segunda-feira, 27 de novembro de 2017

ACADEMIA DE LETRAS JOSÉ DE ALENCAR - NOVOS MEMBROS EM SEU 78º ANIVERSÁRIO - Por FRANCISCO SOUTO NETO para o PORTAL IZA ZILLI.

Palacete dos Leões, sede da Academia de Letras José de Alencar

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Iza Zilli


Comendador Francisco Souto Neto

Academia de Letras José de Alencar 
Novos membros no seu 78º aniversário

Francisco Souto Neto

Na semana passada, a 24 de novembro de 2017, a Academia de Letras José de Alencar - ALJA comemorou o 78º aniversário de fundação, em sua sede no Palacete dos Leões, em sessão solene que marcou também a posse de novos acadêmicos e a eleição da nova diretoria para o biênio 2018/2019.

O Palacete dos Leões é um dos edifícios históricos mais belos da capital paranaense. Ali funciona o Centro Cultural do BRDE que gentilmente franqueia os seus salões para as reuniões mensais da referida Academia, cuja nova diretoria ficou assim definida:

Anita Zippin (presidenta),
Arioswaldo Trancoso Cruz (vice-presidente),
Francisco Souto Neto (secretário geral),
Rafael Golob (2º secretário),
Vera Rauta (1º tesoureiro),
Josane Cavallin (2º tesoureiro),
João Carlos Bonat (diretor de arte),
Lílian Deise Guinski (diretora de animação),
Luiz Fernando Queiroz (diretor de editoração),
Hamilton Bonat (diretor de assuntos externos),
Tânia Rosa Ferreira Cascaes (diretora sócio-cultural),
João Carlos Cascaes (diretor de comunicação),
Joatan Marcos de Carvalho (1º orador) ,
Alberto Gomes (2º orador).

A mesa de honra compôs-se com as seguintes personalidades:

Anita Zippin (presidenta da ALJA),
Arioswaldo Trancoso Cruz,
Joatan Marcos de Carvalho,
Luiz Fernando Queiroz,
Vânia Maria de Souza Ennes,
Gamaliel Scaff.

Os novos acadêmicos que assumiram na qualidade de sócios efetivos foram:

Mustafá Ibn Ali Kanso (in memoriam),
Alberto Velloso Machado,
Josane Andreatta Cavallin,
Keetrin de Oliveira Silva,
Rafael Golob,
Valter Cardoso.

Também tomaram posse os seguintes associados correspondentes:

Douglas George de Souza Gomes (de Brasília),
Jadson Luís Rebelo Porto (do Amapá),
Marco Antônio Alzamora Gonçalves (de Israel),
Edweine Loureiro (Japão).

Foram outorgados certificados de Amigo da Academia a Paulo César Starke Júnior e a Luiz Fernando Queiroz.  O prêmio “Inspiração” foi entregue ao acadêmico Celso de Macedo Portugal.

A solenidade entremeou-se com Gamaliel Scaff interpretando três músicas com sua guitarra havaiana.

Foi lançado o 3º volume da Antologia de Bolso da ALJA, com o tema “Vida”. O 4º volume a ser lançado no próximo ano terá como tema “Amor”.

Ao final, a acadêmica Noilves Araldi lançou seu novo livro “Histórias da Vó Nô”, com prefácio de Dione Mara Souto da Rosa, que ficou autografando enquanto os convivas serviam-se do lanche da Pani em Casa.

Agora a Academia de Letras José de Alencar entrará em recesso de férias e voltará às suas atividades culturais no mês de março de 2018.

FOTOGRAFIAS DO EVENTO

As fotografias abaixo, de 1 a 8 foram tiradas por Vera Rauta ou com sua câmera, as de 9 a 34 por Adriano Siqueira, a de nº 35 é uma “selfie” por Rafael Golob e as de números 36 e 37 por Francisco Souto Neto ou com sua câmera.

Foto 1 – Acadêmicas Sandra Moreira Oliveira, Vera Rauta, Dione Mara Souto da Rosa, Kátia Souza.

Foto 2 – Acadêmicos.

Foto 3 – Tânia Rosa Ferreira Cascaes, Vera Rauta, Sandra Moreira Oliveira.

Foto 4 – Anita Zippin, Douglas George de Souza Gomes, Luíza Monteiro.

Foto 5 – Celso Portugal, Tânia Rosa Ferreira Cascaes, João Carlos Cascaes, Vera Rauta.

Foto 6 – Vera Rauta, Francisco Souto Neto, Josane Cavallin.

Foto 7 – Tânia Rosa Ferreira Cascaes, Anita Zippin, Luiz Fernando Queiroz, Josane Cavallin, Rubens Faria Gonçalves.

Foto 8 – Acadêmicos.

Foto 9 – O Palacete dos Leões, sede da Academia.

Foto 10 – Rafael Golob e sua mãe Levina de Oliveira.

Foto 11 – Keetrin Oliveira na entrada do Palacete dos Leões.

Foto 12 – Noilves Araldi num dos balcões do Palacete dos Leões.

Foto 13 – Dione Mara Souto da Rosa e Noilves Araldi.

Foto 14 – Anita Zippin, Noilves Araldi e seu filho Rafael Araldi Leal.

Foto 15 – Mesa de honra.

Foto 16 – Plateia.

Foto 17 – Plateia.

Foto 18 – Gamaliel Skaff e sua guitarra havaiana.

Foto 19 – Kátia Souza e Arioswaldo Trancoso Cruz.

Foto 20 – Alberto Velloso Machado e Senhora.

Foto 21 – Josane Cavallin e seus filhos Lucas Cavallin Werneck e Mariana Cavallin Xavier.

Foto 22 – Keetrin Oliveira e Arioswaldo Trancoso Cruz.

Foto 23 – Dione Mara Souto da Rosa e Rafael Golob.

Foto 24 – Valter Cardoso e Adriano Siqueira.

Foto 25 – Charyana Gamballe Correia, Douglas George de Souza Gomes e Ariadne Zippin.

Foto 26 – Dione Mara Souto da Rosa.

Foto 27 – Jadson Luís Rebelo Porto e esposa, com Ariadne Zippin.

Foto 28 – Noilves Araldi e familiares.

Foto 29 – Celso de Macedo Portugal.

Foto 30 – Dione Mara Souto da Rosa, Rafael Golob, Rubens Faria Gonçalves, Valter Cardoso, Keetrin Oliveira.

Foto 31 – Rubens Faria Gonçalves, Rafael Golob, Dione Mara Souto da Rosa, Francisco Souto Neto, Keetrin Oliveira, Valter Cardoso.

Foto 32 – Convidados.

Foto 33 – Anita Zippin e seu filho Rodrigo Monteiro da Silva.

Foto 34 – Noilves Araldi e Francisco Souto Neto.

Foto 35 – Rafael Golob em “selfie” com colegas da Oficina Literária André Carneiro.

Foto 36 – Rubens Faria Gonçalves, Dione Mara Souto da Rosa, Keetrin Oliveira, Kátia Souza, Valter Cardoso, Rafael Golob, Adriano Siqueira.

Foto 37 – Rubens Faria Gonçalves, Rafael Golob, Dione Mara Souto da Rosa, Kátia Souza, Francisco Souto Neto, Keetrin Oliveira, Valter Cardoso. 

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domingo, 12 de novembro de 2017

HONFLEUR, OS IMPRESSIONISTAS E ERIK SATIE por FRANCISCO SOUTO NETO para o PORTAL IZA ZILLI.

Foto 1 – O Vieux Bassin de Honfleur ao entardecer.

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Iza Zilli

Comendador Francisco Souto Neto

Honfleur, os impressionistas e Erik Satie

Francisco Souto Neto

Honfleur, na França, foi importante porto defensivo no século 15, transformando-se em uma das mais atraentes enseadas da Normandia. No centro da cidade está o Vieux Bassin (antiga doca ou antigo porto), com casas de seis e sete andares do século 17. No final do século 19 tornou-se grande núcleo de atividades artísticas. Pintores como Coubert, Sisley, Pissarro, Renoir e Cézanne iam pintar no Vieux Bassin por acreditarem que ali os efeitos da luz eram deslumbrantes. Em Honfleur nasceram o pintor Eugène Boudin (1824-1898) e o compositor Erik Satie (1866-1925). Hoje a cidade é toda voltada para as artes plásticas e a música.

 Foto 2 – Artista plástico pintando às margens do Vieux Bassin.

Foto 3 – No Vieux Bassin.

Foto 4 – No Vieux Bassin.

Foto 5 – O carrossel.


Foto 6 – Praça central de Honfleur.


Ali é imenso o número de galerias de arte. Um precioso carrossel de mais de cem anos, funcionando perfeitamente, ajuda a tornar a cidade ainda mais bela e divertida. A sorveteria instalada no Vieux Bassin vende os mais gostosos sorvetes que provamos em toda a vida. Eu pedi sabores mais ou menos comuns: marzipã e baunilha. O Rubens, que gosta de experimentar sabores exóticos, comprou sorvetes de gengibre e açafrão, e fez questão de que eu provasse uma colherzinha de cada um deles. Estalei a língua de satisfação e gula, porque eram “la crème de la crème”, a delícia das delícias.

Passamos três dias em Honfleur. Nosso apartamento no Hôtel Du Dauphin era grande e confortável, com vista deslumbrantes: das janelas do nosso apartamento vislumbrávamos a maior igreja de madeira da Europa, a Eglise Sainte Catherine, construída no século 15 por carpinteiros de navios, e víamos também um canto do Vieux Bassin. A janela do banheiro era do mesmo tamanho da do quarto, uma indiscrição europeia muito frequente porque, caso alguém esqueça de fechá-la na hora do banho, exporá a privacidade do hóspede aos olhos de quem estiver na praça. Ambas as janelas, do quarto e do banheiro, eram enfeitadas com vasos de gerânios vermelhos.

Foto 7 – Rubens em frente ao nosso hotel, o Du Dauphin.

Foto 8 – O Hôtel Du Dauphin em foto atual. Nosso apartamento ocupava as duas janelas sobre o toldo onde se lê “PEINTURES - SCULPTURES”,        e abaixo do nome “HÔTEL DU DAUPHIN”. A janela da esquerda era a do nosso quarto; a da direita, do banheiro. Os gerânios vermelhos continuam até hoje a enfeitar ambas as janelas.

Foto 9 – Nosso quarto voltado para a Igreja Sainte Catherine, do século 15.

Foto 10 – Tiro uma foto com o Rubens posando na janela do nosso banheiro. À direita, vê-se a lateral da Igreja Sainte Catherine. A torre ao centro da foto, com um relógio, é o campanário da igreja, erguido na frente da mesma.

Foto 11 – Saindo do hotel, vemos de perto esta lateral da Igreja Sainte Catherine, do século 15, a maior de madeira na Europa, com o campanário à esquerda.


Foto 12 – Eu, quase no mesmo lugar da foto anterior.



Foto 13 – Rubens sentado ao lado da Igreja Sainte Catherine.


Não é raro, na França, que o preço da diária do hotel não inclua o café da manhã. Em hotéis assim, quem quiser, deverá pagar à parte. O café da manhã do Hôtel Du Dauphin, caro, era incluso ao preço da diária, mas dava direito, por pessoa, a somente um bule (suficiente para apenas duas xícaras) de leite com café ou chocolate, dois pães, duas pequenas geleias, dois tabletes de manteiga e oito cubos de açúcar. Se alguém desejasse um iogurte, um copo de suco, uma fruta, uma pequena vasilha de sucrilhos, uma manteiguinha extra ou um cubo de açúcar a mais, tudo teria que ser pago como consumo extra. Um hábito um tanto sovina.

Foto 14 – Lanche de salsichas e batatas fritas apreciando o Vieux Bassin.

O lanche mais divertido que fizemos, foi de salsichas com batatas fritas que comemos à beira do Vieux Bassin, dividindo a comida com as pombas que afluíram às dezenas, e olhando ao panorama dramático e extraordinariamente belo do alto casario e dos mastros dos barcos ali atracados.

Erik Satie: como foi e como é

Vou fazer um rápido retrospecto muito pessoal sobre Erik Satie. Por volta do ano de 1973, quando eu ainda morava em Ponta Grossa, passava com Rubens pela Rua XV de Novembro em Curitiba, quando ouvimos pelos alto-falantes um som de piano que tocava sempre a mesma frase musical. Era u’a música repetitiva, mas fascinante e nada monótona. Vimos que os alto-falantes se sucediam através de inúmeros quarteirões da Rua XV, até que descobrimos que eles estavam ligados a um piano instalado no café – isto é, num quiosque-café na rua – que pertencia à antiga Confeitaria Iguaçu, bem na esquina da Praça Osório. Um rapaz tocava o instrumento. Em pé, ao lado do piano, por pura casualidade, encontrava-se minha amiga, a pianista Lúcia Armellini. Perguntei-lhe que música era aquela, e sua resposta está bem viva na minha memória: “Trata-se de uma composição de Erik Satie [1866-1925] que tem que ser tocada ininterruptamente durante oito horas, chamada Vexations. Por isso, vários pianistas alternam-se a cada 30 minutos, mas sem parar a música”. Eu, que já gostava de eruditos modernos como Stravinsky e Béla Bartók, estava descobrindo Satie. Naquela mesma tarde, eu e meu amigo saímos dali à procura de discos do compositor... e nosso gosto pelo mesmo aprofundou-se com o passar do tempo.

Segundo dia em Honfleur: Les Maisons Satie

No nosso segundo dia em Honfleur, fomos a Les Maisons Satie (“As Casas Satie”), uma casa-museu geminada à residência do compositor Erik Satie (pronuncia-se “erríc satí”). Logo à entrada do museu, os visitantes precisam colocar fones nos ouvidos, ligados a um moderno engenho eletrônico preso à cintura, e isto lhes permite ouvir diferentes peças musicais conforme o cômodo por onde se vai passando.

Foto 15 – Francisco Souto Neto à entrada de Les Maisons Satie.

Foto 16 – Rubens filmando os cômodos da casa-museu, ao som de Erik Satie.

Foto 17– O piano que toca “sozinho” as peças musicais de Satie.

O passeio pelo museu, todo interativo, é puro encantamento. Nos cômodos há referências surrealistas à música que se ouve através do aparelho eletrônico. Na obscuridade da primeira sala, ambos sofremos um impacto ao vermos uma imensa pera amarela alada, de mais ou menos dois metros de altura, com iluminação interna. As asas, de grande envergadura, movimentavam-se e a “fruta” parecia pairar no espaço, enquanto aos nossos ouvidos um piano tocava “1 Gymnopedies”.

Após uma sucessão de emoções e encantamento, o passeio pelas “maisons” termina numa sala inteiramente branca, onde um piano também branco toca “sozinho”, isto é, movido eletronicamente.

Antes de o visitante deixar o museu, é convidado para assistir “ao show”. Entramos numa espécie de cabaré, e tudo transcorre num telão como se este fosse o palco. Embora nós fôssemos as duas únicas pessoas ali presentes, gritos, assovios e aplausos provinham das mesas vazias. Ao final da visita, na pequena loja do museu, Rubens comprou o CD denominado “Les Maisons Satie” com todas as músicas ouvidas durante a nossa visita.

Foto 18 – Passeio pelo Parque da Cidade.

Foto 19 – Passeio pelo Parque da Cidade.

Foto 20 – No Parque da Cidade, Francisco Souto Neto aponta ao “wc” de cães. Nos países europeus os cães costumam ter lugar certo para as suas necessidades fisiológicas.



Em frente ao museu localiza-se o Parque da Cidade, um verdadeiro jardim botânico com belíssimos roseirais que fotografamos sob muitos ângulos. Dalí rumamos ao setor da cidade onde se localiza a Igreja Saint-Léonard, do século 15, tão antiga que a entrada principal estava isolada por uma cerca onde se lia a advertência: “proibido transitar devido a desabamentos”. É que a igreja encontrava-se tão negligenciada que de vez em quando desprendiam-se blocos de pedra da fachada, estatelando-se no solo. Ingressamos no templo pela entrada lateral e encontramos um esplêndido interior enriquecido por preciosas esculturas. Havia ali um ar de grande solenidade e respeito.


Foto 21 – Igreja Saint-Léonard.  É proibido andar na frente da igreja pelo risco da queda de pedras. 

Foto 22 – Novamente no Vieux Bassin. 

Foto 23 – Novamente no Vieux Bassin.

O terceiro dia em Honfleur foi todo de descobertas e encantamentos. Quando deixamos a cidade num ônibus rumo a Le Havre, tínhamos a certeza de termos conhecido uma das cidades mais interessantes da França.


Foto 24 – Francisco Souto Neto despede-se de Honfleur.


Foto 25 – Rumando à Gare Routière (Estação Rodoviária).


No mês passado, outubro de 2017, meus amigos João Carlos Cascaes e sua esposa Tânia Rosa Ferreira Cascaes estiveram na França e visitaram Honfleur. Esta foi a primeira vez que eu soube de pessoas do meu rol de amizades que estiveram naquela linda cidade da Normandia. Isto me inspirou a escrever esse artigo, revelando um pouco das minhas memórias daquela cidade de rara beleza e tantas histórias.

Filme do passeio aos interiores de Les Maisons Satie:



Filme de passeios pela cidade de Honfleur:



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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O ANJINHO DE PETRÓPOLIS por FRANCISCO SOUTO NETO para o PORTAL IZA ZILLI.


O Anjinho de Petrópolis (foto Alexandre Crius)

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Iza Zilli

Comendador Francisco Souto Neto


O Anjinho de Petrópolis


Francisco Souto Neto

Hoje, 2 de novembro de 2017, Dia de Finados, recebi através do advogado e pesquisador Lauro Barreto, uma reportagem de Aline Rickly, que trabalha na Rede Globo (G1) de Petrópolis, RJ, sobre um meu tio-avô Francisco José Alves Souto Filho, que faleceu aos três meses de idade há 145 anos e está sepultado no Cemitério Municipal de Petrópolis, onde é conhecido pela população como “Anjinho de Petrópolis”, a quem são atribuídas muitas graças alcançadas pelos fiéis e milagres. Eu desconhecia que meu bisavô, Francisco José Alves Souto, 6º filho do Visconde de Souto, tivera esse primogênito que recebeu no batismo o nome de Francisco José Alves Souto Filho. Eu e meus familiares soubemos disso somente em 2013, graças às pesquisas de Lauro Barreto e da jornalista Aline Rickly. Esta trabalhava no jornal Tribuna de Petrópolis (agora está na Rede Globo de Petrópolis) e publicou várias reportagens sobre o “Anjinho de Petrópolis”, que alcançaram a mídia nacional.

O espaço da minha coluna destina-se hoje a transcrever a reportagem de Aline Rickly estampada nesta manhã no G1 Petrópolis. Tanto Aline quanto Lauro Barreto estão mencionados na biografia Visconde de Souto – Ascensão e “Quebra” no Rio de Janeiro Imperial, da Editora Prismas.
Abaixo, a coluna de Aline Rickly.

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globo.com  g1

Túmulo de bebê que morreu em 1872 atrai devotos que deixam presentes após pedidos atendidos
No Dia de Finados, G1 acompanha histórias de quem afirma que recebeu milagre do 'Anjinho', neto de um amigo de D. Pedro II, que está enterrado no Cemitério Municipal de Petrópolis, no RJ.

Por Aline Rickly, G1, Petrópolis
02/11/2017 07h00  Atualizado há 2 horas

Túmulo de 'Anjinho' é um dos mais visitados em Petrópolis, no RJ (Foto: Rogério de Pauta/Inter TV)

O túmulo de Francisco José Alves Souto Filho, bebê que morreu aos três meses de idade há 145 anos, na Região Serrana do Rio, atrai devotos e presentes de fiéis que afirmam que tiveram pedidos atendidos por ele. A criança foi enterrada no Cemitério Municipal de Petrópolis. Em sua sepultura, está a escultura de um anjo, o que gerou o apelido de 'Anjinho'.
De acordo com a Prefeitura, o atestado de óbito diz que a criança morreu por congestão pulmonar. No túmulo consta que a data da morte foi em 9 de abril de 1872. Neste Dia de Finados, o G1 acompanha histórias de quem afirma que recebeu o milagre deste anjinho, que era neto de um dos amigos de D. Pedro II.

"Meu marido conseguiu um emprego! Ele estava desempregado há dois anos. Quando fiz o pedido no túmulo do bebê, na mesma semana ele recebeu uma ligação com a proposta de trabalho", contou a chefe do Arquivo Histórico da Biblioteca Municipal de Petrópolis, Mariza Gomes.

Após ter o pedido atendido, ela disse que foi até o túmulo da criança e deixou flores azuis como forma de agradecimento.
Já o advogado e pesquisador, Lauro Barretto, afirma que relutou em acreditar que uma criança que morreu aos três meses pudesse "fazer milagres". Ele disse que depois de ouvir muitos relatos, resolveu fazer uma tentativa.

"O anjinho de Petrópolis atendeu minhas orações, pelo menos uma vez. Creio que realmente ele também é milagroso", afirmou Lauro, que deixou um brinquedo no túmulo do bebê.

O advogado fez uma pesquisa sobre a história da criança e encontrou as informações do livro onde consta o óbito dele, que está na Catedral São Pedro de Alcântara. O pesquisador também chegou até um sobrinho-neto do anjinho que mora em Curitiba, Francisco Souto Neto.

Documento na Catedral São Pedro de Alcântara, em Petrópolis, RJ, consta o óbito do bebê e a causa da morte (Foto: Arquivo/Lauro Barretto)

Origem da crença popular

A crença pela história do anjinho surgiu há mais de 40 anos, segundo o autônomo Antônio de Souza Lira, de 53 anos, que trabalha com limpeza e manutenção de sepulturas. Ele contou que começou com o pai dele, que trabalhava como marmorista e foi o primeiro a se tornar devoto da criança.

"Meu pai contava que um dia passou em frente a sepultura e viu que estava abandonada, então resolveu limpá-la e fez um pedido ao bebê e recebeu a graça. Desde então, começou a cuidar do túmulo e chegou até a reformar a sepultura. Depois que morreu, 13 anos atrás, a responsabilidade passou para mim", disse Antônio.

Túmulo de 'Anjinho' é limpo com carinho no cemitério de Petrópolis, no RJ (Foto: Rogério de Paula/Inter TV)

Ele contou que sempre usa cloro e água para limpar a sepultura, e em datas como Dia dos Pais, Mães e Finados capricha ainda mais.
"Acredito no poder do anjinho e que ele pode interceder junto a Deus para atender os pedidos, assim como todos os santos. Sem fé não somos ninguém", afirma.

Sobrinho-neto não sabia do 'Anjinho'

 
Sobrinhos-netos do 'Anjinho', moradores de Curitiba, ao saberem da existência do bebê, em 2013, acrescentaram a informação no livro que conta a história de Visconde do Souto, amigo de D.Pedro II e avô da criança (Foto: Francisco Souto Neto/Arquivo Pessoal)

Francisco José Alves Souto Filho, o anjinho, é filho do casal Francisco José Alves Souto e Maria Luiza de França e Silva.
Sobrinho-neto da criança, o aposentado Francisco Souto Neto, disse que depois da morte de Maria Luiza, Francisco José Alves Souto (pai do anjinho) se casou com Maria da Lapa e teve cinco filhos.
De acordo com o aposentado, o bebê era neto do Visconde do Souto, que, segundo ele, era considerado como um dos três amigos verdadeiros do Imperador D. Pedro II.

Biografia do Visconde de Souto

Sobrinhos-netos do 'Anjinho', Francisco Souto Neto e Lúcia Helena Souto Martini, lançaram no dia 12 de outubro deste ano uma biografia sobre o Visconde de Souto, avô do bebê milagreiro e amigo de D. Pedro II. Francisco Neto explica que foram mais de 600 livros pesquisados, além de incontáveis jornais.
"A pesquisa começou em 2006. No ano seguinte, começamos escrever o livro e só agora, em 2017, é que lançamos", disse ele, acrescentando que, mesmo diante de tanta pesquisa, até 2013 ele e a prima não sabiam do casamento de Francisco José Alves Souto com Maria Luiza, nem do nascimento do 'Anjinho'.
"Com o tempo, os fatos históricos sobre a família vão se perdendo. E só obtivemos esta informação depois que fomos procurados pelo pesquisador Lauro Barretto. Ainda a tempo de incluir como nota pé na biografia", afirma.
O aposentado disse que toda a família ficou surpresa e emocionada ao saber da história do bebê.

"É interessantíssimo saber que um parente nosso é conhecido por conceder milagres às pessoas. Eu e Lúcia Helena temos planos de ir a Petrópolis para levar flores ao túmulo do nosso tio-avô", disse.