PORTAL IZA ZILLI
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Moderno bonde (VLT - Veículo Leve sobre Trilhos) em implantação no mundo todo, até mesmo em Jerusalém, como se vê na foto acima. Curitiba continua na rabeira do transporte público. Foi exemplo ao mundo somente no distante século passado; depois disto, congelou.
Comendador Francisco Souto Neto
Prefeitura de Curitiba pretende implantar cinco linhas de
bonde: as maravilhas estrangeiras e as balelas curitibanas
Francisco Souto Neto
Antes de discorrer sobre o assunto em
epígrafe, devo fazer um longo retrospecto sobre o tema.
No ano 1991 recebi convite de minha
amiga Iza Zilli para participar de uma antologia que ela pretendia lançar sob o
título Cartas a Curitiba, reunindo opiniões
das mais destacadas personalidades da vida social, política, empresarial e
cultural da capital paranaense.
Lembrando o “bonde moderno” de Lerner
Imediatamente defini o tema que eu gostaria
de desenvolver na minha “Carta a Curitiba”: a implantação do bonde proposta por
Jaime Lerner – então prefeito em seu terceiro mandato – que era uma das
notícias mais bombásticas dos jornais locais naqueles dias. Entusiasmado,
coloquei mãos à obra e em menos de uma semana entreguei o meu texto para Iza
Zilli. Naquele mesmo ano o livro foi publicado e lançado pela jornalista com enorme
repercussão. Os 51 coautores da antologia foram os seguintes:
Francisco Souto Neto – Página 4
Eduardo Rocha Virmond – Página 7
René Ariel Dotti – Página 10
João Batista Brotto – Página 12
Jaime Lerner – Página 14
José Macedo Neto – Página 17
João José Werbitzki – Página 19
Nelson Faria de Barros – Página 22
Túlio Vargas – Página 24
Dálio Zippin Filho – Página 30
Rodolfo Doubeck Filho – Página 33
Raul Renhardt – Página 35
Inério Bruno Marchesini – Página 37
José Carlos Gomes de Carvalho – Página 40
Marco Antonio Monteiro da Silva – Página 43
Gláucio José de Mio Geara – Página 46
Abdo Dib Abage – Página 49
Álvaro Dias – Página 52
Ali Feres Messmar – Página 54
José Maria Correia – Página 56
Aníbal Khury – Página 59
Osmário Zilli – Página 61
João Cândido Ferreira da Cunha
Pereira –
Página 64
Rafael Greca de Macedo – Página 67
Jorge Carlos Sade – Página 70
José Ábila Filho – Página 73
Luiz Renato Pedroso – Página 75
Ary Queiroz – Página 77
Vinícius Coelho – Página 79
Werner Egon Schrappe – Página 82
Luiz Carlos Borges da Silveira – Página 84
Alceu Vezozzo Filho – Página 86
Dino Almeida – Página 89
Joel Malucelli – Página 91
Walmir Ayala (in memorian) – Página 93
Érico da Silva – Página 96
Fernando Carneiro – Página 98
Luiz Geraldo Mazza – Página 100
Paulo Hilário Bonametti – Página 102
João Régis Fassbender Teixeira – Página 105
Nilzan Pereira Almeida – Página 108
Eros N. Gradówski – Página 110
Lauro Lobo Alcântara – Página 114
Alcy Ramalho Filho – Página 116
Calixto Haquim – Página 118
José Luiz Almeida Tizzot – Página 121
Ivânio Guerra – Página 123
Abílio Abreu Neto – Página 126
Miguel Nasser Filho – Página 128
Deco Farracha – Página 130
Fernando Antonio Miranda – Página 132
Escrevi a respeito do transporte
coletivo sobre trilhos chamado por Jaime Lerner de “bonde moderno”, cuja
primeira linha seria implantada entre a estação rodoferroviária e o bairro de
Santa Cândida. No trecho entre a referida estação e o Passeio Público, o bonde
seria subterrâneo. Dali em diante trafegaria nas canaletas já existentes do ônibus
expresso. Segundo o então prefeito, o propósito era de que o bonde funcionasse
inicialmente como um pré-metrô, num modelo que já fora usado com sucesso nalgumas
capitais do mundo, como Bruxelas. Enquanto novas linhas do bonde moderno fossem
sendo inauguradas, as mais antigas iriam transformando-se numa rede de metrô.
Até os talões do IPTU distribuídos pela Prefeitura de Curitiba traziam na sua
capa o desenho mostrando a estação subterrânea do bonde localizada na “Estação
Correio Velho”. Deste modo, toda a população curitibana tomou conhecimento do
magnífico projeto, o mesmo que com alegria aplaudi no livro de Iza Zilli.
Alguns acusaram Lerner de “puxar” a linha do metrô para servir a sua própria
residência (Jaime Lerner morava na Rua Bom Jesus, ao lado da Igreja do Cabral,
onde haveria uma das estações do bonde moderno), mas isto não empanava a
alegria popular ante a expectativa da chegada do precursor do metrô curitibano.
FOTO 1 – Capa do livro Cartas
a Curitiba, de Iza Zilli
Quem desejar ler o livro “Cartas a
Curitiba”, encontrará o meu texto, que é o primeiro que desponta no livro, e os
de alguns outros coautores, no seguinte link:
Na minha coluna Expressão & Arte
de 6 de janeiro de 1992, do Jornal Indústria & Comércio (cujo diretor de
redação era Aroldo Murá), comentei o lançamento do livro de Iza Zilli e também
transcrevi o teor do meu texto, neste link:
FOTO
2 – Coluna Expressão & Arte, de Francisco Souto Neto, de 6 de janeiro de
1992.
Alguém viu o transporte coletivo
sobre trilhos anunciado por Jaime Lerner? Nem eu! Era pura balela eleitoreira.
Ficamos todos a ver navios.
O metrô de Cássio Taniguchi
O prefeito Cássio Taniguchi fez algo
muito parecido: ao final do primeiro mandato, também ilustrou a capa do IPTU
com o seu projeto para a construção do metrô. Esse novo projeto-fantasma,
estranhamente, não atravessaria o centro da capital: as composições férreas
vindas dos bairros ao sul, apenas tocariam a região central à altura do lugar
onde hoje está instalado o Shopping Estação. A desculpa pública ao final do mandato,
foi a de que a prefeitura não obteve os recursos necessários para o início das
obras. Balela com fins eleitoreiros. Esse episódio pode ser conferido no
seguinte link:
FOTO 3 – Crônica de
Francisco Souto Neto para o Jornal Centro Cívico em setembro de 2008.
O metrô de Beto Richa e
a pendenga com Jaime Lerner
Em 2008,
quando Beto Richa, prefeito candidato à reeleição – e depois vitorioso –
anunciou que iniciaria a construção da primeira linha norte-sul do metrô,
Lerner, com foto na primeira página da Gazeta do Povo, afirmou que se tratava
de uma promessa eleitoreira (sic) do jovem Richa e que o metrô não seria construído.
A revista VEJA de 15 de abril de 2009, na seção Autorretrato, entrevistou
Lerner a respeito do projeto de Richa pela implantação do metrô, ocasião em que
o velho ex-prefeito, mais uma vez contraditório, se manifestou visceralmente
contrário às obras de um sistema sobre trilhos para Curitiba, coisa que ele,
quando prefeito, desejava implantar. Agora diz Lerner que o transporte coletivo
ideal é aquele feito na superfície, por ônibus em canaletas exclusivas, e que o
metrô é um sistema caro e que não resolverá o problema do transporte coletivo
da capital do Paraná. Por isso escrevi a crônica “Richa versus Lerner”, publicada em abril de 2009, comentando que Lerner
se tornara contrário ao transporte sobre trilhos devido a rivalidades políticas
e porque ele não queria ver a sua obra predileta – os “vermelhões” que trafegam
em canaletas exclusivas – preterida por qualquer outro sistema mais moderno.
Eis o link contendo referida crônica:
FOTO 4 – Crônica de
Francisco Souto Neto para o Jornal Centro Cívico em abril de 2009.
Pouco tempo depois descobri,
surpreso, que o respeitado site norte-americano
“publictransit.us”, especializado em transporte público no planeta...
...encontrara na internet o artigo
“Metrô curitibano: Richa versus
Lerner” publicado por mim no Jornal Centro Cívico. Public Transit teve o trabalho de verter o meu texto para o Inglês
sob o título “Columnist Francisco Souto
Neto attributes Lerner’s opposition to political rivalries” e divulgou-o a
seu público internacional, o que poderá ser lido ao pé da página da já referida
crônica:
FOTO 5 – Símbolo do link norte-americano publictransit.com
Ainda Beto Richa: além do metrô, o bonde turístico
Além de anunciar o início da
construção do metrô, o prefeito comunicou que, simultaneamente ao metrô, seria
inaugurado um bonde turístico no centro de Curitiba, numa experiência que
lembrava o bem sucedido bonde turístico da cidade de Santos, que eu, ainda
crédulo, aplaudi nesta crônica de setembro de 2009:
Repetindo o mote: alguém viu o metrô
e o bonde turístico anunciado pelo prefeito Beto Richa? Nem eu! Era pura balela
eleitoreira. Ficamos todos a ver navios.
Viajando pelo mundo e sofrendo choques culturais
O bonde, banido das ruas de Paris há
70 anos, acaba de voltar à Cidade Luz neste corrente 2016, numa versão
elegantíssima. É moderno, amplo, silencioso e ecológico. Aparentemente Paris
nem precisaria de bondes, porque o seu metrô abrange toda a Cidade Luz e área
metropolitana. Não há uma única residência em Paris distante mais do que 500
metros de uma estação de metrô. Mesmo assim, o bonde voltou... e não apenas em
Paris. Está voltando nas principais cidades do mundo, como Istanbul, e foi também
recentemente implantado em capitais remotas como Túnis, na Tunísia. Por
incrível que pareça, até no Rio de Janeiro um moderno bonde, o VLT, voltou como
uma proposta de melhoria ao transporte coletivo da Cidade Maravilhosa.
FOTO 7 – O novo bonde de
Paris em 2016.
FOTO 8 – Francisco Souto
Neto em Strasbourg (Estrasburgo), parodiando “O Grito” de Munch, faz de conta que sofre um
“choque cultural” ao ver o moderníssimo transporte público francês.
FOTO 9 – Novo bonde em
Lyon, interior da França.
FOTO 10 – O novo bonde de
Istanbul (Turquia).
FOTO 11 – O moderníssimo
bonde da Rússia.
FOTO 12 – Bonde até mesmo em
Túnis, na Tunísia, um país ao norte da África.
FOTO 13 - Através do blog de João Carlos Cascaes, descobri que Jerusalém, onde estive há alguns anos, tem agora o seu moderno bonde (VLT) com vidros à prova de bala. Incrível e admirável. Neste link: http://otransportecoletivourbano.blogspot.com.br/
FOTO 13 - Através do blog de João Carlos Cascaes, descobri que Jerusalém, onde estive há alguns anos, tem agora o seu moderno bonde (VLT) com vidros à prova de bala. Incrível e admirável. Neste link: http://otransportecoletivourbano.blogspot.com.br/
FOTO 14 – O Rio de Janeiro
despertou para o retorno aos trilhos e inaugurou em 2016 o seu bonde. Curitiba,
enquanto isso, dorme eternamente no berço esplêndido das canaletas dos ônibus
expressos, tão avançados na década de 70 do século passado, quanto
ultrapassados e exangues neste momento em que a capital do Paraná atravessa a
segunda década do século XXI.
O metrô de Gustavo Freut
Em sua campanha para a prefeitura de
Curitiba, Gustavo Fruet comprometeu-se a iniciar a construção do metrô.
Acreditei e votei no candidato. Na edição de 2/10/2011 da Gazeta do Povo está o
registro bem detalhado que conta a vinda de Dilma Rousseff a Curitiba,
confirmando a liberação de verba dos projetos do PAC “Mobilidade Grandes
Cidades” no valor de R$1 bilhão destinados ao início das obras do metrô
curitibano , cuja primeira linha se estenderia da Cidade Industrial ao centro
da capital.
Passou o tempo. Nada foi feito. O
dinheiro parado desvalorizou e ficou insuficiente para o projeto? Era o que
todos se perguntavam.
Em 2013 Dilma Rousseff voltou a
Curitiba para incrementar o metrô. Ao retornar pela terceira vez em 2014 com
seu reiterado apoio ao metrô curitibano, a notícia repercutiu em todo o país. A
Folha de São Paulo, por exemplo, em sua edição de 09/05/2014, anunciou sob o
título “Em Curitiba, Dilma anuncia verba para a mesma obra pela terceira vez”: “A
presidente Dilma Rousseff visita Curitiba nesta sexta-feira (9) para anunciar,
pela terceira vez consecutiva, verbas para o metrô da cidade, que ainda não saiu
do papel. A petista já esteve na capital paranaense em outubro de 2011 e em
outubro do ano passado [2013] pelo mesmo motivo. De lá para cá, a gestão [de
Luciano Ducci que dava continuidade ao mandato de Beto Richa, afastado para
concorrer ao governo do Estado] passou às mãos de um aliado, o pedetista Gustavo
Fruet, o projeto foi alterado e o custo subiu. Hoje, a presidente participa do
lançamento do edital de licitação da obra. Das outras vezes, esteve na cidade
para anunciar que o projeto seria contemplado no PAC, primeiro com R$ 1 bilhão,
depois, com R$ 1,8 bilhão. (...) O metrô é visto como a principal forma de
ampliar a capacidade de locomoção de passageiros. No total, serão investidos R$
4,5 bilhões no projeto. (...) A diferença é que, agora, a verba fica disponível
e a licitação dos projetos pode começar”.
Quem não souber, quem esqueceu e quem queira comprovar, basta ler no arquivo da própria Folha de São Paulo:
Com todo esse dinheiro disponível
para projetos específicos, em novembro de 2013 escrevi a crônica que intitulei
“Finalmente será construído o metrô de Curitiba”, que publiquei no Jornal
Centro Cívico de novembro de 2013, Ano 11, Edição 110:
FOTO 15 – Crônica de
Francisco Souto Neto de novembro de 2013.
Estamos quase na metade do ano de
2016. Mais uma vez repetindo o mote: alguém presenciou o início das obras? Nem
eu! O que assistimos pelos jornais são somente discussões, empecilhos, ajustes
técnicos, falhas nos projetos, impugnações, e o metrô voltando à estaca zero. São
30 anos de incompetência. O metrô de Curitiba já deveria ser antigo, com muitas
linhas abrangendo toda a capital. As grandes cidades do mundo, com situação
geológica muito mais complicada do que a de Curitiba, resolvem rapidamente seus
problemas e inauguram seus metrôs.
De repente, surge uma luz no fim do
túnel. Se for como parece, o prefeito Gustavo Fruet será o primeiro, após as
inovações de Lerner há 42 anos, a merecer a nossa reverência, e isto certamente
ocorrerá com os recursos financeiros trazidos pela presidenta agora afastada
Dilma Rousseff. Entretanto, após tantas e sucessivas decepções, tornei-me
desconfiado como São Tomé: “ver para crer”. As boas expectativas vão comentadas
abaixo.
Agora são anunciadas cinco linhas de bonde para Curitiba
A Gazeta do Povo de 20/5/2016 publicou
uma notícia de relevante importância: “Curitiba lança edital para implantar
bonde elétrico em até cinco trajetos”, tal como se lê adiante:
FOTO 16 - A primeira linha seria entre o Centro Cívico e o Aeroporto Afonso Pena.
Já que o metrô não será construído, as anunciadas cinco linhas de bondes poderão suprir a necessidade de um transporte moderno e eficiente operando na cidade. Será, se realizada, uma obra revolucionária que colocará o transporte coletivo da nossa capital num nível bem mais elevado de excelência. Sem dúvida, o sistema dos ônibus expressos correndo em canaletas exclusivas foi uma brilhante inovação. Mas desde então passaram-se mais de 40 anos, e algumas linhas dos “vermelhões” estão exauridas. Se o atual prefeito Gustavo Fruet incrementar esse projeto dos grandes bondes, e se seu sucessor, seja quem for, der prosseguimento à obra, deixarão na História uma marca indelével de modernidade nesta capital que já foi notável exemplo de admiração no Brasil e no mundo. Mas se novamente nada acontecer, estarei aqui para juntar mais um capítulo de decepção a esta tão longa história de enganações e balelas sobre trilhos.
FOTO 17 – Noutro dia, mas ainda em Strasbourg, Francisco Souto Neto (novamente parodiando “O Grito” de Munch) aparece sofrendo mais um violento “choque cultural”, impressionado pelo avançado sistema de transporte coletivo francês, que está anos-luz à frente do dorminhoco sistema curitibano.
-o-
Excelente retrospectiva das mentiras sobre trilhos que o curitibano engole há várias décadas e mandatos políticos.
ResponderExcluirObrigado por opinar, Rubens. Vamos torcer para que não se amplie a relação dos prefeitos mentirosos.
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