JULIE LONDON – A CANTORA E ATRIZ ESTADUNIDENSE CUJA VOZ
ME ACOMPANHA HÁ QUASE 70 ANOS - por
Francisco Souto Neto em 19.6.2026.
O primeiro disco de Julie London que conheci, “Julie is her name”, foi comprado pelo meu irmão Olímpio Souto em 1957.
Anos depois, quando meu irmão mudou-se para Nova York, deu-me o disco de presente porque sabia que eu gostava de Julie London mais do que ele. A música mais importante do disco era “Cry me a River”, que Julie apareceu cantando num filme em CinemaScope estrelado por Jayne Mansfield, “The Girl Can't Help It”, que no Brasil chamou-se “Sabes o que Quero”. Foi assistindo a esse filme que meu irmão e eu descobrimos Julie London.
Abaixo está a sequência do filme quando Tom Ewell,
embriagado, despede-se de Jayne Mansfield e vai para casa, onde pega o disco “Julie
is her name” e o coloca na vitrola... então começa a não apenas ouvir, mas, no
seu delírio, também vê Julie London cantando em todos os lugares da residência.
Abaixo, captada do YouTube, a sequência acima referida. Assista clicando abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=OAAq2O9bjKM&list=RDOAAq2O9bjKM&start_radio=1
No começo
do ano de 1958, quando ingressei no 3º ano do Curso Ginasial da Academia, eu estava
com 14 anos de idade, e fiz no meu caderno de desenho um retrato a lápis de
Julie London. Meu professor de desenho teceu elogios, mas é claro que o retrato
é muito ruim. Afinal, eu era ainda um menino. Mas está aqui neste relato apenas
a título de curiosidade. Vale para atestar que eu era, realmente, um grande fã
da cantora.
Aos 15 anos eu era tão fã de Julie London que fiz uma montagem fotográfica onde ela aparecia ao meu lado, da seguinte maneira: posei para uma fotografia segurando o tal disco, apontando para um espaço vazio ao meu lado onde, após revelada a fotografia, recortei de uma revista a foto da cantora e ali colei-a. Naquele tempo as fotografias eram em preto e branco. Agora, passados uns 70 anos, colori-a através da IA:
No Natal de 1959, meu saudoso amigo Joãozinho (João Vargas d'Oliveira Júnior) tocou a campainha de minha casa e entrou sorridente. Trazia para mim e minha irmã Ivone um disco que eu nem sabia existir: era o Volume 2 de “Julie is her Name”, uma preciosidade! Que enorme surpresa! Joãozinho sabia que eu tinha o primeiro volume e que desconhecia a existência do segundo volume recém-lançado.
Em 1960 meu irmão Olímpio “abandonou o ninho” da nossa casa paterna e mudou-se para a capital de São Paulo. Ele estava com 26 anos e era ainda solteiro. Ele era realmente um artista: fazia desenhos que vendia para as fábricas de estamparia de Campinas e começou a atuar em teatro. Naquele começo dos anos 60 ele já contracenava com atores que nos anos seguintes tornaram-se famosos através de novelas da Rede Globo.
Uma noite, quando estava indo para a pensão
onde morava, ao passar em frente ao Hotel Jaraguá, viu que uma linda mulher
saía dali para embarcar no carro que a aguardava. Ele de repente percebeu que
se tratava de Julie London que estava ali hospedada, pois veio ao Brasil para
apresentar-se cantando. Até nas capas de O Cruzeiro e da Manchete ela já tinha aparecido, nas reportagens
sobre suas apresentações no Brasil. Ao reconhecê-la, voltou uns passos e
pediu-lhe um autógrafo. Mas... onde ele poderia colher seu autógrafo se estava
sem nenhum papel à mão? Entretanto, ele havia comprado maços de cigarro que
estavam envoltos em “papel de embrulho” (que é como se dizia na época). E ali
mesmo Julie London gentilmente e sorrindo deu-lhe um autógrafo, assinando com a
caneta-tinteiro do próprio Olímpio. Ele pegou esse autógrafo porque sabia que
eu gostaria muito de recebê-lo.
A carta – manuscrita, que era usual à época –
em “papel de seda”, poderá ser lida abaixo, em três páginas. Olímpio tinha uma
ótima caligrafia. Aqui, vê-se que ele escreveu às pressas, porém, assim mesmo é
bem legível e a sua descrição sensível, poética, interessantíssima.
No mesmo ano de 1960, quando morávamos em Ponta Grossa, meus
pais viajaram a São Paulo, o que faziam habitualmente para visitar minha avó
paterna, a quem chamávamos de Mãe Nina. Eu pedi ao meu Papai que, se possível,
fosse a uma importante casa de discos para ver se encontraria algum novo de
Julie London. Ele gentilmente lá esteve e trouxe de presente para mim o “About
the blues”, que hoje considero o melhor dentre todos os discos da cantora.
O quarto disco de Julie London que recebi de presente foi do
meu amigo Rubens Faria Gonçalves no ano de 1976, quando ele ainda residia em São
Paulo.
Em
1980 eu reuni os 11 discos long-play (de 33 rpm) que eu tenho e tirei uma fotografia
deles reunidos no chão, com a presença do meu chihuahua Quincas Little Poncho
(1973-1990)
Quando
foi inventado um novo tipo de discos, os CDs que tornaram ultrapassados os long-plays, todos os antigos discos de Julie London
foram relançados, não só os que existiam no Brasil, como também inúmeros outros
que foram lançados nos Estados Unidos. No ano de 2025 eu reuni os meus 22 CDs de Julie London em uma única fotografia que se vê abaixo.
Estes são os 22 CD de Julie London que comprei. Note-se que
inúmeros dos CD englobam DOIS antigos long-plays de Julie London. Isto significa
que os 22 volumes acima englobam mais de 30 antigos discos de Julie London.
No link abaixo está o disco completo “Julie is her name”, e aqui podem ser ouvidas todas as suas faixas:
https://www.youtube.com/watch?v=gCGNYJOrebA&list=PLVnkoLiLMTm5Nc1ODYiFJGiZQkXtEwQFt
Na Wikipédia pode ser lida em português a biografia de Julie London, que inclui todos os seus filmes realizados em Hollywood, pois ela foi, além de cantora, uma importante e elogiada atriz. Para ler e ver, basta clicar neste link:
https://en.wikipedia.org/wiki/Julie_London
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