quinta-feira, 9 de junho de 2016

PARIS NA SINGELEZA DE UM DIÁRIO DE VIAGEM por FRANCISCO SOUTO NETO para o PORTAL IZA ZILLI.

PORTAL IZA ZILLI

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Teto da Santa Capela em Paris.


Iza Zilli


Comendador Francisco Souto Neto

Paris na singeleza de um diário de viagem

Francisco Souto Neto

Quando eu viajo ao Exterior, tenho o hábito de escrever um diário. Faço um registro singelo e despretensioso das minhas andanças pelas ruas das cidades que visito. Jamais pensei em mostrar para amigos, muito menos publicar. Entretanto agora, ao reler as minhas próprias palavras, mudei de ideia por acreditar que poderá ser uma divertida leitura para quem se interessar, além de constituir um roteiro de sugestões turísticas. São impressões da última viagem que fiz a Paris. Estava na companhia do meu amigo Rubens Faria Gonçalves, quando lá permanecemos durante sete dias e oito noites. Meu relato abaixo, que vai entre aspas, feito num dos dias da nossa estada na Cidade Luz, serve para evidenciar que se trata da transcrição dos meus próprios escritos feitos há quinze anos... mas que continuam impressionantemente atuais.

As lojas dos antiquários, o parque de diversões das Tulherias, o senhor idoso de patinete e a Rue St. Denis noturna

“Foram muitos os passeios que até agora fizemos por Paris, vendo coisas novas e revendo outras. Não vou me deter nos detalhes, exceto que fomos conhecer o ‘Louvre des Antiquaires’, que consiste num quarteirão inteiro ao lado do Museu do Louvre inteiramente tomado por lojas de antiquários, cujos acervos são compostos por tesouros da arte mundial vendidos a preços inimagináveis.


FOTO 1 – O Louvre des Antiquaires

FOTO 2 – Atena Gallery, uma das lojas do Louvre des Antiquaires.

Fomos também ao Museu do Louvre, não ao museu propriamente dito – pois já o conhecemos no passado – mas entramos pela Grande Pirâmide, fomos ver as lojas e livrarias do subsolo e andamos entre as fundações medievais até sairmos pelo Arco do Carrossel, tendo passado pela Pirâmide Invertida que eu ainda não conhecia. Toda aquela área estava em escavações na primeira metade da década de 90.

FOTO 3 – A Pirâmide Invertida.

FOTO 4 – Francisco Souto Neto na Pirâmide Invertida do Louvre.

FOTO 5 – Rubens Faria Gonçalves nos subterrâneos das fundações medievais do Museu do Louvre.

O Jardim das Tulherias, na margem oposta ao Sena, está todo tomado por um parque de diversões, um dos mais ricos que já vi em toda a vida, excetuado, é claro, o Tívoli de Copenhague, que é hors-concours. Havia no parque duas ‘casas malucas’ [nas quais o Rubens queria entrar e eu me recusei por medo de levar tombos muito perigosos], além de outros brinquedos, comilanças incríveis, duas imensas rodas-gigantes e um estranho equipamento redondo, uma esfera metálica, para ejeção de pessoas em apenas quatro segundos a 60 metros de altura. As pessoas, de duas em duas, vão e voltam várias vezes, como se fosse numa espécie de “bungee jumping”, soltando gritos de terror.

Numa das noites, ao passarmos por uma rua paralela à du Rivoli, atrás do Louvre, vimos uma área que durante o dia serve de estacionamento de automóveis, e à noite é ocupada por patinadores. Ficam ali os jovens e os não tão jovens patinando ou sobre patinetes. Vimos um senhor de cabelos brancos e roupa tradicional que brincava animadamente com seu patinete. Ele ia, voltava, fazia as curvas em grande velocidade e nós comentamos que no Brasil um idoso brincando com patinete certamente seria discriminado por preconceito. Nem posso dizer que ele era ‘aceito’ pelos jovens daquele local, porque acho que nem sequer era notado. Andar de patinete é moda aqui em Paris, até entre senhoras e executivos que vão de terno e gravata empurrando o minúsculo veículo com um dos pés. Aí está um dos méritos de Paris: o pensamento evoluído, o respeito à liberdade alheia. Em Curitiba não daria nem para tentar, porque as calçadas são uma vergonha de tão irregulares.

FOTO 6 – No Hôtel Bellevue et Du Chariot D’Or, Rubens Faria Gonçalves no terraço do apartamento do 3º andar, fotografado por Francisco Souto Neto.

FOTO 7 – A Rue du Turbigo vista do terraço do apartamento.

A Rue du Turbigo, onde ficamos hospedados, é paralela à Rue St. Denis, esta última tomada por lojas de pornografia e teatros e cinemas com atividades similares. Ao descobrimos isso, achamos que à noite aquela região poderia ser perigosa, porém depois percebemos que podíamos passar por ali em segurança sempre que íamos para o nosso hotel, o Hôtel Bellevue et Du Chariot D’Or. Paris não chega a parecer ameaçadora à noite”.

Les Ateliers de la Tapisserie Française

“A única compra grande que fiz em toda a viagem foi em Paris. Há anos eu planejava possuir uma tapeçaria que tivesse como motivo o unicórnio, e fiz muitas pesquisas que me levaram ao endereço de Les Ateliers de la Tapisserie Française. Ali as tapeçarias são feitas artesanalmente, do mesmo modo que na Idade Média. A confecção é não-mecânica. De posse do catálogo que recebi ainda no Brasil, escolhi La Licorne Captive (O Unicórnio Aprisionado) e fui à Rue de Chichy disposto a fazer a compra apesar do alto preço, e a enfrentar a alfândega brasileira. Fomos recebidos entusiasticamente pelo Monsieur Wehller, com quem eu já trocara vários e-mails e que estava à minha espera. Adquiri também duas almofadas denominadas ‘Dama ao Órgão’ e ‘Flores de Lis’.”

FOTO 8 – “La Licorne Captive” (“O Unicórnio Capturado”), tapeçaria artesanal feita na técnica medieval “mille fleurs” (“mil flores”).

FOTO 9 – Na porta do terraço de seu apartamento no Hôtel Bellevue et Du Chariot D’Or, Francisco Souto Neto exibe a tapeçaria comprada, “La Licorne Captive”, em foto de Rubens Faria Gonçalves.

O tombo da caixa gordinha

“Descobrimos um Flunch [restaurante popular, ‘self service’, para refeições rápidas] em Les Halles, onde estivemos várias vezes tomando refeições. Uma das funcionárias do caixa era gordinha, com um jeito divertido porque usava o cabelo ‘corte-de-tigela’ e tinha um rosto com traços galináceos. Numa das vezes em que lá estivemos, vi quando uma freguesa, após pagar à caixa gordinha, derrubou sua bandeja com um estrondo, esparramando a comida pelo chão. Sentimos pena da freguesa. Logo veio um funcionário que limpou o chão, mas acho que o fez precariamente, porque alguns instantes depois, a caixa gorda ficou muito zangada por algum motivo que nós não entendemos, gesticulou muito com o freguês e saiu rapidamente do recinto do caixa. Ao pisar sobre os restos de gordura, escorregou espetacularmente e caiu sentada na gosma. Cinco pessoas ajudaram-na a levantar-se e ela ria alto, esquecida da zanga de alguns segundos antes”.

FOTO 10 – Restaurante “self service” Flunch, para refeições rápidas e de excelente qualidade.

A feira da Rive Droîte

“Um dos passeios que fizemos hoje merece destaque, que foi andar ao léu pela Rive Droît [margem direita do Sena] – uma experiência interessante. Ao longo de uns quarteirões estende-se o mercado de flores, belas e estranhas, e de... animais! A parte dos animais é tão variada que o visitante se esquece das horas. Descobrimos ali filhotes à venda dos cães com-cara-de-gente. Anoitei seus nomes: chamam-se ‘bouledogues françaises’. Há outros da raça ‘bulldog anglais’. Vendem também gatos, aves de variadas procedências, galinhas de diversos tipos e outros animais bem estranhos para nós”.


FOTO 11 – Mercado de aves na Rive Droît (margem direita).

A Catedral de Notre-Dame

“Esquecia-me de anotar que noutro dia, quando fomos à Catedral de Notre-Dame, desistimos porque a fila para entrar atravessava a praça. Ao retornarmos ontem, a fila era ainda maior. Sem outra alternativa, enfrentamos a fila. Quando finalmente entramos no templo (onde já estive outras vezes, quando não havia fila para entrar), ficamos impressionados com a multidão que lá estava. Uma enchente humana! U’a massa compacta que se movia sempre numa mesma direção, mas lentamente, cabeças voltadas para cima, exclamando muitos ‘oh!’. Era tanta gente que não dava para apreciar com calma a magnífica construção, seus vitrais e as obras de arte. Ao nosso lado, uma visitante chorava copiosamente e ao mesmo tempo sorria extasiada olhando a igreja. Visitar Notre-Dame de Paris talvez fosse dela um antigo sonho?! Quando as vozes dos visitantes ficavam altas demais, pelos alto-falantes ouvia-se: ‘Psiuuuuuu! Silence, s’il vous plaît’. As vozes baixavam instantaneamente por uns momentos, mas logo o burburinho ia aumentando, e os alto-falantes voltavam a impor o silêncio: ‘Psiuuuuuuu!’. Com tanta gente no interior da igreja, olhando e apontando para todos os lados, esvai-se qualquer sensação de solenidade e de religiosidade”.


FOTO 12 – Fila para entrar na Catedral de Notre-Dame de Paris.

A Santa Capela

“A Santa Capela é mais agradável de visitar, talvez porque o alto preço do ingresso desanime as multidões de turistas. Eu já conhecia a Santa Capela, mas o Rubens não, embora ela fique no meio da sinistra Conciergerie, que ambos já visitamos em anos anteriores, ocasião em que conhecemos a cela onde esteve presa Maria Antonieta até ser levada à guilhotina.

Etérea e quase mágica, a Saint-Chapelle é considerada uma das obras-primas arquitetônicas do mundo. Suas paredes são formadas por 15 esplêndidos vitrais separados por colunas muito estreitas. Ela foi construída em 1248 pelo rei Louis IX para abrigar a coroa de espinhos e outras relíquias de Cristo, daí o seu nome: Santa Capela. O preço que ele pagou por essas relíquias foi quase três vezes mais do que lhe custou a construção da Santa Capela. Tão devoto foi o rei Louis IX que a Igreja o canonizou e hoje é conhecido como São Luís. A entrada ao templo se faz por uma capela inferior, também bonita, na qual ficavam os servos e as pessoas comuns, enquanto a maravilhosa capela superior com seus admiráveis vitrais era reservada unicamente ao rei e à família real. Hoje, felizmente, nós (que seríamos a ralé) podemos entrar. Ficamos ali sentados durante bastante tempo, admirando toda aquela beleza. Sempre que vemos coisas interessantíssimas como a Torre Eifell, a Catedral de Notre-Dame ou alguma pintura ou escultora muito famosa, dizemos por brincadeira um ao outro: ‘Mas o que significa isto? Pra que serve?’... e caímos na risada. No interior da Santa Capela foi o Rubens quem tomou a iniciativa da brincadeira: olhou para mim, apontou aos vitrais e indagou: ‘Mas o que significa isso aí?’. Antes que eu, correspondendo à brincadeira, lhe respondesse outra bobagem ainda maior, a moça que estava ao nosso lado perguntou-nos: ‘Ah, são brasileiros?’. Levamos um susto. Acho que ao mesmo tempo a moça pensou algo como: ‘...que brasileiros ignorantes!’.”

FOTO 13 – Aspecto exterior da Santa Capela.


FOTO 14 – As paredes da Santa Capela formadas quase que unicamente por vitrais.



FOTO 15 – O teto da Santa Capela.

Estar em Paris – a Cidade Luz – é sentir aguçada a joie de vivre. Leva-nos a sentirmo-nos, a um só tempo, a criança que ainda vive em todos nós, e o sábio idoso e culto que todos poderemos vir a ser.

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ADENDO ACRESCENTADO EM 1º.9.2016:

Após alguns anos pendurada numa parede, a tapeçaria "La Licorne Captive" ganhou um lugar especial para ficar exposta permanentemente, na sala da biblioteca da residência de Francisco Souto Neto, num painel móvel sobre a estante de livros. O painel foi executado por Projet Mobile, de Everaldo Muniz Padilha, por indicação da Marcenaria Burbank, de André Luiz Ceccatto, ambos de Curitiba. Abaixo, dois ângulos da tapeçaria sobre o painel em fotos de 2016:


FOTO 16 - Em Curitiba, a tapeçaria que se vê nas fotos 8 e 9 acima, agora sobre o painel executado por Projet Mobile.

FOTO 17 - Sala da biblioteca.


FOTO 18 - Os irmãos da Projet Mobile que realizaram o painel deslizante. À direita, Everaldo Muniz Padilha com seu irmão (à esquerda) Luís Alberto Pereira da Silva.

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sexta-feira, 3 de junho de 2016

TÚNIS E SIDI-BOU-SAID: BELEZAS E ESQUISITICES DA TUNÍSIA pelo Comendador FRANCISCO SOUTO NETO para o PORTAL IZA ZILLI

PORTAL IZA ZILLI

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Mercado em Tunis, capital da Tunísia

Iza Zilli

Comendador Francisco Souto Neto

Túnis e Sidi-Bou-Said:
belezas e esquisitices da Tunísia
Francisco Souto Neto
Quando eu viajo na companhia de outras pessoas, o roteiro é escolhido após muitas reuniões prévias e discussões para chegarmos a um resultado que seja do agrado de ambas as partes. Nada mais justo, já que todas as despesas são divididas. Roteiro, percurso, tipo de transporte, hotéis escolhidos... tudo é resultado de semanas e até meses para chegarmos a um denominador comum.

FOTO 1 – Túnis, capital da Tunísia.

Em 2001 fui para o Exterior com o companheiro de várias viagens, Rubens Faria Gonçalves.  Resolvemos incluir em nosso roteiro um cruzeiro de sete dias através de portos do Mar Mediterrâneo. Dentre os vários percursos, optamos por um que incluísse uma escala em Túnis, capital da Tunísia, um país que se localiza ao norte da África, entre a Argélia e a Líbia, cujo território é tocado pelas areias do Deserto do Sahara. Queríamos conhecer os ares da cidade que surgiu no lugar da poderosa Cartago, aquela que chegou a contar com meio milhão de habitantes e que ao final da terceira guerra púnica, no ano 146 d.C., foi completamente arrasada até aos seus alicerces, e o chão salgado para que ali nada mais crescesse.

No link abaixo, Ella Fitzgerald canta “Night in Tunisia”, criando um clima adequado à viagem:


Nós viajaríamos a bordo do navio italiano Costa Riviera, com início e fim no porto italiano de Savona.

A Tunísia em 2001, quando viajamos, e a Tunísia hoje, em 2016.

Em 2001 Zine El Abidine Ben Ali era o presidente do país, que assumira o poder em 1987 num golpe de Estado. Ele, a esposa e os dois filhos tornaram-se corruptos ao extremo, promovendo escândalos até internacionais. Seu governo não admitia organizações de direitos humanos e não havia liberdade de expressão. Tudo começou a mudar em 2010 com a Revolução de Jasmim, que levou o presidente corrupto a renunciar em 2011. Assumiu a presidência Moncef Marzouki, que deu início, efetivamente, a uma democratização no país que conta, ainda, com resistência dos extremistas e fanáticos religiosos, mas a Tunísia está rumando à modernidade.

É preciso observar que o meu relato, abaixo, ocorreu no tempo do governo repressor e corrupto de Ben Ali.

O complicado visto para entrar na Tunísia

Ainda no Brasil, quando faltavam apenas quatro dias para o nosso embarque à Europa, recebi o nervoso telefonema da nossa agente de turismo Marlene Kroeker, informando-me do surgimento de um problema envolvendo a Tunísia. Até então, passageiros de navios de cruzeiro não precisavam de visto para entrar naquele país, mas ela acabara de receber uma informação das Líneas C de que, doravante, todo passageiro precisaria ter visto de entrada em seu passaporte. Como a Tunísia não tinha consulado nem em Curitiba, nem São Paulo, nossos passaportes teriam que ser enviados a Brasília. Aconselhei-me com Rubens e ponderamos que seria muito arriscado mandarmos os passaportes a Brasília sem a certeza de recebê-los de volta a tempo, em apenas quatro dias. Afinal, sem eles nós nem poderíamos sair do Brasil. Decidimos então que não desceríamos no porto de Túnis, permanecendo a bordo durante aquela escala. Marlene argumentou que aquilo não seria possível e explicou-nos: “Sem o visto de entrada na Tunísia, os passageiros nem sequer poderão embarcar em Savona”. Resolvemos cancelar o cruzeiro, mas a agente de viagens argumentou que um cancelamento em tão curto espaço de tempo – apenas quatro dias – nos seria enormemente oneroso. Como consequência e com a providencial intercessão de Marlene Kroeker, decidimos enviar por seu intermédio os passaportes para Brasília através de um serviço especial e de emergência, e rezar para que os mesmos nos fossem devolvidos a tempo do nosso embarque em Curitiba. É claro que nós também telefonamos à Embaixada da Tunísia, e felizmente tivemos da atenciosa assessora do embaixador a certeza de que, se os nossos passaportes chegassem às suas mãos no dia seguinte, ela pegaria os vistos imediatamente porque, por sorte, o embaixador não tinha viagens agendadas, e na manhã do quarto dia os passaportes estariam de volta às nossas mãos... e assim aconteceu. Foram, entretanto, quatro dias de estresse. A informação que recebi a respeito do motivo do incidente, foi a de que aquela inesperada exigência da Tunísia ocorreu devido a um problema diplomático surgido entre aquele país islâmico e a Itália. Seja como for, a verdade é que a qualquer época viagens a países muçulmanos podem causar muito estresse ao turista ocidental.

Esquisitices de Túnis e as fotos proibidas

Antes do desembarque tivemos um encontro com as autoridades tunisianas que subiram a bordo. Todos os passageiros passaram por uma rápida entrevista. Quando chegou minha vez e perguntaram minha profissão, respondi: “advogado e jornalista”. O entrevistador levantou as duas sobrancelhas e começou a fazer extensas perguntas: para quais jornais e revistas eu escrevia, sobre o que escrevia, há quanto tempo o fazia, se escrevia durante a viagem... e assim prosseguimos por um tempo bem longo. Tive a impressão de que eles temiam os jornalistas estrangeiros e que nos tomavam como uma ameaça.

Desembarcamos. Ao lado do navio, um ônibus que “falava” em espanhol estava à nossa espera. Embarcamos no veículo e fomos levados por uns 10 quilômetros até à medina, isto é, ao centro histórico da capital. A paisagem era feia, arenosa e seca, típica das regiões desérticas, o solo cheio de pedrinhas e a cidade não era limpa. O trânsito infernal foi por mim filmado (o link do filme será encontrado ao final deste artigo), o que fiz para que não nos esquecêssemos do congestionamento e dos gestos raivosos do motorista do nosso ônibus, espremido sob um viaduto, entre carros que se desviavam em todas as direções. Chegamos incólumes ao destino, a Praça Kasbah, e desembarcamos perto de uma das portas de acesso ao grande mercado coberto, ao lado do palácio presidencial e do primeiro-ministro. Foi ali que vimos o único jardim – e bem pequeno – no país. Nosso guia advertiu a todos que era proibido fotografar para o lado dos dois palácios. Olhamos ao redor e vimos muitos guardas portando metralhadoras. Naquele momento, de algum modo, lembrei-me da Argentina e do Brasil nos sombrios tempos da ditadura.


FOTO 2 – Praça Kasbach, com os palácios do Presidente da Tunísia e do 1º Ministro. Foto de Kassus na Internet.

FOTO 3 – Guarda da Praça Kasbach. Foto da internet.

FOTO 4 – Embora não fosse permitido fotografar, vários turistas desobedeceram, como a moça à direita, e Souto Neto também rapidamente tirou uma foto de Rubens Faria Gonçalves com um dos palácios ao fundo.

FOTO 5 – Mais uma foto em local proibido: o único jardim florido que Souto Neto e Rubens viram na Tunísia, na Praça Kasbach.

FOTO 6 – Francisco Souto Neto andando pelas ruas de Túnis.

O toalete, o xixi complicado e o buraco negro

A visita ao grande mercado foi fascinante, como costumam ser os bazares dos países árabes, com muita cor, becos esquisitos e lojas estranhas que vendem principalmente badulaques. Numa das lojas fomos avisados pelo nosso guia de que poderíamos usar o toalete. Fui com o Rubens ao local indicado, onde entra um de cada vez. No lugar da porta, encontramos um pano pendurado. Empurrei-o e entrei num cubículo onde havia outro pano igualmente pendurado. Afastei-o e achei uma porta que dava para um buraco negro. Comecei a procurar pelo interruptor, sem sucesso. Ainda bem que o xixi não era muito urgente. O guia, atento a tudo, e talvez temeroso de que eu por engano urinasse na parede, apareceu para me socorrer e acendeu a luz. O toalete era um lugar de pouca higiene, com uma privada muito antiga e uma torneira ao lado, sob a qual havia um balde. Tradicionalmente, em tais países não se usa papel higiênico e, sim, a mão esquerda, que esta é a utilizada para atos “impuros”, tal como dizem eles. A torneira e o balde são para limparem-se ou para lavarem a mão impura... e os que forem destros, que se adaptem por força da lei. O banheiro daquela loja estava fora da lei, pois o balde com água estava à direita, e não à esquerda, de quem se senta à privada. Filmei o ambiente e logo ouvi o Rubens apressar-me do lado de fora. Saí, cedendo-lhe o lugar. Após retornar pelas duas portas de pano, preparei a câmera para filmar o meu amigo quando saísse de lá. Ele, ao sair, apagou a luz num ato mecânico, e então a moça que esperava na fila (pois a mesma privada é utilizada indiferentemente por homem ou mulher) levantou o pano e deu de cara com um buraco negro, o que a paralisou instantaneamente. O Rubens cavalheirescamente retornou e socorreu-a, acendendo a luz. Ouvi dela um “thank you” abafado. E é assim que um simples xixi assume importância em memórias de viagens.


FOTO 7 – Corredores do Grande Bazar.

FOTO 8 – Corredores do Grande Bazar.

FOTO 9 – Corredores do Grande Bazar.

FOTO 10 – Belo detalhe de uma das lojas.

FOTO 11 – Rubens Faria Gonçalves no Grande Bazar de Túnis.

FOTO 12 – Francisco Souto Neto no Grande Bazar de Túnis.

Fomos depois levados a uma loja de tapetes, onde nos ofereceram um gostoso chá de menta enquanto assistíamos à exibição das mercadorias. Isto terminado, convidaram-nos a subirmos ao terraço no terceiro andar para vermos e fotografarmos os bonitos telhados de Túnis.


FOTO 13 – Telhados de Túnis

FOTO 14 – Rubens Faria Gonçalves e os telhados de Túnis.

FOTO 15 – Francisco Souto Neto e os telhados de Túnis.

Voltamos ao ônibus, mas não podíamos partir porque um passageiro – de uma família formada por marido, mulher, filha de uns sete anos e filho de uns quatro – tinha ficado perdido na medina. O guia voltou para tentar localizá-lo enquanto a mulher procurava se controlar, possivelmente para não traumatizar ainda mais a menina que já estava aos prantos. Depois de muito tempo, o guia voltou com o “marido perdido” e quando entraram no ônibus receberam um grande aplauso com gritos de entusiasmo.

Sidi-Bou-Said e uma passageira perdida

Atravessamos a antiga Cartago. Não vimos ruínas propriamente ditas, mas somente algumas pequenas pedras ao rés do chão, em meio à vegetação já esquecida do sal, e cruzamos um bairro elegante, arborizado e com mansões. Ao passarmos em frente à residência do presidente do país, o guia disse que apenas olhássemos, mas era expressamente proibido filmar ou fotografar. Acrescentou que estávamos sendo monitorados e que qualquer infração nos causaria graves problemas. Nosso ônibus passou chispado pela maravilhosa mansão proibida, deixando-me impressionado com o garbo dos dois guardas que vi plantados no portão, com vistosos capacetes que eram, se não me equivoco, engalanados com plumas. Eles ostentavam capas brancas que iam até aos saltos das botas. Parecia coisa de contos-de-fadas, mas aqueles elegantes guardas seguravam metralhadoras.

Chegamos a Sidi-Bou-Said, uma encantadora pequena vila que tem como mais característico o fato de as casas serem todas brancas, mas com portas, janelas e umbrais azuis. Pudemos passear livremente durante 30 minutos, cuidando para não nos atrasarmos. Mas alguém se atrasou: uma senhora que alguns, o Rubens inclusive, viram tomando café num dos bares. Rubens observara que ela olhava para dentro do bar e não para fora. Todos aguardávamos nervosamente dentro do ônibus, porém aquela senhora não foi encontrada pelo guia. Fomos embora sem ela. Uma funcionária do navio, que nos acompanhava, ficou em Sidi-Bou-Said para tentar encontra-la, mas nós não soubemos, e nunca saberemos, como terminou o triste episódio.


FOTO 16 – Sidi-Bou-Said com suas paredes brancas e portas e janelas azuis.

FOTO 17 – Sidi-Bou-Said com suas paredes brancas e portas e janelas azuis.

FOTO 18 – Sidi-Bou-Said com suas paredes brancas e portas e janelas azuis.

FOTO 19 – Sidi-Bou-Said com suas paredes brancas e portas e janelas azuis.

FOTO 20 – Sidi-Bou-Said com suas paredes brancas e portas e janelas azuis.

FOTO 21 – Comércio de Sidi-Bou-Said.

FOTO 22 – Comércio de Sidi-Bou-Said.

FOTO 23 – Souto fotografa Rubens em Sidi-Bou-Sai retornando ao ônibus para leva-los de volta ao navio.

O navio deveria zarpar às 18,30h e ao sairmos de Sidi-Bou-Said já eram 18,25h. O ônibus “voou” para o porto, ao qual chegamos às 18,50h. Tomamos rápidos banhos e nos dirigimos atrasados para o restaurante às 19,10h, quando o Costa Riviera já deixava a África no horizonte distante. Pensávamos na passageira que ficou perdida numa vila tunisiana, quando os garções começaram a cantar O Sole Mio! É que aquela era a “noite italiana” a bordo. Todos os passageiros levantaram-se e começaram a brincar de “trenzinho” entre as mesas do restaurante. Para não sermos exceção, entramos também no “trenzinho”. Melhor dizendo, primeiro foi o Rubens. Logo depois, peguei qualquer rabeira. O Sole Mio!

No link abaixo, pode-se assistir ao filme que fizemos na Tunísia, com muitas das cenas que comentei neste artigo:


Only You

Mais tarde, atendendo a convite do capitão, fomos ao coquetel dos “clientes fiéis”. De lá, dirigimo-nos diretamente ao show, aquela noite a encargo de um único artista, Tommy Smiley (faleceu em 2006, cinco anos após minha viagem à Tunísia), vocalista da banda The Platters. Começou cantando Only You com o vozeirão que o tornou famoso. A certa altura do show, desceu do palco e veio diretamente na minha direção na primeira fila. Parecia mostrar-me a mão enquanto cantava. Levei um susto, sem entender, mas em apenas um segundo compreendi que ele esticara a mão para cumprimentar-me. Cumprimentei-o efusivamente. Ele repetiu o cumprimento ao Rubens e a mais uns cinco passageiros, retornando ao palco. Ao final, foi aplaudido em pé por muito tempo.


FOTO 24 – Tommy Smiley, integrante do grupo The Platters.


FOTO 25 – Capa de um dos inúmeros discos de The Platters. Tommy é o último à direita.

Quem desejar ouvir o artista com o conjunto The Platters cantando Only You, poderá clicar neste link:


Naquela noite descobrimos que, além de nós, havia somente mais três brasileiros a bordo, que depois conhecemos: era um jovem casal paulista acompanhado da filha de uns sete anos.

Na manhã seguinte chegaríamos a Palermo, na Sicília, onde também contratamos uma excursão com o nome de “Palermo dos Mistérios”. Faríamos uma visita aos mortos de uma catacumba, o que poderá ser encontrado neste link:



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Estou incluindo a música "A Night in Tunisia" na  voz da maravilhosa Ella Fitzgerald, de um disco que tenho desde a década de 60:

sexta-feira, 20 de maio de 2016

"PERA PALAS OTELI EM ISTANBUL, UM DOS MAIS ICÔNICOS HOTÉIS DO MUNDO: SEUS HÓSPEDES, HISTÓRIAS E LENDAS" por FRANCISCO SOUTO NETO para o PORTAL IZA ZILLI.



Pera Palas Oteli (Pera Palace Hotel Jumeirah), “The Pearl of Istanbul”.

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Iza Zilli


Comendador Francisco Souto Neto

PERA PALAS OTELI EM ISTANBUL, 
UM DOS MAIS ICÔNICOS HOTÉIS DO MUNDO: 
SEUS HÓSPEDES, HISTÓRIAS E LENDAS.

Francisco Souto Neto

Istanbul é a maior cidade da Turquia e a quarta maior do mundo em 2016, que se localiza espalhada em dois continentes, Europa e Ásia, esses dois lados unidos por duas imensas pontes construídas sobre o Estreito de Bósforo. Conhecida como “forjadora de civilizações”, é a antiga Bizâncio até ao ano 330 d.C. e Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente até 1453, quando a cidade caiu em poder dos turcos, o acontecimento histórico que marcou o fim da Idade Média. A partir de então, levou o nome de Istanbul, grafada assim mesmo, com um charmoso “n” antes do “b”.

Pera Palas Oteli

Quando estive em Istanbul hospedei-me no legendário Pera Palas Oteli, ou Pera Palas Hotel Jumeirah – “The Pearl of Istanbul – inaugurado no ano de 1892 com a finalidade de entreter os passageiros que chegavam à Turquia pelo trem Orient Express, e se tornou um ponto de encontro elegante para as celebridades do início do século XX.


FOTO 1 – Pera Palas Oteli (Pera Palace Hotel Jumeirah), “The Pearl of Istanbul”.

FOTO 2 – Entrada do Pera Palas iluminada à noite.

O Pera Palas é hoje classificado como um dos hotéis mais icônicos do planeta. Durante cerca de 70 anos foi o mais importante de Istanbul. Alexander Vallaury, um levantino de origem francesa e residente em Istanbul, foi quem projetou o prédio. Na sua arquitetura, ele mesclou o neoclássico com o art-nouveau e estilos orientais, resultando em um edifício que é típico da arquitetura do século XIX. Os interiores do prédio apresentam um estilo mais oriental. De acordo com esta visão eclética, as citadas linhas art-nouveau são observadas em torno do elevador e na seção do café.

Na época desta viagem, eu usava traje safári em países orientais e africanos. Era a moda.


FOTO 3 – A recepção do Pera Palas.

FOTO 4 – Um dos salões.

FOTO 5 – Ao fundo, a porta de entrada.

FOTO 6 – Salão principal e seu teto.

FOTO 7 – O teto do Pera Palas

FOTO 8 – Rubens Faria Gonçalves e Francisco Souto Neto no salão do Pera Palas.

FOTO 9 – Rubens Faria Gonçalves no salão principal do Pera Palas.

FOTO 10 – Francisco Souto Neto e Rubens Faria Gonçalves no salão do Pera Palas.

Uma das suas atrações Pera Palas é o elevador, todo de ferro trabalhado e vazado, que mais se assemelha a um portal das mil-e-uma-noites. Esse elevador foi o primeiro da Turquia movido a eletricidade. O próprio hotel foi também o primeiro prédio de Istanbul, depois dos palácios otomanos, a receber energia elétrica, e o primeiro hotel da Turquia a oferecer água quente nos banheiros para os hóspedes.

FOTO 11 – Francisco Souto Neto saindo do elevador do Pera Palas.

FOTO 12 – O espaço aberto (sem paredes) do poço do elevador.

FOTO 13 – Rubens Faria Gonçalves na escadaria ao redor do poço aberto do elevador do Pera Palas.

FOTO 14 – O elevador do Pera Palas no andar térreo.

FOTO 15 – O elevador do Pera Palas no 2º andar.

FOTO 16 –  Poço do elevador e escada ao seu redor.

Hóspedes famosos

Para mim, entretanto, a curiosidade maior do Pera Palas consiste nas pessoas famosas que lá se hospedaram, cuja relação completa darei ao final deste artigo. Os apartamentos têm placas de bronze nas portas, gravadas com os nomes das celebridades que ali dormiram. É divertido percorrer os corredores, o que fiz com meu companheiro de viagem Rubens Faria Gonçalves, filmando as placas fixadas nas portas dos quartos. Encontramos nomes de Greta Garbo, Ernest Hemingway, Jacqueline Kennedy Onassis, Zsa Zsa Gabor, além de presidentes, príncipes, sultões. Até a espiã Mata Hari hospedou-se ali. O mais famoso apartamento está localizado no corredor dos fundos. Trata-se do Agatha Christie Room, transformado num pequeno museu, onde a conhecida escritora viveu durante alguns meses e ali escreveu um dos seus romances mais famosos: “Assassinato no Orient Express”. Há mais um “quarto-museu” no hotel, que hospedou Ataturk. Estes dois mencionados, os quartos de Agatha Christie e de Ataturk, não recebem hóspedes, ao contrário de todos os demais quartos (“rooms”) do hotel. Eu e meu amigo ficamos hospedados no Trotsky Room (Leon Trotsky foi político, intelectual marxista, escritor e revolucionário bolchevique), um quarto espaçoso e bonito, com vista para a Ponte Gálata, dotado de um banheiro tão antigo, mas muito bem conservado, que parecia não ter sido reformado desde que foi ocupado pelo famoso líder soviético. Eu, particularmente, acharia muito divertido se tivéssemos ficado no quarto de Greta Garbo, ou de Rita Hayworth ou mais ainda de Zsa Zsa Gabor, mas infelizmente estes já estavam ocupados por outros felizes turistas.

No famoso livro As Neves do Kilimanjaro, escrito por Ernest Hemingway (que foi um filme lançado em 1952 com Gregory Peck, Susan Hayward e Ava Gardner, e que teve um “remake” em 2011), o personagem principal, o escritor Harry, permanece no Pera Palas enquanto servia nas forças armadas durante a ocupação aliada de Istanbul na I Guerra Mundial.

Outro livro importante que cita o hotel foi escrito em 1969 por Graham Greene, em que o personagem Henry e sua tia Augusta Bertram hospedam-se no Pera Palas durante sua aventura em Istanbul. 

O mais famoso dos livros vinculados ao hotel é “Assassinato no Oriente Express”, que Agatha Christie escreveu em 1934 enquanto residiu por alguns meses no Pera Palas. Como disse antes, seu quarto é mantido como um memorial à autora... um “mini-museu”.

Há muitas fofocas sobre o que teria acontecido sob os lençóis do Pera Palas, e uma delas é a de que Ataturk, presidente e criador da Turquia moderna, teria tido ali um tórrido romance com Zsa Zsa Gabor.

Liteiras para os hóspedes

Nem todos colocavam os pés no chão nos primeiros anos do Pera Palas, no século XIX, quando ainda não existiam automóveis. O transporte de pessoas fazia-se na “sedan chair”, ou seja, uma liteira, no Oriente designada como palanquim, que é uma cadeira portátil, neste caso coberta e fechada, com porta e janelas envidraçadas, suportadas por duas vigas laterais.

FOTO 17 – Liteira para transporte de hóspedes no século XIX, em exposição no Pera Palas Oteli.

FOTO 18 – Turcos transportando hóspede do Pera Palas em liteira.

FOTO 19 – Desenho de carregadores de liteira transportando cavalheiro em Istanbul.

As elegantes “sedan chairs” do Pera Palas eram carregadas por musculosos funcionários para transportar passageiros que chegavam à estação ferroviária Sirkeci pelo Orient Express. Uma delas está exposta no canto de um dos salões do hotel. Na metade do século XX, carros “último tipo” de propriedade do Pera Palas, faziam as transferências para o aeroporto, pois os hóspedes passaram a preferir as viagens aéreas. Atualmente um Plymouth sedã marrom 1949 fica estacionado na porta do hotel, lembrando os anos dourados.

FOTO 20 – Entrada do Pera Palas com um Plymouth 1949 à porta.

Fizemos muitos passeios por Istanbul, mas o filme que estou anexando a este artigo, com 9 minutos de duração, foi todo feito dentro do Pera Palas, com destaque às placas nas portas dos quartos com os nomes das personalidades muito importantes que ali se hospedaram. Essas cenas internas são meio escuras, porque em 1991 filmava-se com câmeras VHS que não tinham a potência em visibilidade das modernas câmeras digitais. Eis o filme:


Hóspedes notáveis

Esta é a relação das pessoas muito importantes que se hospedaram no Pera Palas Oteli: Rei Edward VIII, Rainha Elizabeth da Áustria, Imperador Franz Joseph, Rei Nicolas de Montenegro, Rei Vittorio Emmanuelle III da Itália, Xá da Pérsia Reza Pahlevi, Rei Ferdinand da Bulgária, Presidente Kemal Ataturk, Leon Trostky, Winston Churchill, Marechal Tito da Iugoslávia, Presidente Valéry Giscard d’Estaing, Greta Garbo, Rita Hayworth, Alfred Hitchcock, Zsa Zsa Gabor, Ernest Hemingway, Agatha Christie, Josephine Baker, Sarah Bernhardt, Jacqueline Kennedy Onassis, Gilbert Bécaud, Julio Iglesias, Mata Hari, Mikis Theodorakis... e outros.

FOTO 21 – Alguns dos hóspedes famosos do Pera Palas.

FOTO 22 – Francisco Souto Neto na porta do quarto que hospedou Leon Trotsky.

FOTO 23 – Francisco Souto Neto no seu quarto, que foi anteriormente ocupado por Trotsky.

Istanbul é uma cidade fascinante, com mesquitas, palácios e com sua poderosa História, que é a própria História do Mundo. Mas isto será assunto para outra ocasião.

FOTO 24 – O Pera Palas Hotel Jumeirah em 2016.


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O autor Francisco Souto Neto em 2024, aos 81 anos de idade.

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