto nas páginas 54 e 55. Meu dedo apontando ao retrato de visconde de Souto serve para comparar com as dimensões do livro.

A página 54.

 

A página 55.

 
Na página 55, o detalhe da gravura que mostra o jardim zoológico do visconde de Souto, o primeiro do Brasil. 


Meu primeiro encontro com a pintura do visconde de Souto

  

Durante longos anos, eu e minha prima Lúcia Helena nos dedicamos à investigação da vida e dos feitos de nosso trisavô, o visconde de Souto. A primeira viagem conjunta que fizemos ao Rio de Janeiro marcou um ponto alto dessa busca: havíamos agendado uma visita à presidência da Real e Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficência do Rio de Janeiro – ou, simplesmente, Beneficência Portuguesa. A instituição hospitalar, fundada em 1840, foi instalada em um majestoso edifício neoclássico, cuja imponência arquitetônica evoca a solidez das instituições oitocentistas. Ao fundo do terreno erguia-se o anexo moderno que abrigava o célebre hospital da entidade, testemunho da continuidade histórica entre tradição e progresso.

 

 
Eis os dois prédios administrativos "quase" gêmeos da Beneficência Portuguesa. O prédio moderno, de 7 ou 8 andares que se vê ao fundo, com listras horizontais azuis, é o hospital propriamente dito. Fotografia da internet.


Os riquíssimos portões artísticos com gradil de ferro forjado da Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro com pixações nas colunas de granito. Fotografia por Francisco Souto Neto em 2009.

Depois do riquíssimo portão, já dentro da propriedade da Beneficência Portuguesa, a dupla escada curva que leva aos dois prédios administrativos. Fotografia da internet por Antônio J. Caldas.

As estátuas na base da dupla escada de acesso aos prédios administrativos. Fotografia da internet por Paulo Sérgio Villasanti 

Francisco Souto Neto fotografa os bustos, no parapeito, de costas para os dois prédios "quase" gêmeos clássicos, da administração da Beneficência Portuguesa. Vê-se aqui a escada curva e, à esquerda, os magníficos portões de ferro forjado de entrada à propriedade.

O que impressiona nesta foto de 2009 é que os bustos do parapeito parecem observar o avanço da favela ao fundo. Fotografia por Francisco Souto Neto.

Francisco Souto Neto e Lúcia Helena Souto Martini à entrada do pavilhão mandado construir pelo visconde de Souto, quando foi presidente da Beneficência Portuguesa, para abrigar vítimas das epidemias que ocorriam na capital imperial do Brasil. Fotografia por Isaura Taveira Barbosa.

Recebidos pela distinta diretora, Srª Isaura Taveira Barbosa, fomos conduzidos ao salão nobre da presidência. Ao transpormos a porta francesa, debruada em madeira trabalhada, deparamo-nos com a visão que justificava nossa peregrinação: o monumental retrato de nosso antepassado. A tela dominava a parede principal da sala retangular, ladeada por representações régias de dois monarcas portugueses, compondo um cenário que unia genealogia familiar e memória nacional. Logo abaixo, uma placa de bronze registrava a visita do presidente Emílio Garrastazu Médici em 1972 àquele lugar, curiosa justaposição de temporalidades que fazia dialogar o Brasil da ditadura militar com o Rio de Janeiro imperial.


Lúcia Helena Souto Martini e Francisco Souto Neto no salão nobre da presidência da Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro, onde o retrato do presidente da instituição, visconde de Souto, ocupava com destaque a parede central. A pintura em óleo sobre tela é de A. R. Duarte, de 1879. Fotografia por Sílvia Maria Pinheiro Grumbach.

Numa das paredes laterais do salão nobre da presidência (aqui do lado esquerdo), o óleo sobre tela de um dos reis de Portugal. Foto por Francisco Souto Neto.

Lúcia Helena em atividade fotografando o salão nobre da presidência, enquanto a diretora Isaura Taveira Barbosa faz alguma anotação tendo ao fundo (na parede lateral do lado direito) a tela de um dos reis de Portugal. Foto por Francisco Souto Neto.

Lúcia Helena e o quadro do nosso trisavô. Foto por Francisco Souto Neto.

 

Sob o quadro do visconde de Souto, uma placa alusiva à visita do ex-presidente Emílio Garrastazu Médici àquele lugar no ano de 1972. Foto por Francisco Souto Neto.

O óleo sobre tela, assinado por Augusto Rodrigues Duarte em 1879, um ano antes do falecimento do visconde, guarda a aura de autenticidade: é plausível que o retratado tenha contemplado a obra concluída, seja como modelo presencial, seja por intermédio de uma fotografia. Observamos, contudo, que o quadro sofrera agressões do tempo e da negligência: respingos de tinta branca, fruto de reformas posteriores nas paredes e teto daquele salão, maculavam a superfície da tela, indício de que não fora retirada nem protegida durante a pintura daquele ambiente.

A altura do pé-direito impedia-nos de obter fotografias frontais adequadas. A remoção da tela, de dimensões e peso consideráveis, exigiria esforço físico de dois homens robustos. Felizmente, o escritor Ney Oscar Ribeiro de Carvalho – autor da obra sobre a história da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro – já se incumbira da tarefa de baixar o quadro, apoiando-o em cadeiras para fotografá-lo sem distorções. Foi graças a essa imagem que pude, posteriormente, aplicar recursos de digitalização e eliminar tecnologicamente as manchas, restituindo à fotografia (apenas à fotografia, mas não à tela original) a dignidade estética necessária para figurar na capa da biografia.

 

Fotografia tirada por Ney Oscar Ribeiro de Carvalho em 1994, com o quadro baixado da parede e apoiado sobre os assentos de duas cadeiras. Os respingos de tinta branca que apareciam nesta fotografia foram neutralizados por Francisco Souto Neto com recursos digitais, para que a mesma ficasse “limpa” de modo a poder figurar na capa da biografia do visconde de Souto.

Convém registrar ainda a delicadeza da diretora da Beneficência Portuguesa. Ao final da visita, informamos-lhe que seguiríamos para a Floresta da Tijuca, a fim de conhecer e fotografar a Capela Mayrink – pequeno templo erguido em 1850 pelo próprio visconde em sua fazenda, e em seguida iríamos ao Cemitério do Catumbi, onde estão sepultados o visconde e a viscondessa de Souto. Ao ouvir que recorreríamos a um táxi, a Srª Taveira Barbosa advertiu-nos sobre os riscos do trajeto, que atravessava áreas de favela, e prontamente ofereceu o carro institucional, acompanhado de motorista e segurança armado. Surpresos pela advertência e agradecidos pela gentileza, aceitamos o auxílio. Assim, protegidos e serenos, percorremos o caminho até a capela, testemunhando não apenas a obra material de nosso antepassado, mas também a permanência de sua memória na histórica paisagem carioca.

 

A falência da Beneficência Portuguesa... e quanto ao quadro do visconde de Souto?

 

Da longínqua Curitiba, eu acompanhava com inquietação as notícias sobre o destino da Real e Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficência do Rio de Janeiro. O que mais me causava estranheza era a lembrança de minha visita, em 2009, àquela instituição, em companhia de minha prima e coautora. Hoje, já em 2026, ao consultar registros disponíveis na internet, deparo-me com a informação de que “a Beneficência Portuguesa encerrou suas atividades hospitalares e fechou as portas na década de 2000, após longo período de declínio e endividamento; fundada em 1840, teve seu complexo vendido, sendo posteriormente incorporado pela rede privada de hospitais D’Or São Luiz, e o conjunto arquitetônico transformado no hospital Glória D’Or”.

A constatação é pungente: eu e Lúcia Helena estivemos na sede da Beneficência às vésperas de sua falência, sem que disso tivéssemos qualquer consciência. Para nós, aquela venerável instituição seguiria atravessando os séculos, como tantas outras que se perpetuam na memória coletiva. Estávamos, contudo, enganados.

Um parente residente no Rio de Janeiro informou-me, mais tarde, que, com a extinção da Beneficência, os retratos de seus beneméritos — outrora expostos em paredes solenes — dificilmente encontrariam guarida em hospitais privados, o que é compreensível. Essa revelação trouxe à tona reflexões melancólicas: nada, absolutamente nada, parece destinado a existir para sempre. A própria “História Oficial”, com o passar das décadas e dos séculos, vai se dissolvendo no esquecimento. Essa percepção tornou-se ainda mais clara quando escrevemos a biografia Visconde de Souto: Ascensão e ‘Quebra’ no Rio de Janeiro Imperial. Pois até mesmo aqueles que ajudaram a construir a História acabam, paradoxalmente, esquecidos por ela.

A perda institucional se somou a uma intensa dor pessoal. Em abril de 2025, ocorreu o passamento de minha querida prima Lúcia Helena Souto Martini. Juntos havíamos planejado uma nova viagem ao Rio de Janeiro, na esperança de localizar o óleo sobre tela que retrata nosso antepassado. Mas o tempo, implacável, escorreu. E eu, já octogenário e privado da companhia de minha coautora, vi-me emocionalmente fragilizado para prosseguir nessa seara da hereditariedade. Foi então no vazio deixado pela ausência de Lúcia Helena que a própria História pareceu estender-me a mão: um acontecimento imprevisto, surgido no final de 2025, trouxe nova luz ao enigma do suposto desaparecimento do quadro do Visconde.

 

O deputado federal Ricardo Salles, um primo dentre muitos outros

 

Entre os inúmeros descendentes do Visconde de Souto, poucos se detiveram sobre a sua biografia ou sobre os desdobramentos da falência da Beneficência Portuguesa. Raríssimos primos, mesmo os de primeiro grau, demonstraram interesse pelo destino das obras. Contudo, um deles — ainda que mais distante no grau de parentesco — revelou singular preocupação com o retrato do visconde: trata-se do ex-ministro de Estado e atual deputado federal Ricardo Salles, recentemente cogitado para disputar a prefeitura da cidade de São Paulo nas próximas eleições municipais.

O deputado federal Ricardo Salles. Fotografia da internet.

Assim como eu, Ricardo de Aquino Salles descende do Visconde de Souto (1813–1880) pela linhagem de meu bisavô — e seu tetravô — Francisco José Alves Souto (1847–1890). O nosso entrelaçamento familiar, porém, não se limita a essa vertente: ele se duplica e se aprofunda pela ramificação heráldica de meu tetravô, o alferes João da Costa Gomes Leitão (1805–1879), conhecido como “o velho Leitão de Jacareí” e sem ligação de parentesco com o visconde de Souto. Casado com Dª. Diná Maria da Conceição Leitão, sua filha Francisca Gomes da Conceição Leitão uniu-se em matrimônio a Francisco de Salles Oliveira. Dessa união, por duas diferentes vertentes genealógicas, eu e Ricardo Salles nos encontramos ligados em raízes que se entrecruzam e se reforçam, como que tecendo uma rede de parentesco mais densa do que se poderia imaginar. Todas essas conexões encontram respaldo documental nas bases genealógicas da GeneAll de Portugal.

Em sua busca, Ricardo, com residências em São Paulo e Brasília, deslocou-se até ao Rio de Janeiro e dirigiu-se ao Hospital Glória D’Or, onde descobriu que os quadros outrora pertencentes à Beneficência repousavam em depósito, envoltos em plástico-bolha, como relíquias relegadas ao esquecimento. A mim, que em tempos passados contemplara o retrato do visconde em posição solene, ladeado por efígies régias portuguesas, a visão atual evocou um contraste pungente: aquilo que parecia eterno, sustentado pela dignidade da memória, revelava-se agora vulnerável ao desgaste inexorável do tempo. A tela apresentava perfurações, e a moldura, sinais evidentes de degradação.

Foi então que Ricardo Salles, na qualidade de descendente direto do retratado, enviou-me um e-mail que, pela simplicidade, carregava o peso da surpresa e da emoção:

“Caro primo, espero que esta mensagem lhe encontre bem. Escrevo para lhe fazer uma surpresa que acredito vá gostar do que eu consegui encontrar, conforme foto anexa. Um abraço, Ricardo.”

 

O quadro do visconde de Souto localizado no chão, envolto em plástico-bolha. Foto por Ricardo Salles.

Ricardo não se limitou, entretanto, a localizar a obra. Demonstrando zelo pela preservação da memória familiar e pelo patrimônio artístico, às suas próprias expensas encaminhou a tela para os cuidados da empresa Scaglianti e Luchiari Conservação e Restauração de Obras de Arte, na capital paulista. Os restauradores Fábio Luchiari e Júlia Ferigato Leão empreenderam um trabalho minucioso e admirável, devolvendo ao retrato sua dignidade original, como se o Visconde, outrora esquecido em depósito, pudesse novamente erguer-se com a altivez que lhe era própria. Algumas das fotografias de “antes” e “depois”, que exponho logo abaixo, testemunham não apenas a técnica dos restauradores, mas também o triunfo da memória sobre o esquecimento.

 

Antes e depois: a obra (tela e chassis) restaurada

 

Abaixo estão estampadas algumas das fotografias que a empresa Scaglianti e Luchiari enviou para Ricardo Salles das etapas da restauração feita na pintura do retrato do visconde de Souto, do chassis e da moldura da obra. Essas fotos estão com legendas explicativas.





































 

Epílogo

 

(OBS.: Espaço reservado à fotografia)

Ricardo Salles, descendente do visconde de Souto, ao lado da tela de nosso antepassado.


 
Francisco Souto Neto, atualmente um dos mais idosos descendentes do visconde de Souto, comemorando seu 82º aniversário. Foto por Rubens Faria Gonçalves.

Uma homenagem à  minha saudosa prima Lúcia Helena Souto Martini, que tanta falta me faz. Foto por Maria Frazão.


Uma homenagem à  minha muito querida e saudosa prima Lúcia Helena Souto Martini, sem cujo apoio os registros sobre nosso trisavô visconde de Souto continuariam perdidos no esquecimento. Foto por Francisco Souto Neto. 

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