Visconde
de Souto retratado em óleo sobre tela por Augusto Rodrigues Duarte em 1879. Acervo da
Beneficência Portuguesa, Rio de Janeiro, até 2025. Atualmente acervo de Ricardo
Salles. Fotografia de Ney O. R. Carvalho.
Comendador Francisco Souto Neto em 2026.
NO SÉCULO XXI O
DESTINO DA FAMOSA TELA DO
VISCONDE DE SOUTO
por Francisco Souto Neto
===ooOoo===
Preâmbulo
Antes de tratar sobre o paradeiro do famoso retrato
em óleo sobre tela do visconde de Souto, de 1879, parece-me oportuno
referir-me, em breve síntese, à importância de meu trisavô como uma das mais
influentes personalidades do Segundo Reinado no Brasil, um dos sustentáculos da
economia e do desenvolvimento do nosso país ao período do imperador Dom Pedro
II.
Logo abaixo, o texto constante da 4ª capa ou
contracapa do livro Visconde de Souto: Ascensão e “Quebra” no Rio de
Janeiro Imperial, da autoria de Francisco Souto Neto e Lúcia Helena
Souto Martini, Editora Prismas, 2017:
Quarta capa, lombada, capa e orelha.
Os autores Francisco Souto Neto e Lúcia Helena
Souto Martini fotografados em 2016.
“António José Alves Souto nasceu
a 28 de março de 1813 na cidade do Porto, Portugal. Veio para o Brasil aos 15
anos e na capital imperial, Rio de Janeiro, tornou-se o primeiro banqueiro
particular do país. Sua casa bancária, conhecida como Casa Souto, rivalizava em
carteira de depósitos com o Banco do Brasil. Vizinho da Quinta Imperial da Boa
Vista, tornou-se amigo do Imperador D. Pedro II. ‘Honrado com a confiança do
Imperador, recebi-o em sua casa e toda família imperial com a maior singeleza,
sem o espalhafato ridículo dos
preparativos burgueses em tais ocasiões’ (Bessa e Meneses, jornal Commercio de Lisboa, 28 de fevereiro de 1880). Por volta de 1850 criou
um jardim zoológico em sua chácara, o primeiro do Brasil, importando animais de
três continentes. Foi a primeira vez que os brasileiros puderem ver elefantes,
leões e ursos.
O visconde de Souto foi fundador
da Junta dos Corretores que se transformou na Bolsa de Valores do Rio de
Janeiro, fez parte da primeira diretoria da Caixa Econômica e presidiu a
Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro. Pelo casamento dos filhos
aparentou-se com o conde de Ipanema, marquês de Olinda, visconde de
Pirassununga e com o ministro de Estado Eusébio de Queirós. Tornou-se o
banqueiro oficial da Casa Imperial do Brasil. Abolicionista, comprava escravos
para alforriá-los. Sustentou creches, amparou crianças órfãs e assegurou-lhes a
educação. Desenvolveu muitas obras para o progresso do país e associou-se ao
barão de Mauá em algumas delas.
No dia 10 de setembro de 1864
ocorreu o inesperado: a Casa Souto quebrou. Essa falência arrastou num
turbilhão alguns bancos, cerca de cem empresas no Brasil e duas em Portugal,
abalou o país e foi noticiada até nos confins do mundo então conhecido, como na
Nova Zelândia e no novíssimo continente da Austrália. ‘Supor naquele tempo que
o Souto quebrasse era o mesmo que acreditar na quebra do Pão de Açúcar’,
segundo Arthur Azevedo e Raimundo Magalhães Júnior em Contos Ligeiros.
Machado de Assis teve uma certa
fixação no poderoso banqueiro e o mencionou várias vezes em livros e artigos em
jornais, como em Quincas Borba: ‘Pode cair, tudo pode cair. Eu vi cair o
banqueiro Souto, em 1864’. Contam Benedito Ribeiro e Mário Mazzel Guimarães em História dos bancos e do desenvolvimento financeiro
do Brasil: ‘...até os papagaios repetiam nas varandas e cozinhas das casas-grandes:
‘O Souto quebrou! O Souto quebrou!’.
Inocentado da quebra de sua
própria casa bancária, o visconde de Souto morreu em 1880 respeitado e
reverenciado, tal como revelam centenas de autores constantes da bibliografia
desta obra que soma 620 livros pesquisados.
Esse livro contém um apêndice
que relata a degradação do setor histórico do Cemitério do Catumbi, onde estão
inumados o visconde e a viscondessa de Souto, dentre outros grandes nomes da História
do Brasil”.
Como
descobri a existência do grande retrato em óleo sobre tela do visconde de Souto
Na infância e juventude, em tempos muito anteriores
à internet, o conhecimento se escondia nas páginas pesadas das enciclopédias —
Delta Larousse, Barsa, Mirador — verdadeiros monumentos de papel que se
alinhavam em estantes imponentes. Cada coleção reunia cerca de quinze a vinte
volumes, abrangendo todas as áreas do saber em ordem alfabética, como se fosse
um mapa do mundo impresso. Com o passar dos anos, porém, tornavam-se estáticas,
envelhecidas diante da velocidade da História, e precisavam ser atualizadas por
suplementos anuais. Eram obras caras, quase luxuosas, acessíveis apenas às
famílias mais abastadas. Para a maioria das pessoas, restava o caminho das
bibliotecas públicas, onde o saber se oferecia como um tesouro coletivo.
Pouco sabíamos, então, sobre a vida de meu trisavô,
o visconde de Souto. Foi apenas ao início da década de 1990 que eu e minha
prima Lúcia Helena Souto Martini começamos a descobrir, já com o auxílio da
nascente internet, que sua trajetória havia sido de grande relevância para a
História do Brasil. Movidos pelo desejo de aprofundar esse legado, começamos a
busca, através da Estante Virtual, de livros que se referissem ao nosso ancestral,
e foi assim que comprei “Bolsa de Valores do Rio de
Janeiro 150 anos: a história de um mercado”, da autoria de Ney Oscar Ribeiro
de Carvalho.
Capa do livro “Bolsa de Valores do Rio de
Janeiro 150 anos: a história de um mercado”. Fotografia por Francisco Souto
Neto.
Foi na página 54 desse volume que, pela primeira
vez, meus olhos se encontraram com o célebre retrato do visconde de Souto —
imagem que, mais do que uma representação, parecia abrir uma janela para o
passado e revelar a presença viva de um antepassado que ajudou a construir uma
instituição fundamental para o país, a Junta dos Corretores do Rio de Janeiro, atual
Bolsa de Valores, da qual foi seu primeiro diretor.
O livro sobre a Bolsa de Valores com as dimensões
de 23 por 29 centímetros tem, portanto, o formato horizontal.
O livro aberto nas páginas 54 e 55. Meu dedo
apontando ao retrato de visconde de Souto serve para comparar com as dimensões
do livro.
A página 54.
A página 55.
Na página 55, o detalhe da gravura que
mostra o jardim zoológico do visconde de Souto, o primeiro do Brasil.
Meu
primeiro encontro com a pintura do visconde de Souto
Durante longos anos, eu e minha prima Lúcia Helena
nos dedicamos à investigação da vida e dos feitos de nosso trisavô, o visconde
de Souto. A primeira viagem conjunta que fizemos ao Rio de Janeiro marcou um
ponto alto dessa busca: havíamos agendado uma visita à presidência da Real e
Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficência do Rio de Janeiro – ou,
simplesmente, Beneficência Portuguesa. A instituição hospitalar, fundada em
1840, foi instalada em um majestoso edifício neoclássico, cuja imponência
arquitetônica evoca a solidez das instituições oitocentistas. Ao fundo do
terreno erguia-se o anexo moderno que abrigava o célebre hospital da entidade,
testemunho da continuidade histórica entre tradição e progresso.
Eis os dois prédios administrativos "quase" gêmeos da Beneficência Portuguesa. O prédio moderno, de 7 ou 8 andares que se vê ao fundo, com listras horizontais azuis, é o hospital propriamente dito. Fotografia da internet.
Os riquíssimos portões artísticos com gradil de ferro forjado da Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro com pixações nas colunas de granito. Fotografia por Francisco Souto Neto em 2009.
Depois do riquíssimo portão, já dentro da
propriedade da Beneficência Portuguesa, a dupla escada curva que leva aos dois
prédios administrativos. Fotografia da internet por Antônio J. Caldas.
As estátuas na base da dupla escada de
acesso aos prédios administrativos. Fotografia da internet por Paulo Sérgio
Villasanti
Francisco Souto Neto fotografa os bustos, no parapeito, de costas para os dois prédios "quase" gêmeos clássicos, da administração da Beneficência Portuguesa. Vê-se aqui a escada curva e, à esquerda, os magníficos portões de ferro forjado de entrada à propriedade.
O que impressiona nesta foto de 2009 é que os bustos do parapeito parecem observar o avanço da favela ao fundo. Fotografia por Francisco Souto Neto.
Francisco Souto Neto e Lúcia Helena Souto Martini à entrada do pavilhão mandado construir pelo visconde de Souto, quando foi presidente da Beneficência Portuguesa, para abrigar vítimas das epidemias que ocorriam na capital imperial do Brasil. Fotografia por Isaura Taveira Barbosa.
Recebidos pela distinta diretora, Srª Isaura
Taveira Barbosa, fomos conduzidos ao salão nobre da presidência. Ao transpormos
a porta francesa, debruada em madeira trabalhada, deparamo-nos com a visão que
justificava nossa peregrinação: o monumental retrato de nosso antepassado. A
tela dominava a parede principal da sala retangular, ladeada por representações
régias de dois monarcas portugueses, compondo um cenário que unia genealogia
familiar e memória nacional. Logo abaixo, uma placa de bronze registrava a
visita do presidente Emílio Garrastazu Médici em 1972 àquele lugar, curiosa justaposição de
temporalidades que fazia dialogar o Brasil da ditadura militar com o Rio de
Janeiro imperial.

Lúcia Helena Souto Martini e Francisco
Souto Neto no salão nobre da presidência da Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro,
onde o retrato do presidente da instituição, visconde de Souto, ocupava com
destaque a parede central. A pintura em óleo sobre tela é de A. R. Duarte, de
1879. Fotografia por Sílvia Maria Pinheiro Grumbach.
Numa das paredes laterais do salão nobre
da presidência (aqui do lado esquerdo), o óleo sobre tela de um dos reis de Portugal. Foto por Francisco
Souto Neto.
Lúcia Helena em atividade fotografando o salão nobre da presidência, enquanto a diretora Isaura Taveira Barbosa faz alguma anotação tendo ao fundo (na parede lateral do lado direito) a tela de um dos reis de Portugal. Foto por Francisco Souto Neto.
Lúcia Helena e o quadro do nosso trisavô.
Foto por Francisco Souto Neto.
Sob o quadro do visconde de Souto, uma
placa alusiva à visita do ex-presidente Emílio Garrastazu Médici àquele lugar
no ano de 1972. Foto por Francisco Souto Neto.
O óleo sobre tela, assinado por Augusto Rodrigues
Duarte em 1879, um ano antes do falecimento do visconde, guarda a aura de
autenticidade: é plausível que o retratado tenha contemplado a obra concluída,
seja como modelo presencial, seja por intermédio de uma fotografia. Observamos,
contudo, que o quadro sofrera agressões do tempo e da negligência: respingos de
tinta branca, fruto de reformas posteriores nas paredes e teto daquele salão,
maculavam a superfície da tela, indício de que não fora retirada nem protegida
durante a pintura daquele ambiente.
A altura do pé-direito impedia-nos de obter
fotografias frontais adequadas. A remoção da tela, de dimensões e peso
consideráveis, exigiria esforço físico de dois homens robustos. Felizmente, o
escritor Ney Oscar Ribeiro de Carvalho – autor da obra sobre a história da
Bolsa de Valores do Rio de Janeiro – já se incumbira da tarefa de baixar o
quadro, apoiando-o em cadeiras para fotografá-lo sem distorções. Foi graças a
essa imagem que pude, posteriormente, aplicar recursos de digitalização e
eliminar tecnologicamente as manchas, restituindo à fotografia (apenas à
fotografia, mas não à tela original) a dignidade estética necessária para
figurar na capa da biografia.

Fotografia tirada por Ney Oscar Ribeiro
de Carvalho em 1994, com o quadro baixado da parede e apoiado sobre os assentos de duas
cadeiras. Os respingos de tinta branca que apareciam nesta fotografia foram
neutralizados por Francisco Souto Neto com recursos digitais, para que a mesma
ficasse “limpa” de modo a poder figurar na capa da biografia do visconde de
Souto.
Convém registrar ainda a delicadeza da diretora da
Beneficência Portuguesa. Ao final da visita, informamos-lhe que seguiríamos
para a Floresta da Tijuca, a fim de conhecer e fotografar a Capela Mayrink –
pequeno templo erguido em 1850 pelo próprio visconde em sua fazenda, e em seguida iríamos ao Cemitério do Catumbi, onde estão sepultados o visconde e a viscondessa de Souto. Ao ouvir
que recorreríamos a um táxi, a Srª Taveira Barbosa advertiu-nos sobre os riscos
do trajeto, que atravessava áreas de favela, e prontamente ofereceu o carro
institucional, acompanhado de motorista e segurança armado. Surpresos pela
advertência e agradecidos pela gentileza, aceitamos o auxílio. Assim,
protegidos e serenos, percorremos o caminho até a capela, testemunhando não
apenas a obra material de nosso antepassado, mas também a permanência de sua
memória na histórica paisagem carioca.
A falência da Beneficência Portuguesa... e quanto ao quadro do visconde
de Souto?
Da longínqua Curitiba, eu acompanhava com inquietação as notícias sobre o
destino da Real e Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficência do Rio de
Janeiro. O que mais me causava estranheza era a lembrança de minha visita, em
2009, àquela instituição, em companhia de minha prima e coautora. Hoje, já em
2026, ao consultar registros disponíveis na internet, deparo-me com a
informação de que “a Beneficência Portuguesa encerrou suas atividades
hospitalares e fechou as portas na década de 2000, após longo período de
declínio e endividamento; fundada em 1840, teve seu complexo vendido, sendo
posteriormente incorporado pela rede privada de hospitais D’Or São Luiz, e o
conjunto arquitetônico transformado no hospital Glória D’Or”.
A constatação é pungente: eu e Lúcia Helena estivemos na sede da
Beneficência às vésperas de sua falência, sem que disso tivéssemos qualquer
consciência. Para nós, aquela venerável instituição seguiria atravessando os
séculos, como tantas outras que se perpetuam na memória coletiva. Estávamos,
contudo, enganados.
Um parente residente no Rio de Janeiro informou-me, mais tarde, que, com
a extinção da Beneficência, os retratos de seus beneméritos — outrora expostos
em paredes solenes — dificilmente encontrariam guarida em hospitais privados, o
que é compreensível. Essa revelação trouxe à tona reflexões melancólicas: nada,
absolutamente nada, parece destinado a existir para sempre. A própria “História
Oficial”, com o passar das décadas e dos séculos, vai se dissolvendo no
esquecimento. Essa percepção tornou-se ainda mais clara quando escrevemos a
biografia Visconde de Souto: Ascensão e ‘Quebra’ no Rio de Janeiro Imperial.
Pois até mesmo aqueles que ajudaram a construir a História acabam,
paradoxalmente, esquecidos por ela.
A perda institucional se somou a uma intensa dor pessoal. Em abril de
2025, ocorreu o passamento de minha querida prima Lúcia Helena Souto Martini.
Juntos havíamos planejado uma nova viagem ao Rio de Janeiro, na esperança de
localizar o óleo sobre tela que retrata nosso antepassado. Mas o tempo,
implacável, escorreu. E eu, já octogenário e privado da companhia de minha
coautora, vi-me emocionalmente fragilizado para prosseguir nessa seara da
hereditariedade. Foi então no vazio deixado pela ausência de Lúcia Helena que a
própria História pareceu estender-me a mão: um acontecimento imprevisto,
surgido no final de 2025, trouxe nova luz ao enigma do suposto desaparecimento do quadro do Visconde.
O deputado federal Ricardo Salles, um primo dentre muitos outros
Entre os inúmeros descendentes do Visconde de Souto, poucos se detiveram
sobre a sua biografia ou sobre os desdobramentos da falência da Beneficência
Portuguesa. Raríssimos primos, mesmo os de primeiro grau, demonstraram
interesse pelo destino das obras. Contudo, um deles — ainda que mais distante
no grau de parentesco — revelou singular preocupação com o retrato do visconde:
trata-se do ex-ministro de Estado e atual deputado federal Ricardo Salles,
recentemente cogitado para disputar a prefeitura da cidade de São Paulo nas
próximas eleições municipais.

Assim como eu, Ricardo de Aquino Salles descende do Visconde de Souto
(1813–1880) pela linhagem de meu bisavô — e seu tetravô — Francisco José Alves
Souto (1847–1890). O nosso entrelaçamento familiar, porém, não se limita a essa
vertente: ele se duplica e se aprofunda pela ramificação heráldica de meu
tetravô, o alferes João da Costa Gomes Leitão (1805–1879), conhecido como “o
velho Leitão de Jacareí” e sem ligação de parentesco com o visconde de Souto.
Casado com Dª. Diná Maria da Conceição Leitão, sua filha Francisca Gomes da
Conceição Leitão uniu-se em matrimônio a Francisco de Salles Oliveira. Dessa
união, por duas diferentes vertentes genealógicas, eu e Ricardo Salles nos
encontramos ligados em raízes que se entrecruzam e se reforçam, como que
tecendo uma rede de parentesco mais densa do que se poderia imaginar. Todas
essas conexões encontram respaldo documental nas bases genealógicas da GeneAll
de Portugal.
Em sua busca, Ricardo, com residências
em São Paulo e Brasília, deslocou-se até ao Rio de Janeiro e dirigiu-se ao Hospital
Glória D’Or, onde descobriu que os quadros outrora pertencentes à Beneficência
repousavam em depósito, envoltos em plástico-bolha, como relíquias relegadas ao
esquecimento. A mim, que em tempos passados contemplara o retrato do visconde
em posição solene, ladeado por efígies régias portuguesas, a visão atual evocou
um contraste pungente: aquilo que parecia eterno, sustentado pela dignidade da
memória, revelava-se agora vulnerável ao desgaste inexorável do tempo. A tela
apresentava perfurações, e a moldura, sinais evidentes de degradação.
Foi então que Ricardo Salles, na qualidade de descendente direto
do retratado, enviou-me um e-mail que, pela simplicidade, carregava o peso da
surpresa e da emoção:
“Caro primo, espero que esta mensagem lhe encontre bem. Escrevo para
lhe fazer uma surpresa que acredito vá gostar do que eu consegui encontrar,
conforme foto anexa. Um abraço, Ricardo.”
O quadro do visconde de Souto localizado no
chão, envolto em plástico-bolha. Foto por Ricardo Salles.
Ricardo não se limitou, entretanto, a
localizar a obra. Demonstrando zelo pela preservação da memória familiar e pelo
patrimônio artístico, às suas próprias expensas encaminhou a tela para os
cuidados da empresa Scaglianti e Luchiari Conservação e Restauração de Obras de
Arte, na capital paulista. Os restauradores Fábio Luchiari e Júlia Ferigato
Leão empreenderam um trabalho minucioso e admirável, devolvendo ao retrato sua
dignidade original, como se o Visconde, outrora esquecido em depósito, pudesse
novamente erguer-se com a altivez que lhe era própria. Algumas das fotografias
de “antes” e “depois”, que exponho logo abaixo, testemunham não apenas a
técnica dos restauradores, mas também o triunfo da memória sobre o
esquecimento.
Antes
e depois: a obra (tela e chassis) restaurada
Abaixo estão estampadas algumas das fotografias que
a empresa Scaglianti e Luchiari enviou para Ricardo Salles das etapas da
restauração feita na pintura do retrato do visconde de Souto, do chassis e da
moldura da obra. Essas fotos estão com legendas explicativas.
Epílogo
(OBS.: Espaço reservado à fotografia)
Ricardo Salles, descendente do visconde
de Souto, ao lado da tela de nosso antepassado.
Francisco Souto Neto, atualmente um dos
mais idosos descendentes do visconde de Souto, comemorando seu 82º aniversário. Foto por Rubens Faria Gonçalves.
Uma homenagem à minha saudosa prima Lúcia Helena Souto Martini, que tanta falta me faz. Foto por Maria Frazão.
Uma homenagem à minha muito querida e saudosa prima Lúcia Helena Souto Martini, sem cujo apoio os registros sobre nosso trisavô visconde de Souto continuariam perdidos no esquecimento. Foto por Francisco Souto Neto.
===ooOoo===