quarta-feira, 21 de setembro de 2022

AOS MEUS AMIGOS CURIOSOS, O POR QUÊ DO MEU VOTO EM LULA, por Francisco Souto Neto.

 

Uma urna eletrônica de 2022.

 

Comendador Francisco Souto Neto

 

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AOS MEUS AMIGOS CURIOSOS,

O POR QUÊ DO MEU VOTO EM LULA 

por  Francisco Souto Neto

 

Desde muito cedo sempre me considerei apolítico. Eu dizia votar na pessoa e não no partido e ao mesmo tempo observava a atitude de meus pais em seus posicionamentos políticos.


Em família


Minha mãe Edith Barbosa Souto (1911-1997).

Um curioso exemplo de minha mãe, ocorrido entre as décadas de 30 e 40 – antes do meu nascimento – quando minha família residia na capital paulista, era contado e comentado por parentes e amigos. Minha mãe era católica praticante e costumava ir à missa aos domingos, com ou sem a companhia de meu pai. Numa dessas ocasiões, ela desacompanhada, presenciou o padre subir ao púlpito para o sermão. Lá posicionado, o pároco passou a falar apenas de política e do então presidente Getúlio Vargas. A certo momento, o padre exclamou exaltado: “...e quem for favorável a Getúlio, que se retire desta igreja”. Minha mãe não era favorável ao governo de Getúlio Vargas, porém achou que aquilo não seria assunto para ser tratado ali de forma tão grosseira. Sem dúvida, enxotar da igreja pessoas que politicamente pensavam diferente dele se configurou num desaforo.  O que ela fez? Levantou-se e saiu calmamente da igreja. Atrás de si, vieram mais algumas outras pessoas. Depois desse episódio, minha mãe deixou de ser católica praticante. “Quando quero, eu rezo dentro da minha própria casa”, dizia ela.


Meu pai, o jornalista e radialista Arary Souto (1908-1963).

Lembro-me de que meu pai Arary Souto, falecido em 1963, era simpatizante da UDN, partido político que congregava grande parte das oposições e que ao início do governo militar foi por este extinto. Os políticos da antiga UDN redirecionaram-se para o MDB que foi criado em março de 1966 com os propósitos de fazer oposição à ditadura e a colaborar com a volta da democracia.


Observando o primo Wilson Barbosa Martins


Iniciou-se o tempo do bipartidarismo: o partido da direita, isto é, aquele apoiado pela ditadura, era a Arena; o de esquerda, democrático, era o MDB. Um primo de minha mãe, um dos fundadores do MDB, Wilson Barbosa Martins, de Mato Grosso (hoje do Sul), foi vereador, deputado estadual, prefeito e depois deputado federal quando, em 1966, foi cassado em seus direitos políticos por sua oposição à ditadura. Na mesma ocasião foram cassados Juscelino Kubitschek, Fernando Henrique Cardoso, Carlos Lacerda, Antônio Calado, Carlos Heitor Cony, Ferreira Goulart, Ênio Silva, Mário Lago, Caio Prado Júnior, Sobral Pinto, Florestan Fernandes dentre muitos outros políticos, intelectuais, escritores, jornalistas, músicos... cidadãos de diferentes profissões, desafetos da ditadura.  

Dez anos após sua cassação, Wilson Martins readquiriu os direitos políticos.  Ele então foi eleito presidente da Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul; passado algum tempo, por sufrágio universal elegeu-se governador do estado e, após isso, senador da República, ladeado por homens como Ulysses Guimarães e Franco Montoro, que na juventude foram seus colegas na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo. Wilson Barbosa Martins foi um grande exemplo de político brasileiro ético, correto e honesto, a julgar pelos registros oficiais legados à posteridade. É um dos exemplos que venho coletando através das décadas, com reflexos na minha visão sobre a política contemporânea.


Wilson Barbosa Martins (1917-2018), vereador, prefeito de Campo Grande, deputado estadual, deputado federal, governador de Mato Grosso do Sul, senador da República.

A tudo isso eu observava atentamente e aprendia. Detestei o governo militar, primeiro pela imposição da censura ao cinema, ao teatro, à literatura, à música e ao próprio jornalismo. A censura oficial, que sempre foi ignorante e obtusa, mutilou obras artísticas e culturais de grande importância, calou filósofos e reagiu com violência à criatividade. Depois descobri que o governo militar ocultava algo ainda muito pior: o seu desrespeito ao livre pensamento redundou em  tortura e morte a muitos daqueles que aspiravam à simples liberdade de pensamento e à democracia plena.

Eu, que me via como um pensador de centro-esquerda, passei a colocar-me à esquerda, isto é, em oposição ao governo, embora mantendo-me sempre – e até hoje – contrário aos extremistas, sejam eles de direita ou de esquerda.


A respeito de militares e do marechal meu tio-tetravô


Algumas vezes fiz uma brincadeira com novos amigos: apontei-lhes uma veia do meu pulso e disse: “Aqui não corre o sangue de Duque de Caxias! Mas corre o sangue de um dos seus irmãos... e dos  pais do Duque”.

Minha avó paterna Annolina de Barros Souto, “Mãe Nina” (1888-1986) no dia de seu 90º aniversário.

Explico: minha avó paterna, Annolina de Barros Souto, a quem chamávamos de “Mãe Nina”, orgulhava-se de ser, pelo seu lado materno, bisneta do general Francisco de Lima e Silva (irmão do Duque de Caxias) e de Dª Geraldina Roza de Oliveira da Silva, e assim trineta do homônimo general-de-campo e senador Francisco de Lima e Silva (o Barão de Barra Grande) e de Dª Mariana Cândida de Barra Grande, (a Baronesa de Barra Grande), pais do Duque de Caxias. Mãe Nina era, portanto, sobrinha-bisneta do Duque de Caxias, o que faz do grande personagem histórico tio-trisavô de meu pai e meu tio-tetravô. Sou, portanto, descendente direto não do Duque, mas dos seus pais e, como consequência, sobrinho-tetraneto do “Marechal de Ferro” Duque de Caxias.


Duque de Caxias, o “Marechal de Ferro” (1803-1880), meu tio-tetravô.

Ao contrário daqueles que, não sei por qual motivo, já me disseram pensar que eu “não gosto de militares”, afirmo, bem ao contrário, que me orgulha o fato de trazer em meu DNA a herança genética de tão gloriosos brasileiros, ícones do Exército, que muito fizeram pela grandeza do nosso país. Eu não gosto, isto sim, dos militares da ditadura, mais especificamente do tirano Garrastazu Médici e seus seguidores, como aquele detestável general Newton Cruz, pelos motivos que a própria História do Brasil aponta e que são por todos de sobejo conhecidos.


Fernando Henrique Cardoso e Jaime Lerner


Depois que Fernando Henrique Cardoso passou a ser presidente do Brasil e, obviamente, de direita, percebi que apesar de sua pose de estadista e de seu português correto, ele impôs ao país uma desastrosa campanha de privatização de empresas públicas (vide o livro A Privataria Tucana) que resultou numa enxurrada de corrupção. No mesmo período, Jaime Lerner, governador do Paraná, envolveu-se em erros grotescos e estendeu as orientações do Palácio do Planalto a privatizações no Paraná. Em sua campanha política comprometera-se a não privatizar o Banco do Estado do Paraná, mas traiu seus eleitores e vendeu o nosso banco oficial a “preço de banana” num escândalo que foi sufocado e criminosamente arquivado pelo governo paranaense, no que colaborou o dedo do ex-juiz Sérgio Moro. Grotescamente acharam melhor sepultar a CPI do Banestado do que comprometer e condenar amigos.

Eu, que fora admirador do prefeito Jaime Lerner, que votava “no candidato sem me importar com o partido político” e que ainda votei em Lerner na sua primeira eleição para governador, decepcionei-me e me tornei avesso ao mesmo. Se alguém disser que eu admirava o Lerner, estará falando a verdade, e as inúmeras fotografias nossas, juntos, publicadas em jornais e revistas, mostra-nos sorridentes lado a lado e podem ser encontradas na internet. Mas após os embustes politiqueiros do referido Lerner, encontrarão textos meus de indignada oposição em jornais e até na revista ISTOÉ. Quem tiver tempo, interesse e disposição para conhecer esses detalhes, pode clicar aqui (o assunto é muitíssimo extenso; prefira ir diretamente à parte final, isto é, do capítulo "O ANO 2000" em diante):

https://fsoutoneto.wordpress.com/2013/07/07/expressao-arte-por-francisco-souto-neto-curitiba-12-dez-1997-p-12-galeria-de-todos-os-presidentes-do-banestado/

 

Dilma Rousseff


 
Dilma Rousseff.

Desde o fim do governo Dilma Rousseff, tornei-me cada vez mais indignado pelos desmandos dos políticos da direita. Em 31 de dezembro de 2016 publiquei a crônica A situação política que aí está, onde se lê: Dilma Rousseff foi condenada pelas chamadas ‘pedaladas fiscais’, porém sem a ocorrência de crime de responsabilidade. Dois dias após o impeachment, o Congresso Nacional aprovou lei que beneficia o governo Michel Temer e tornou as ‘pedaladas fiscais’, que consideravam crime, em procedimento legal e agora permitido ao novo presidente. Sancionada e publicada na sexta-feira 2 de setembro de 2016 no Diário Oficial da União, a Lei 13.332/2016 flexibilizou as regras para abertura de créditos suplementares sem necessidade de autorização do Congresso. Crédito suplementar é um reforço a uma despesa já prevista na lei orçamentária”. Prosseguindo: “O antigo e respeitado Jornal do Brasil, em 3 de setembro publicou análise de Ricardo Lodi: ‘O Congresso Nacional, que nunca considerou as condutas supostamente praticadas pela Presidente Dilma como ilícitas, encerrado o processo de impeachment, passou a considerar tal conduta como absolutamente legitimada. Ou seja, o que até ontem consideravam crime, hoje é uma conduta admitida. Isso confirma o que eu disse no sábado no Senado. A conduta  de Dilma Rousseff não era ilícita antes e nem seria depois. Foi considerada crime somente para a aprovação do impeachment. Não tiveram nem o pudor de disfarçar’. Em suma, em apenas dois dias após o impeachment de Dilma, o Congresso Nacional resolveu que aquilo que dizia ser crime, não era mais crime. Isto seria risível se não fosse trágico”.

Quem quiser ler meu artigo na íntegra, ei-lo:

https://fsoutone.blogspot.com/2016/12/a-situacao-politica-que-ai-esta-por.html

 

Lula versus Moro



Quando Lula presidiu o país, por vezes critiquei-o em jornais impressos, como por exemplo no Jornal Centro Cívico de agosto de 2011, porque quando havia indícios de corrupção em seu governo, o presidente não mandava pesquisar a fundo esses casos, muitos dos quais foram depois confirmados. Como eu disse na época, o presidente varria as acusações para debaixo do tapete. Entretanto, de algo eu duvidava e ainda duvido: que em qualquer momento Lula tenha cometido alguma apropriação indébita. Quem quiser, confira aqui:

https://soutoneto.wordpress.com/2013/01/28/lula-e-dilma-face-a-corrupcao/

Passei a acreditar na lisura de Lula na época em que assisti pela televisão, ao vivo, aos interrogatórios durante seu julgamento, feitos pelo então juiz Sérgio Moro.


Quando Sérgio Moro começou a aparecer na imprensa por estar mandando corruptos para a cadeia, eu o aplaudi. Meu entusiasmo, entretanto, foi murchando quando percebi que o então magistrado ocupava-se em punir apenas os políticos de esquerda, mais objetivamente os do PT, seus desafetos, e que ele tinha amizade com políticos envolvidos com falcatruas, como Aécio Neves.

Acho até curioso que naquele tempo se tenha feito tanto barulho por causa de um triplex como aquele de Guarujá, que a imprensa maldosamente taxava como “o triplex de Lula”.


O Condomínio Solaris, onde se localiza aquele que foi chamado de “o triplex do Lula”, compõe-se de dois edifícios, cada um deles com quatro apartamentos por andar. Os oito apartamentos de cobertura, os chamados “triplexes”, vistos nesta foto que fiz da tela do computador, são na verdade “duplexes” habitáveis. Chamaram-nos de triplexes porque sobre a laje do 2º piso fizeram um “puxado” e a piscina... e aí passou a ser o tal “triplex”, cuja área é de modestos 215m². 


 
Nesta fotografia que tirei da tela do meu computador, vêem-se as quatro coberturas do prédio da frente com as quatro piscinas. Aquele que pensavam ser do Lula, é o do lado esquerdo, da frente. 

Se Lula quisesse quisesse comprar o triplex, isto teria sido algo nada proibitivo. O Condomínio Solaris, localizado na Av. General Monteiro de Barros nº 638, compõe-se de dois prédios de 17 andares cada um. E cada prédio tem quatro apartamentos por andar. Os dois últimos andares são de duplexes; os apartamentos de cobertura foram completados com o aproveitamento de uma parte do teto do 2º andar do prédio, ali construindo-se uma pequena área coberta (daí o “triplex”) e uma piscina. Então num dos prédios há quatro piscinas na cobertura, e no outro, idem. As dimensões da área do tal triplex? 215m². Ele, o “triplex do Lula”, é menor do que o apartamento onde eu resido. É ridícula tanta onda por tão pouco!

Lula foi condenado por envolvimento com “o triplex de Guarujá” e pelo “sítio de Atibaia”. Moro afirmava que Lula seria proprietário de ambos os imóveis, que teriam sido sorrateiramente dados ao ex-presidente. Um momento que tenho em minha memória como se o estivesse presenciando agora, foi quando Moro disse que tinha recibos (só não me recordo se seriam de mensalidades de condomínio) em nome do ex-presidente. Lula respondeu que aquilo não era possível, pois ele não era proprietário. E pediu ao juiz: “Eu poderia ver esses recibos?”. Moro passou os documentos ao interrogado. Lula examinou-os, devolvendo-os com as seguintes palavras: “São recibos não assinados; não têm nenhum valor”. Além disso, nenhum documento comprovava a posse de ambos os imóveis. O tal triplex nunca pertenceu a Lula ou a sua falecida esposa, e o sítio de Atibaia pertencia a um amigo do presidente, que o emprestava “sine die” para que ele e sua família o usassem sem vínculo comercial, do mesmo modo que já emprestei um imóvel meu à minha irmã, para que ela lá residisse até que o seu apartamento, que ela comprou num prédio em construção, ficasse pronto.

O ex-juiz reconheceu finalmente que não havia vínculo de posse de Lula naquelas duas propriedades, mas condenou-o porque, segundo ele, "havia em Lula a intenção de ficar com os imóveis como proprietário”. Ora, então a condenação foi feita por uma mera suposição... Condenação “por intenção” não é plausível em nenhum lugar do mundo. Essa condenação foi uma verdadeira aberração. Assistir a isso deu-me vontade de rasgar o meu diploma, de pergaminho, de bacharel em Direito! A partir daí, passei a ser favorável ao Lula.

A própria ONU, e não apenas ela, reconheceu que Lula foi condenado sem culpa e que Moro foi parcial em seu julgamento. Por favor, veja e ouça;são menos de dois minutos e meio:

https://www.youtube.com/watch?v=wdUjv3e4lMY

É óbvio também que aquele julgamento contou com o apoio indireto de Aécio Neves e outros interessados para afastar Lula das eleições. A imprensa igualmente influiu muito sobre a opinião pública, publicando aberrações sobre Lula, como a revista Veja com a capa onde aparecia a cabeça de Lula decapitada e ensanguentada.


Capa repulsiva publicada revista Veja em 2018.

Tudo foi feito para que Lula fosse condenado mesmo que sem culpa, tirando-o das eleições presidenciais de 2018 e, assim, Bolsonaro foi eleito presidente da República. Tudo criminosamente planejado com base em mentiras. Moro estava encantado com os seus bajuladores e durante um ano e meio serviu-se como ministro de Bolsonaro para protegê-lo – e a seus filhos – da Justiça, porque lhe fora prometido o cargo vitalício de ministro do Supremo Tribunal Federal. Bolsonaro, percebendo que seu ministro preparava-se também para a eventualidade de concorrer à presidência nas eleições de 2022, deu-lhe um chute no traseiro. Tanto a revista Veja quando a Rede Globo, dentre outros, demonizaram Lula com inverdades e assim, subliminarmente, foram criando um clima de ódio em todo o país contra o candidato da oposição. Ainda assim, tanto a referida revista quando a rede de televisão provaram do seu próprio veneno, porque ao colaborarem com a eleição de Bolsonaro por demonizarem Lula perante os leitores e ouvintes mais crédulos e influenciáveis, receberam do presidente eleito os xingamentos no linguajar mais chulo, cafajeste e escatológico que se possa conceber. 

Lembrei-me agora de um episódio ocorrido em 2018, na semana anterior às eleições presidenciais. Foi assim: quando cheguei ao prédio onde resido, entrei e encontrei dois vizinhos que estavam à espera do elevador que descia. Entramos e subimos os três juntos. Eles continuaram conversando, o mais novo para o mais idoso: “...e neste momento... acho que neste momento, será melhor votar no Bolsonaro...” e voltou-se para mim, perguntando-me interrogativo: “...não é?”. Minha resposta foi: “Se o Demônio, o Satanás em pessoa, emergisse dos Infernos especialmente para concorrer com Bolsonaro, eu votaria no Demônio”. Ele me olhou com os olhos arregalados, surpreso. Fez como se não tivesse ouvido o que falei, e calou-se. Saiu um do elevador, depois saiu o outro, e prossegui agora sozinho até ao meu andar.

Um detalhe curioso e até risível que me lembrei neste exato momento: vejo que as pessoas temem que Lula torne o Brasil comunista. O tempo em que Lula esteve no poder foi de 8 anos; somados a 6 anos de Dilma Rousseff, totaliza 14 anos. Em 14 anos nenhum deles tentou fazer o Brasil comunista; muito pelo contrário. E quem, e como, alguém tentaria uma coisa dessas? Só mesmo na imaginação de mentalidades com defeito. Não existe bobagem maior. Esse temor parece ser resquício dos tempos do senador estadunidense Joseph MacCarthy que, lá pelo anos de 1950, iniciou um movimento político que foi denominado macartismo, para tentar combater o comunismo no país, mesmo que isso significasse violar o direito civil à opinião pública. O resultado foi o de artistas de Hollywood serem perseguidos e destruidos pela imprensa, numa avalanche que envolveu o país inteiro causando uma absurda "perseguição às bruxas", como na Idade Média. Quem não sabe desse período negro da História dos Estados Unidos, informe-se e verá que o macartismo foi e é um absurdo, e que absurdo maior é que hoje, passados 70 anos, ainda haja esse tipo de temor no Brasil. O comunismo que serviu de ameaça ao mundo era o da antiga União Soviética que acabou juntamente com a queda do Muro de Berlim, e também o da fechadíssima e horrível China dos tempos de Mao Tsé Tung, um país hoje aberto ao comércio mundial que no momento é um líder do comércio no planeta. O mundo em que vivemos é agora outro. O nosso país não pode ser tão retrógrado como vem ocorrendo há quatro anos. E não é que há gente que ainda pensa que a Terra é plana e que a ciência deve ser combatida? 


Bolsonaro


Bolsonaro

Tudo, absolutamente tudo o que eu escrevi até agora neste longo texto, foi para desembocar em Bolsonaro. É que faltam apenas alguns dias, pouco mais de uma semana, para as eleições. Entretanto, agora nada vou escrever sobre tal candidato. Desde 2018 escrevo sobre essa criatura; quem quiser que busque, neste mesmo blog, tudo quanto já escrevi a respeito.

Hoje fico apenas publicando, abaixo, o link para que possa ser ouvido o “Hino” ao Inominável, na esperança de que a abominação seja varrida deste país:


https://www.youtube.com/watch?v=OuQKqWIcF1U&t=311s


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quarta-feira, 7 de setembro de 2022

EDIFÍCIO OÁS, QUE VIRÁ A SER O MAIS ALTO DE CURITIBA E DO PARANÁ, por Francisco Souto Neto.

 

Maquete do Edifício Oás, com 50 andares e 179 metros, que virá a ser o mais alto de Curitiba e do Paraná. 

 

Comendador Francisco Souto Neto

 

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EDIFÍCIO OÁS, QUE VIRÁ A SER O MAIS ALTO DE CURITIBA E DO PARANÁ


por  Francisco Souto Neto

 

Desde minha infância tive fascínio por arranha-céus. Na década de 50 o prédio mais alto do Brasil era o Altino Arantes, sede do Banco do Estado de São Paulo, na capital paulista.


Edifício Altino Arantes (ex-Banespa, atual Santander) em São Paulo (foto da internet).


Sua construção começou em 1939 e foi inaugurado oito anos depois, em 1947, com 35 andares e 161 metros de altura. Inspirado no Empire State Building de Nova York, foi considerado a maior construção de concreto armado do mundo e tornou-se o prédio mais alto do Brasil.

No começo da década de 50, eu ainda menino, numa das ocasiões em que viajamos a São Paulo para visitarmos minha avó paterna, pedi a meus pais que me levassem ao terraço do Altino Arantes, que eu sabia ser aberto à visitação pública. Fomos e extasiei-me com o prédio e com a vista da deslumbrante capital paulista.

O Edifício Altino Arantes, depois conhecido como Edifício Banespa e hoje chamado de Farol Santander, foi durante 19 anos o mais alto da cidade, até ser superado pelo Mirante do Vale, em 1966.


Edifício Mirante do Vale, em São Paulo (foto da internet),

Com o formato de uma caixa de fósforos, inteiramente recoberto por vidros, o Mirante do Vale, com 51 andares e 170 metros de altura, reinou como o prédio mais alto de São Paulo e do Brasil durante longos 48 anos – quase meio século! – até que em 2014 inaugurou-se em Balneário Camboriú o maior edifício do Brasil, o Millenium Pálace com 177 metros e 46 andares. Em apenas oito anos (de 2014 até agora, 2022), houve um boom de construções altíssimas no referido balneário catarinense, com edifícios imensos, seis deles ultrapassando o Millenium e alguns quase chegando aos 300 metros de altura.



No Paraná

Em Curitiba, e por extensão no Paraná, as construções de edifícios nunca tiveram altura notável. Claro que por motivos variados as construções baixas devem ser sempre preferidas às de arranha-céus, porque estes podem provocar sérios problemas ambientais que incluem sombreamento, consequências sobre os sistemas de água e esgoto, circulação de veículos no entorno, e até poluição do ar, dentre outros. Contudo, os megaedifícios são tidos como símbolos de prosperidade, de status de metrópole, e até de incremento ao turismo, dentre outros variados benefícios. Entretanto não me alongarei nesses detalhes que são de fato discutíveis. Refiro-me neste texto, simplesmente, ao meu antigo encantamento pela Arquitetura e pelas possibilidades que esta confere à criatividade sob o ângulo da arte.

O edifício mais alto de Curitiba e do Paraná é o Universe Life Square, com 152 metros, inaugurado em 2016. A fotografia abaixo, não mostra que o prédio tem faces (frente e verso) dissemelhantes, mas seu aspecto é admirável e com criatividade nos traços arquiteturais.


Universe Square Life, em Curitiba, como o vejo - semi encoberto - de uma das janelas do meu apartamento. Foto (detalhe) de Rubens Faria Gonçalves.

Em Ponta Grossa

O reinado do Universe Life Square como o prédio mais alto do Paraná, entretanto, será muito curto. A novidade vem agora do interior do Estado, mais exatamente de Ponta Grossa. Há alguns anos, creio que antes da pandemia, eu soube de fontes fidedignas que seria construído naquela cidade o edifício mais alto do Estado do Paraná. Fiquei muito surpreso, pois Ponta Grossa é onde passei minha infância e residi até meados da década de 70. Lembro-me de quando existiam apenas dois edifícios “altos” dotados de elevador em Ponta Grossa: eram o Edifício Santana, com 4 andares, e o Edifício Ópera, com 4 andares de apartamentos mais um mezzanino comercial, ambos na Rua 15 de Novembro e erguidos no fim da década de 40.

Em meados dos anos 50 foi erguido o Edifício Marieta, com 15 andares. O chiste que corria na época, na verdade um bairrismo com ares de superioridade, dizia: “O Edifício Marieta está fazendo sombra em Castro”.

Pois então agora, usando daquele antigo linguajar jocoso, “Ponta Grossa fará sombra sobre Curitiba”: trata-se do Vogue Square Garden, com 170 metros e 50 andares, que está sendo construído e que se encontra já no 15º pavimento.


Maquete do Vogue Square Garden, em Ponta Grossa.

Basta lembrar que em Curitiba o maior prédio, o Universe Life Square, tem 152 metros, e que os 170 metros do Vogue em Ponta Grossa será a altura do Mirante do Vale, em São Paulo, que durante quase meio século foi o prédio mais alto do Brasil. Então o Vogue Square Garden será tão alto quanto o Mirante do Vale e muito mais alto do que o atual maior de Curitiba, o Universe Life Square, este com 152 metros.


Lançado o Edifício Oás em Curitiba

Mas o reinado do ponta-grossense Vogue Square Garden terá curta duração, pois há apenas dois meses ocorreu um verdadeiro alvoroço de boatos no mercado imobiliário de Curitiba e em agosto houve o pré-lançamento de um prédio que será o mais alto do Paraná: trata-se do Edifício Oás, com 179 metros e 50 andares, que superará o atual mais alto de São Paulo, que é o Platina, com 172 metros e  também ultrapassará em exatos 20 metros o atual mais alto do Paraná e o maior de Curitiba, o Universe Life Square.

O Oás (nome inspirado no vocábulo "oásis") será erguido na Rua Padre Anchieta nº 2727, no bairro Champagnat, um dos ótimos bairros de Curitiba.

Maquete do Edifício Oás, que será o maior de Curitiba e do Paraná.

Como será o Edifício Oás.

Eu soube dessa novidade através do canal do YouTube “Fala JC”, que sigo há anos, no qual o jovem Jeferson Cherobin filma com drones e fala sobre os mais impressionantes edifícios em construção em Balneário Camboriú. “Fala JC” tem vindo a Curitiba para registrar o ritmo da construção do Edifício Age 360, no bairro Ecoville, e agora divulgou antes mesmo de seu pré-lançamento, dados sobre o futuro Edifício Oás.

Entrei em contato com a construtora GT Building, responsável pela construção do Oás, e a atenciosa corretora de imóveis Júnia Santana me enviou farta documentação sobre os apartamentos da nova atração da arquitetura curitibana.

A GT Building chamara minha atenção quando anunciou o lançamento do Edifício Casa Milano, já em construção, que será um dos prédios com aspecto mais inovador de Curitiba. Agora, superando os óbices da prefeitura que impedem a construção de altos prédios em nossa capital, erguerá um, o Oás, que chamará a atenção de arquitetos do Estado do Paraná e, talvez, de todo o país.  Meus parabéns à GT Building pela iniciativa.

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