sexta-feira, 18 de novembro de 2016

ALDO MIKAELLI E A FESTA DOS RADIALISTAS e ARARY SOUTO REMEMORADO. Por FRANCISCO SOUTO NETO para o PORTAL IZA ZILLI.


Neste painel dos radialistas de Ponta Grossa, organizado pelo próprio Aldo Mikaelli, Arary Souto e Francisco Souto Neto   pai e filho –  estão colocados lado a lado. Arary Souto foi o Diretor Geral da Rádio Central do Paraná de 1955 a 1963 (quando faleceu). Francisco Souto Neto também atuou como radialista quando, no fim da década de 80, quando em Curitiba era Assessor de Diretor e de Presidente do Banestado, aos sábados inaugurou o programa "Expressão & Arte" na Rádio Estadual, que era apresentado ao vivo por ele próprio.

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PORTAL IZA ZILLI


Iza Zilli


Comendador Francisco Souto Neto

Aldo Mikaelli e a festa dos radialistas.
Arary Souto rememorado.

Francisco Souto Neto

No mês passado recebi convite do Sr. Aldo Mikaelli para a Festa dos Radialistas de Ponta Grossa – meu pai Arary Souto (1908-1963) foi jornalista e radialista – que se realizou no dia 8 de novembro. Nas palavras do Sr. Mikaelli, “para que venhas receber um brinde em nome do querido Arary Souto”. Senti-me emocionado com o convite, principalmente porque meu pai faleceu há mais de meio século, há 53 anos para ser exato, e continua sendo lembrado por seus amigos autênticos.

FOTO 1 – O convite para a festa de confraternização alusiva ao Dia do Radialista.

FOTO 2 – Anverso do convite, com fotos das personalidades       que fizeram a História do Rádio de Ponta Grossa. A fotografia de meu pai, Arary Souto, está no lado esquerdo, terceira fila, segundo círculo da esquerda para a direita.

Impossibilitado de comparecer à recepção, pedi à minha sobrinha Rossana Souto da Rosa, neta de Arary Souto, que me representasse naquela comemoração. Como ela vive em Ponta Grossa, onde é advogada do PROCON, não foi difícil comparecer ao evento. Ela fez-se acompanhar do casal Milton Kawakami e Daniela Benato.

FOTO 3 – Na entrada do restaurante, minha sobrinha Rossana Souto da Rosa (à direita) acompanhada do casal Milton Kawakami e Daniela Benato. Foto de Solange Rocha.

Antes, porém, de me referir à festa propriamente dita, devo escrever algumas palavras sobre o radialista Aldo Mikaelli.


Aldo Mikaelli


Poucas pessoas se referiram a Aldo Mikaelli com a mesma propriedade de David Pilatti Montes ao apresentar o livro escrito pelo referido radialista, denominado “História do Rádio AM de Ponta Grossa”. Diz ele:

“De Aldo Mikaelli, o que mais se aproxima de uma definição é a expressão ‘lutador’. Não é, pois, definitiva, uma vez que ele fez de sua própria e brilhante carreira de Rádio, um argumento para preservar a aura de magia desse veículo e, mais que isso, sua história. Seria mais do que isso: lutador, testemunha, ouvinte, animador, arranjador, locutor, noticiarista e, enfim, memorialista”.

Um dos ícones da radiofonia do Paraná, Mikaelli ocupou microfones do rádio em várias emissoras de Ponta Grossa, e também em alguns canais de televisão, onde apresentou com muito sucesso programas de serestas e entrevistas, inúmeros deles disponíveis no YouTube.

FOTO 4 – Aldo Mikaelli (à direita) na Festa dos Radialistas de 2012, com outro ícone do rádio e televisão no Paraná, Osni Gomes. Foto da internet.

O Dia do Radialista, 11 de novembro, é anualmente comemorado por Aldo Mikaelli, que promove a já tradicional Festa dos Radialistas, este ano realizada três dias antes, na Churrascaria Estrela de Prata Executive. Costumam comparecer profissionais de vários pontos do país, que já trabalharam no rádio em Ponta Grossa. Meu amigo Osni Gomes, que reside aqui em Curitiba e que é igualmente um ícone na História do Rádio e da Televisão no Paraná, também participou da festiva reunião, e comentou em seu mural do Facebook: “Louve-se a presença de profissionais como Zander Meira, que veio de Chapecó-SC, onde reside e trabalha, Hélio Porto, de Itararé-SP e Silvana Leal, de Paranaguá-PR. O mais importante de tudo foi o momento de confraternização, de rever velhos e bons amigos".

FOTO 5 – Mikaelli relata a Rossana Souto da Rosa algumas passagens com seu avô Arary Souto, quando este era diretor da Rádio Central do Paraná, e ele, Mikaelli, um garoto aos 16 anos. Rossana ouve emocionada. Foto de Osni Gomes.

FOTO 6 – Aldo Mikaelli e Rossana Souto da Rosa. Foto de Osni Gomes.

FOTO 7 – Mikaelli com Álvaro Andrade, um dos muitos radialistas presentes à comemoração. No painel ao fundo, pouco acima da cabeça de Álvaro Andrade, está uma foto de Arary Souto. Foto de Osni Gomes.

Numa das paredes do restaurante, Aldo Mikaelli dispôs quatro painéis que expõem fotografias das centenas de radialistas do presente e do passado, que trabalharam e viveram, ou vivem ainda, em Ponta Grossa. Nas duas semanas que se seguirão à Festa dos Radialistas, os painéis ficarão expostos no Museu dos Campos Gerais, em Ponta Grossa, onde foram feitas as fotografias abaixo.


FOTO 8 – Este é um detalhe de um dos painéis que após a Festa dos Radialistas foram expostos no Museu dos Campos Gerais. Aldo Mikaelli, pesquisando na internet, encontrou uma foto de 1951 de Arary Souto, e uma de 2015 do seu filho Francisco Souto Neto, e as dispôs lado a lado num dos painéis. Ambos, pai e filho, foram ligados ao rádio: Arary foi diretor da Rádio Central do Paraná e Francisco teve um programa de cultura na Rádio Estadual. Foto de Rossana Souto da Rosa.

FOTO 9 – Esta é a foto (de 1951) de Arary Souto encontrada na internet por Aldo Mikaelli e por ele colocada no painel dos radialistas.

FOTO 10 – Esta é a foto (de 2015) de Francisco Souto Neto encontrada na internet por Aldo Mikaelli e por ele colocada no painel dos radialistas.

Arary Souto rememorado


No ano de 2006 Aldo Mikaelli lançou o livro “História do Rádio AM de Ponta Grossa”, um verdadeiro compêndio histórico no qual narra o nascimento, ascensão e evolução do rádio ponta-grossense. Na página 50 faz referências ao período em que Arary Souto dirigiu a Rádio Central do Paraná, cuja leitura levou-me a rememorar o ano de 1955, quando há pouco eu completara 12 anos de idade.

FOTO 11 – Capa do livro História do Rádio AM de Ponta Grossa.

Eu nasci em Presidente Venceslau, SP, em 1943. Em 1948 mudamo-nos para Ponta Grossa, onde meu pai foi o Diretor de Redação do diário Jornal do Paraná, com Adalberto Carvalho de Araújo no cargo de Superintendente
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FOTO 12 – Detalhe da primeira página do Jornal do Paraná, edição de 20 de julho de 1949, onde consta: Diretor de redação: ARARY SOUTO. Superintendente: ADALBERTO CARVALHO DE ARAÚJO.

Esse jornal foi vendido na década de 50. Sua parte física foi adquirida pelo Jornal da Manhã, e o título comprado pela Folha de Londrina, que pretendia lançar o Jornal do Paraná em Curitiba, mas depois desistiu do projeto, porém incorporou o nome ao seu próprio título, como circula até hoje: “Folha de Londrina – o Jornal do Paraná”.

Passamos o ano de 1953 em Campo Grande, MS, onde meu pai Arary Souto, a convite de um primo de minha mãe, Wilson Barbosa Martins (dois anos depois prefeito de Campo Grande, em seguida deputado estadual e nas eleições seguintes deputado federal, posteriormente eleito senador da República e, finalmente, governador de Mato Grosso do Sul), para fundar e dirigir um novo matutino: o Correio do Estado.

FOTO 13 – Numa nota de 26.11.1958, o Correio do Estado, de Campo Grande, lembra que Arary Souto foi seu diretor de redação.

Passamos o ano de 1954 em Presidente Venceslau, SP, minha cidade natal, e lá permanecemos até aproximadamente novembro do ano seguinte. Lembro-me de que em casa, naquele final de 1955, o assunto que me empolgava era o de que iríamos voltar a morar em Ponta Grossa, onde, segundo entendi, meu pai fundaria uma rádio e seria seu diretor. Naquele tempo, a televisão em São Paulo estava com apenas 4 anos e ainda não existia no Paraná. Para os paranaenses, o rádio era ainda o mais importante meio de comunicação de massas. Chegamos a Ponta Grossa no final do ano, a tempo de eu fazer um rápido curso que se chamava “de admissão ao ginásio”. Aprovado nos exames, em março de 1956 meu pai matriculou-me na Academia, que era como chamávamos o Ginásio Ponta-grossense. Se bem me recordo, no nosso Natal de 1955 nós já estávamos vivendo em Ponta Grossa, e meu pai já estaria dirigindo a Rádio Central.

Como disse acima, em minha memória de menino, tinha se firmado a certeza de que meu pai, Arary Souto, seria o primeiro diretor da Rádio Central. Entretanto recentemente, e pela primeira vez, chegou a meu conhecimento que meu pai teria sido o segundo diretor, e que o primeiro chamava-se Elias Harmuch. Como se vê, as lembranças de um menino de 12 anos pode conter falhas. Encontrei essa informação no citado livro de Aldo Mikaelli. O autor diz ali que Harmuch deixou a diretoria da Rádio Central em 1956. Se minha meninez não me trair a memória, Harmuch teria se retirado em novembro ou dezembro de 1955. Esta minha dúvida, entretanto, não tem importância alguma, senão como um simples teste de memória. O que realmente importa é a riqueza de detalhes que o livro de Mikaelli nos traz desde os primórdios do rádio ponta-grossense, dos registros históricos e do desfilar de nomes que povoaram o imaginário de várias gerações, e dos depoimentos.

Nas páginas do livro, pude rememorar pessoas que me foram muito queridas na infância, tais como Viviane e Daisy Durski, Ida Campos, Ivete Fonseca e Lourdes Rocha (Strozzi pelo casamento) que fazia um quadro teatral divertidíssimo. Morávamos na Rua Augusto Ribas nº 571, num belo casarão entre a Rua XV de Novembro e a Marechal Deodoro, a uns 150 metros dos estúdios e da direção da rádio, localizados no nº 672 da mesma rua. Eu e minha mãe íamos ao estúdio e ficávamos vendo, através do vidro, as travessuras do elenco. Eu me lembro do Marçal, de Paulo Ramos, de Luiz Frederico, do Roque e outros. Certa ocasião, meu pai me disse: “O Rogério Sermann é muito jovem, mas é o meu melhor locutor. Esse rapaz tem muito futuro”.

FOTO 14 – Frente a um microfone, Arary Souto discursando em 1956.

FOTO 15 – Arary Souto, diretor da Rádio Central do Paraná, fazendo alguma comunicação num palco, em 1957.

FOTO 16 – Arary Souto, diretor da Rádio Central do Paraná (atrás do buquê de flores brancas ao centro do palco), ao lado de um senhor todo de branco, com toda a sua equipe, após apresentação de um programa especial em homenagem à Rádio Clube Ponta-grossense, por ocasião da passagem do 20º aniversário da PRJ-2, em 21.1.1960. Excetuado o menino no palco, a partir da esquerda: o 1º é Araújo Neto, a 2ª é Lourdes Rocha Strozzi, a 3ª é Ivete Fonseca, a 4ª é Viviane Durski, a 5ª é Leonilda, o 6º é Paulo Ramos, o 7º é Abílio Holzmann, o 9º é meu pai Arary Souto, o 11º é Arion Fernandes, o 13º é Manoel Machuca e o 15º o cantor Jorge Santos.


FOTO 17 – Esta foto foi tirada no mesmo momento da anterior, com diferença de alguns segundos, porém mais de perto. Arary Souto está ao centro da foto, atrás do vaso com flores brancas. As pessoas identificadas encontram-se listadas na FOTO 16.

FOTO 18 – Em abril de 1960, foi inaugurado o “primeiro edifício em Ponta Grossa” com 15 andares, o Marieta. Até então, os mais altos da cidade eram o Edifício Ópera, com 5 andares, e o Edifício Santana, com 4 andares. Esta foto foi tirada no alto do prédio, no dia da inauguração. Arary Souto, diretor da Rádio Central do Paraná, aparece entre o prefeito Eurico Batista Rosas, que discursa, e Olavo Alberto de Carvalho, um dos edificadores da cidade. O menino às esquerda é o Tim (Alberto Olavo de Carvalho). Atrás do Tim, vê-se Matusalém Gaia. Atrás de Arary Souto (encoberta por este) está Viviane Durski. Atrás de Dr. Olavo, Edwy Villaca.

FOTO 19 – Em 1959 a festa de formatura do ginásio (Academia, ou Ginásio Ponta-grossense, do Sr. Altair Mongruel) realizou-se no palco no Cine Teatro Ópera. Ao início da solenidade, Arary Souto, na qualidade de diretor da Rádio Central do Paraná, foi convidado a compor a mesa das autoridades. Ao ser chamado para receber o seu diploma pela conclusão do curso ginasial, Francisco Souto Neto recebeu-o das mãos do próprio pai.

FOTO 20 – Um dos jornais de Ponta Grossa tirou fotografias dos estúdios da Rádio Central do Paraná. Arary Souto, o diretor, preferiu aparecer nas fotos no balcão atendendo aos clientes da rádio, e não no seu gabinete da diretoria.


FOTO 21 – Arary Souto, diretor da Rádio Central do Paraná, na década de 50, participando de algum evento, parece estar testando o microfone que segura com a mão direita. Nota-se, na fila de trás, pessoas sentadas, contidas por um baixo cercado de madeira. Trata-se possivelmente de algum concurso ou outro evento, e talvez os que estão em primeiro plano, ao redor da mesa, façam parte de alguma comissão julgadora. Sentados à cabeceira da mesa, o senhor de perfil parece ser Wallace Pina, que conversa com Carlos Afonso Buch. Atrás de ambos, em pé, o de paletó preto e gravata parece ser Arichernes Gobbo, e o de camisa branca é Barros Jr. Entre ambos, o jovem Antonio Celso Moreira. Ao lado de meu pai Arary Souto, está Moacir Lazzarotto de Oliveira.

FOTO 22 – Sentado à cabeceira da mesa de algum restaurante, Arary Souto (de óculos), diretor da Rádio Central do Paraná, entre amigos, conversando com Moacir Lazzarotto de Oliveira, certamente num almoço de confraternização. O primeiro a partir da esquerda é Lázaro Zacarias dos Santos. O garçon é Osmen Guimarães, apelidado de “7 mês”, segundo informação de Osmario Souza Ribas.


FOTO 23 – À esquerda, Maneco Machuca (Manoel Machuca Júnior), seguido de Roberto Madalozzo e de Guaracy Paraná Vieira. Sentados no sofá: um senhor (que acende o charuto) não identificado, e Arary Souto. À direita, em pé, Manoel Machuca.


FOTO 24  No palco da rádio, um programa de auditório patrocinado pela empresa João Vargas de Oliveira S.A. Arary Souto, diretor da Rádio Central do Paraná, é o 3º a partir da esquerda.

FOTO 25  Antes de um almoço, Arary Souto (diretor da Rádio Central do Paraná) discursando. Sentada a seu lado (à direita da foto), sua esposa Dª Edith Barbosa Souto. À esquerda da foto, em pé, Manoel Machuca.

FOTO 26 – Almoçando, a partir da esquerda: Luiz Frederico Daitschmann, Viviane Durski, Manoel Machuca, Arary Souto e Dª Edith Barbosa Souto.



FOTO 27 – Almoço com funcionários da Rádio Central do Paraná. Na cabeceira da mesa, Manoel Machuca e Arary Souto. 

FOTO 28 – Uma comissão de notáveis de Ponta Grossa em 1960 vai em caravana a Curitiba, para uma audiência com o Governador do Paraná no Salão Nobre do Palácio Iguaçu. Arary Souto é o 1º à esquerda da foto grande em preto e branco. Dentre os demais presentes, encontram-se Eurico Batista Rosas, José Hoffmann (Juca Hoffmann), Daily Luiz Wambier, Manoel Machuca Júnior (Maneco Machuca) e outros. Há um fato curioso sobre a foto a cores que está sobreposta à foto grande em preto e branco, que em 1990 mostra Francisco Souto Neto, filho de Arary Souto, após uma reunião com o governador Álvaro Dias, representando o presidente do Banestado Carlos Antônio de Almeida Ferreira, no momento em que recebia alguma lembrança destinada ao banco oficial do Paraná. Note-se que na foto grande, no fundo à esquerda, há uma imensa pintura que está no Salão Nobre do Palácio Iguaçu. Arary Souto está com a cabeça sob duas figuras da pintura: um homem de costa e um de frente que faz alguma anotação num caderno. Na foto colorida, o moço à esquerda (da assessoria de Álvaro Dias) que faz a entrega dos objetos a Francisco Souto Neto (este está à direita), tem a cabeça abaixo das mesmas figuras da tela. E na foto grande, o homem alto que se encontra ao lado de Arary Souto, está com a cabeça sob a figura de um homem na pintura da tela, de costas e com as mãos cruzadas atrás de si. Na foto colorida, Francisco Souto Neto está com a cabeça abaixo da mesmo figura da tela, do homem com as mãos cruzadas atrás de si. A curiosidade é que pai e filho estão NO MESMO LUGAR do Salão Nobre do Palácio Iguaçu, ambos após reuniões com os governadores de seus respectivos tempos, isto com uma diferença de 30 anos entre as duas fotos: Arary Souto em 1960 e o filho Francisco Souto Neto em 1990.

FOTO 29 – Arary Souto em 1960, com medalhas conquistadas em campeonatos de tiro ao prato.

FOTO 30 – Em 21.1.1960 “A Tribuna” de Presidente Venceslau, SP, noticiava as atividades de Arary Souto em Ponta Grossa.

FOTO 31 – “A Tribuna” de 29.1.1961 comentava o sucesso da Rádio Central do Paraná sob a direção de Arary Souto.

FOTO 32 – o Jornal da Manhã, de Ponta Grossa, comenta na 1ª página da edição de 10.1.1962, o sucesso da Rádio Central do Paraná (sob a direção de Arary Souto há 7 anos) transformada em emissora musical.

Notícia veiculada na 1ª página do Jornal da Manhã, de Ponta Grossa, na edição de 10.1.1962, três meses antes de Arary Souto adoecer:

“Brilhante Iniciativa da Rádio Central do Paraná”
“Ontem, ao depararmos com a notícia de que a Rádio Central do Paraná adotaria nova modalidade de trabalho no rádio princesino, nos apressamos em procurar pelo seu diretor, sr. Arary Souto, a fim de obtermos dados concretos relacionados com o assunto e, então, divulgá-lo.
Atendida que fora a nossa reportagem no seu gabinete de trabalho, com a peculiar solicitude do nosso entrevistado, foi o mesmo nos inteirando dos pormenores dessa iniciativa. Se bem que inédita no rádio ponta-grossense, ela já é aplicada em várias cidades do país, onde se incluem as cidades paranaenses de Londrina, Maringá e outras, além da Capital, Curitiba – com absoluto sucesso.
Trata-se de dotar Ponta Grossa, consequentemente o rádio-ouvinte princesino, de uma emissora que possa transportar para seus rádios-receptores, música, somente música.
Pelo que nos expôs o sr. Arary Souto, realmente, nessa iniciativa a parte material é legada a um plano secundário, isto é, as cotas de publicidade são limitadas, permitindo que em cada cinco minutos da programação seja executada uma música, nos mais variados ritmos, distribuídos em cada hora das 17 que estarão no ar, ou seja, das 7 horas da manhã até meia-noite, permitindo publicidade máxima de dois textos para cada gravação musical.
Essa publicidade é dividida em cotas de 150 textos ou jingles mensais, podendo o anunciante adquirir uma ou mais cotas. No período das 7 às 8 horas da manhã, o espaço será reservado para as mensagens de amizade, das 14 às 16 horas continuará com “Felicitações Musicais”, e das 20 às 21 horas, terão sequência as “Mensagens de Amizade”.
Nos demais horários, isto é, das 8 às 14, das 16 às 19,30 e das 21 às 24 horas, serão admitidas as cotas de publicidades musicais.
Para cada hora de programação, serão selecionadas as músicas, nas suas variadas origens, destacando-se, entre as inúmeras outras, as brasileiras, argentinas, mexicanas, italianas, sírias, polonesas, paraguaias, norte-americanas, as clássicas, semi-clássicas, etc. etc.
Esse sistema de rádio-musical é, inegavelmente, aquele que suaviza a tristeza, eliminando e elevando-a ao nível da alegria, pois é em realidade a música que nos inspira e, escutando-a, afastamo-nos das agruras desses momentos tão incertos, e nos propiciará ânimo para enfrentá-las com maior esperança, com mais objetividade no trabalho, e nos afazeres cotidianos.
Estas foram, em síntese, as informações que obtivemos do diretor da Rádio Central do Paraná, na transformação do atual sistema para exclusivamente musical, informações essas que agradecemos.
A par desses agradecimentos, o JORNAL DA MANHÃ se congratula com a Rádio Central do Paraná pela elogiável iniciativa de dar a Ponta Grossa uma emissora musical e que, por certo, será alvo da preferência de todos aqueles que encontram na música, e somente na música, a inspiração espiritual para que a vida se torna amena, mais alegre”.

Em janeiro de 1963 Arary Souto ainda presidiu uma reunião do Rotary Club. Foi seu último ato público, conforme se lê no recorte, abaixo, do Jornal da Manhã, edição de 4 de janeiro:

FOTO 33 – Última reunião do Rotary Club presidida por Arary Souto, no Jornal da Manhã de 4.1.1963.

Foto 34 – Meus pais Edith Barbosa Souto e Arary Souto no começo de 1962. Esta foi a última fotografia que tirei de meu pai.

Arary Souto faleceu no dia 11 de abril de 1963, uma semana antes de completar 55 anos. Seu amigo Faris Antônio Michaele publicou as seguintes palavras em sua coluna do Jornal da Manhã:

FOTO 35 – Homenagem póstuma de Faris Antônio Salomão Michaele ao euclidiano Arary Souto.

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terça-feira, 1 de novembro de 2016

PORTUGAL, MEU VOVOZINHO, por FRANCISCO SOUTO NETO para o portal IZA ZILLI.

PORTAL IZA ZILLI


Bonde de Lisboa

Iza Zilli

Comendador Francisco Souto Neto


Portugal, meu vovozinho
Francisco Souto Neto
Estive em Portugal uma única vez, em 1980... e é incrível que nunca tenha retornado àquela maravilhosa terra. Talvez por ser a porta de entrada à Europa e o país europeu mais próximo ao Brasil, temos a sensação de que “Portugal está logo ali, bem pertinho”, onde poderemos ir passear na hora que desejarmos. Por isso, escolhemos sempre viajar aos países mais remotos, aos quais nunca sabemos se haveremos de voltar algum dia, e assim vou adiando o retorno a Portugal.

Fiz o percurso Rio de Janeiro – Lisboa a bordo de um Jumbo da TAP. Naquele tempo era habitual que senhoras viajassem calçando sapatos de salto alto e os homens trajando terno e gravata. Os aviões eram mais confortáveis do que os atuais, com mais espaço entre as poltronas. Quem voasse através daquela companhia portuguesa, ganhava uma noite em hotel de quatro estrelas em Lisboa, um citytour pelas maiores atrações turísticas da capital, e ainda uma noitada com jantar numa casa de fado. Bons tempos, aqueles.

A viagem iniciada por Lisboa foi muito extensa, com dois meses de duração, isto porque eu trabalhava no Banestado e acabava de receber uma licença-prêmio de 60 dias. Visitei Portugal em duas etapas: primeiro, passei apenas uma noite em Lisboa, e no dia seguinte dei início a viagens sempre por estradas de ferro – devido a meu fascínio por trens – que me levaram até à Escandinávia. Eu portava um Eurailpass que me dava direito a viajar durante 30 dias em 1ª classe através de inúmeros países. Quando eu optava por viajar à noite, pagava a diferença pelo uso de uma cabine-leito. Após quatro semanas de passeios, retornei a Lisboa, onde permaneci durante alguns dias, antes de dar sequência à segunda parte da viagem, que foi atravessar o Atlântico rumo a Nova York, para passar duas ou três semanas em visita a meu irmão e cunhada que lá residiam.

Lisboa

Uma das mais antigas nações da Europa, Portugal foi criado em 1139, quase 350 anos antes da Espanha. Na Era dos Descobrimentos, Portugal e Espanha eram as senhoras do mundo. Tinham as maiores esquadras, que as tornavam os países mais poderosos do continente.

FOTO 1 – Estação ferroviária do Rossio.

FOTO 2 – Casario de Lisboa.

FOTO 3 – Casario de Lisboa, com automóveis da época (ano de 1980) em foto de Francisco Souto Neto.

FOTO 4 – Praça do Comércio.

FOTO 5 – Francisco Souto Neto nas ruínas da Igreja do Carmo, o que restou do terremoto de 1755.

FOTO 6 – Francisco Souto Neto nas ruínas da Igreja do Carmo, o que restou do terremoto de 1755.

A capital portuguesa situa-se a 17 quilômetros do oceano Atlântico, na margem norte do estuário do Tejo. Na metade do século XVIII Lisboa era uma cidade muito próspera, famosa por sua riqueza. Mas uma catástrofe devastadora se avizinhava.

 FOTO 7 – Terremoto e maremoto de 1755 numa gravura antiga. 
 
O centro de Lisboa foi completamente arrasado por um terremoto em 1º de novembro de 1755. Mais de vinte igrejas desabaram, esmagando as multidões que assistiam às missas em comemoração ao Dia de Todos os Santos. Incêndios espalharam-se pelas ruínas da cidade, e uma hora depois as gigantescas ondas de um maremoto destruíram o que restou. Morreram cerca de 15 mil pessoas. Mais da metade do país foi atingida, e os tremores foram sentidos na Espanha, França e Itália.

Enquanto os sobreviventes discutiam se o terremoto seria um fenômeno natural ou a manifestação de um castigo provocado pela ira divina, e os religiosos profetizavam novas catástrofes, o Marquês de Pombal declarou lucidamente: “Enterrem os mortos e alimentem os vivos”, e começou imediatamente a projetar a reconstrução da cidade destruída. Seu projeto foi muito moderno, com ruas retas, e deu à capital portuguesa as feições que hoje conhecemos.


Em 2013 o Jornal Hoje, da Rede Globo, publicou uma reportagem sobre o terremoto e maremoto de 1755, e a reconstrução de Lisboa, que pode ser assistido neste link:



Fiz passeios a muitas atrações turísticas de Lisboa e locais históricos, tais como a Praça do Comércio, ruínas do Castelo de São Jorge, Convento do Carmo (as paredes da igreja gótica permanecem em pé, embora telhado e arcos tenham sucumbido ao terremoto de 1755), Torre de Belém, Mosteiro dos Jerônimos, Museu Nacional dos Azulejos e dos Coches e a diversas igrejas de interiores resplandecentes.

Neste artigo, entretanto, vou me referir unicamente a Alfama, o bairro boêmio, com suas ruas tortuosas e espremidas, íngremes, que fazem o charme e encanto do lugar. Quando eu subia aquelas ladeiras, uma senhora idosa que sorria, debruçada numa janela, observava-me. E lá de cima perguntou-me: “És brasileiro?”. Respondi afirmativamente. E ela, sempre sorrindo, prosseguiu: “Então digas ao Cacá para ser menos afoito com a Júlia”. Pouco tempo antes, a novela “Dancing Days” fizera muito sucesso no Brasil, e naquela ocasião estava sendo exibida em Lisboa. Cacá era o personagem de Antônio Fagundes e Júlia era Sônia Braga. O divertido episódio serviu para marcar a penetração da televisão brasileira em Portugal, e também a simpatia e naturalidade do povo lusitano.

FOTO 8 – O Bairro de Alfama, com o Castelo de São Jorge ao fundo.

FOTO 9 – Senhora à janela, um hábito comum ao bairro de Alfama.

Em 1980 existia em Lisboa apenas uma linha de metrô, com uma variante. Hoje são quatro modernas linhas, e o sistema está em expansão.  Nós, que em 1980 já esperávamos pela tão propalada construção do metrô de Curitiba, continuamos – “esperando Godot” – a ver navios, em passos de tartaruga. Porém o meio de transporte que mais me encanta em Lisboa é o bonde, que lá se chama eléctrico. Para eles, “ponto do bonde” é “paragem do eléctrico”. Usam ainda modelos antigos, por isso mesmo muito mais poéticos do que “bondões” modernos. Até mesmo o sinal para a partida dos bondes, um sininho que soa um discreto “tim”, combina com a delicadeza do povo português.

FOTO 10 – Bonde de Lisboa.

FOTO 11 – Bondes de Lisboa.

FOTO 12 – Bondes de Lisboa.

FOTO 13 – Bonde de Lisboa.

Os nomes de ruas em Lisboa, como também em todo o país, são muito pitorescos. Ao contrário do Brasil, onde proliferam os nomes de pessoas, em Portugal as ruas lembram coisas e fatos ligados à história que envolve as vias públicas. Alguns exemplos: Beco do Surra, Praça da Alegria, Calçada do Cascão, Rua do Saco, Largo do Rato, Rua do Paraíso, Beco do Carrasco, Rua do Pau da Bandeira,  Travessa do Judeu, Rua da Triste-Feia, Calçada do Forte, Rua do Poço dos Negros, Rua Fresca.

FOTO 14 – Torre de Belém.

FOTO 15 – Mosteiro dos Jerônimos.

FOTO 16 – Detalhe do Mosteiro dos Jerônimos.

FOTO 17 – Carruagens no Museu dos Coches.

FOTO 18 – Museu dos Coches.


O filme de Lisboa que fiz no ano de 1980 em Super-8 mudo (posteriormente sonorizado) poderá ser visto neste endereço do YouTube:



Num daqueles dias tomei um trem rumo à cidade do Porto e lá passei a tarde, para conhecer a urbe e visitar os locais ligados à história do meu trisavô portuense, António José Alves Souto, o Visconde de Souto (1813-1880).

Porto

Chega-se à cidade do Porto através da Estação São Bento, na Praça de Almeida Garrett, onde há alguns prédios com quatro a cinco andares de admirável diversidade arquitetônica.

FOTO 19 – Cidade do Porto às margens do Douro.

FOTO 20 – Centro da cidade do Porto.

FOTO 21 – Bonde da cidade do Porto.

 FOTO 22 – Ponte de Dom Luís I, que liga a cidade do Porto à antiga Cale, hoje Vila Nova de Gaia.

FOTO 23 – Casario da cidade do Porto.

FOTO 24 – Casario da cidade do Porto.

FOTO 25 – Ladeira da cidade do Porto.

A importância da cidade do Porto para a História de Portugal, vai expressa no primeiro parágrafo do primeiro capítulo da biografia (ainda inédita) do Visconde de Souto, que eu e minha prima Lúcia Helena Souto Martini escrevemos em coautoria:

Foz do rio Douro. Na margem direita, Portus, hoje cidade do Porto, cujas origens remontam à Idade do Bronze, à civilização asturiana, de 3 a 4 mil anos a.C.; na margem esquerda Cale, atualmente Vila Nova de Gaia, povoação estrategicamente estabelecida pelos romanos junto a uma estrada. Cidades irmãs que se complementam. Portus e Cale — Portugal.
Em primeiro lugar fui conhecer a Rua do Souto, que naquele tempo eu pensava que homenageasse a família Souto. Ledo engano. O nome da rua resultou da existência, em tempos remotos, de um “souto de carvalheiras” que existiu às margens do Rio da Villa que corria por ali, agora canalizado e subterrâneo. “Souto” é um bosque ou mata que ladeia um rio. “Carvalheira” é um pequeno carvalho silvestre. Mas a palavra “souto” designa também uma árvore de grande porte, a castanheira, muito abundante no interior norte e centro de Portugal, cujo fruto (ouriço) contém a castanha, uma semente que formou, juntamente com o trigo, cevada e centeio, a base da alimentação em Portugal até ao século XVII. Consultando antigos documentos, podemos dizer que, como nome próprio, a família Souto é uma das mais antigas e honradas da história de Portugal. Encontramo-la em diferentes épocas e localidades, com numerosos personagens ilustres. Há registros da família Souto já no século XIII, que a torna uma das mais antigas da Península Ibérica. Na Espanha o nome é grafado “Soto”.

A Rua do Souto é bem próxima à Estação de São Bento. Basta atravessar a Avenida Dom Afonso Henriques e entrar na Rua de Mouzinho da Silveira. A apenas 130 metros de distância, do lado esquerdo, há uma fonte na forma de um gigantesco meio círculo; em seguida a calçada se retrai para abrigar um chafariz, e dali há uma rampa paralela à Mouzinho da Silveira, que conduz à estreita entrada da pequena Rua do Souto, que tem apenas 70 metros de extensão. Essa ruela tem o traçado irregular, característica da Idade Média, e termina num largo cortado pela Rua da Bainharia e Rua dos Pelames, para prosseguir sob o nome de Rua Escura. É estreita, em alguns pontos estreitíssima, na qual não trafegam carros. Quando lá estive, a rua estava totalmente tomada por uma movimentada feira livre, muito pitoresca.

FOTO 26 – Placa da Rua do Souto. Foto de Francisco Souto Neto.

FOTO 27 – Feira na Rua do Souto. Foto de Francisco Souto Neto em 1980.

O Visconde de Souto nasceu na Rua Nova de São João (hoje Rua de São João Novo). Em linha reta, situa-se a apenas 600 metros da porta da Estação de São Bento e tem a extensão de 100 metros. Embora em passado recente se julgasse possível, hoje seria inviável apontar com exatidão a casa natal do Visconde. Deve ser alguma delas do lado direito, ao início da ladeira que vai culminar na Igreja de São João Novo, construída em 1539. Entretanto, não há como não imaginar o meu trisavô quando menino, 200 anos passados, correndo em folguedos com amiguinhos naquela ladeira...

FOTO 28 – Rua Nova de São João. Foto de Francisco Souto Neto em 1980.

FOTO 29 – Rua Nova de São João. Quando ainda se chamava Rua de São João Novo, em 1813, numa dessas casas nasceu o Visconde de Souto. Foto de Francisco Souto Neto em 1980.

Um costume que na ocasião me escandalizou, mas que depois percebi ser habitual em outras cidades como Paris e Roma: a existência de mictórios públicos nas calçadas. Os da cidade do Porto eram de metal, cilíndricos, mas com as paredes baixas, que chegavam só até aos ombros ou metade do rosto do usuário. A parte inferior também era vazada, isto é, começava a uma altura de uns dois palmos do chão. Que passasse por ali, via não só o rosto, ou parte do rosto de quem estava a urinar,  como avistava também os pés e a urina escorrendo para o escoadouro do solo.

FOTO 30 – Mictório público numa das esquinas da cidade do Porto; o velho senhor aproveita para olhar o movimento da rua... Foto de Francisco Souto Neto em 1980.

Os europeus, de maneira geral, não são muito discretos quando se trata de urinar. Seja como for, é preferível que mictórios públicos sejam construídos nas calçadas, nas esquinas, do que não sejam construídos em lugar algum, tal como ocorre nas cidades brasileiras.

Em 1980 não existia metrô no Porto. A primeira linha foi inaugurada em 2002. É incrível o poder da vontade política: desde então, mais cinco novas linhas de metrô já foram lá inauguradas.

Fiz vários passeios na cidade do Porto, e o mais marcante foi andar pelas margens do Rio Douro, vendo a Ponte de Dom Luís I, de metal, em dois andares, que liga o Porto à Vila Nova de Gaia, projetada por um assistente de Gustave Eiffel e inaugurada em 1886.


Abaixo, o filme que em 1980 fiz em Super8 mudo, posteriormente sonorizado, do meu retorno a Lisboa (após um mês viajando de trem através da Europa até à Escandinávia), quando passei uma tarde na cidade do Porto. No endereço do YouTube abaixo, poderão ser vistos o Porto e Lisboa: 



Retornei a Lisboa e dois dias depois embarquei rumo a Nova York, para visitar meu irmão e cunhada. Durante a travessia sobre o Atlântico, fiquei a recordar Portugal, com a sensação de ser aquele país uma extensão do Brasil. De fato é. Não apenas pelo idioma, e não somente pela semelhança da arquitetura dos séculos passados, mas também por algo de atávico, quase diria de genético, que parece gritar ao espírito: “aí estão fincadas as suas raízes; aí é também a sua terra”. Sem dúvida, somos todos luso-brasileiros.

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