segunda-feira, 20 de março de 2017

DOIS EVENTOS CULTURAIS por FRANCISCO SOUTO NETO para o PORTAL IZA ZILLI.

Reunião na Academia de Letras José de Alencar  

Manhã de autógrafos de Dione M. S. Rosa

PORTAL IZA ZILLI
- O maior Portal de comunicação social do Paraná -

Iza Zilli

Comendador Francisco Souto Neto

Dois eventos culturais
Francisco Souto Neto

Dois eventos culturais marcaram a semana passada. Um deles foi a primeira reunião da Academia de Letras José de Alencar realizada neste ano, cujos encontros ocorrem no Palacete dos Leões, franqueado pelo BRDE à Academia. O outro foi a manhã de autógrafos da escritora Dione Mara Souto da Rosa no domingo, na Casa do Poeta, que funciona no Largo da Ordem, quando fez-se o lançamento oficial do seu romance “Luar de Sangue” e divulgaram-se doze antologias das quais participou.


Reunião da Academia de Letras José de Alencar

A primeira reunião do ano, que foi por mim secretariada, contou com a presença dos colegas acadêmicos Anita Zippin – a presidenta – e os demais membros da confraria: Arioswaldo Trancoso Cruz, João Carlos Cascaes, Tânia Rosa Ferreira Cascaes, Vera Rauta, Adriano Siqueira, Dione Mara Souto da Rosa, Lílian Guinski, João Carlos Bonat, Hamilton Bonat, Noilves Araldi, Rubens Faria Gonçalves e Ariadne Zippin Lorenzet.

Alguns visitantes enriqueceram o encontro. Convidados por Dione Mara, compareceram Keetrin Oliveira e Conrado Dittrich como representantes das editoras Prismas e Fragmentos, que ofereceram enorme número de variados livros à biblioteca da ALJA, que foram apreciados pela excelência de conteúdo e primorosa editoração. Vale acrescentar que Keetrin ofereceu os serviços das editoras aos componentes da Academia de Letras numa iniciativa admirável que mereceu agradecimentos e aplausos dos presentes. Convidado por Adriano Siqueira, o professor Mustafá Ali Kanso, diretor da Oficina Literária André Carneiro – da qual participam também Dione Mara Souto da Rosa e Keetrin Oliveira – é um escritor com muitos livros publicados e grande incentivador de autores. Ariadne Zippin por sua vez apresentou seus convidados, o casal Jadson Luís Rebelo Porto e Adriana Porto (Nana), ela arteterapeuta que trabalha com mandalas, ele professor da Universidade Federal do Amapá, geógrafo de formação com doutorado em Economia e em Geografia, que ofereceu à ALJA dois livros da sua autoria. A presidenta Anita também apresentou uma convidada, Josane Cavalin, que é a autora da bela capa do livro de nosso colega Alberto Gomes, recentemente editado. Josane agradeceu a oportunidade de estar presente à reunião, falou sobre si e revelou que, além de artista plástica, foi odontóloga, e disse que onde haja conhecimento ela deseja investir, e quer colaborar com todos.

A reunião foi muito produtiva e interessante, vários membros da Academia falaram sobre assuntos diversos, culminando com as palavras de Lílian Guinski no quadro “Com a Palavra”, criado por Anita Zippin para que confrades e confreiras possam conhecer-se melhor. Na oportunidade, Lílian referiu-se a detalhes da vida de Newton Sampaio e sobre o livro que escreveu a respeito do mesmo.

Como de hábito, após a reunião todos acercaram-se da bela mesa posta pela Pani em Casa, pertencente a Ariadne Zippin.

FOTO 1 – Convidados à reunião da Academia: Keetrin Oliveira e Conrado Dittrich (representando as editoras Prismas e Fragmentos) e Mustafá Ibn Ali Kanso, diretor da Oficina Literária André Carneiro. À direita, a acadêmica Lílian Guinski.

FOTO 2 – Jadson Luís Rebelo Porto entrega dois livros da sua autoria à presidenta Anita Zippin.

FOTO 3 – Discurso de Mustafá Ibn Ali Kanso.

FOTO 4 – Ariadne Zippin Lorenzet ao lado do casal Jadson Luís Rebelo Porto e Adriana Porto (Nana).

 
FOTO 5 – Em pé, João Carlos Cascaes. À esquerda da mesa, Tânia Rosa Ferreira Cascaes, Josane Cavalin, Francisco Souto Neto. Na cabeceira, Anita Zippin. À direita da mesa, Arioswaldo Trancoso Cruz, Vera Rauta, Adriano Siqueira, Dione Mara Souto da Rosa.

FOTO 6 – Anita Zippin, Mustafá Ibn Ali Kanso e Arioswaldo Trancoso Cruz.

 
FOTO 7 – A artista plástica Josane Cavalin.

 
FOTO 8 – João Carlos Bonat mostra a Arioswaldo Trancoso Cruz uma antiga máquina fotográfica, observado por  Mustafá Ibn Ali Kanso e Hamilton Bonat.

 
FOTO 9 – Lílian Guinski entrega Anita Zippin um exemplar de livro da sua autoria.

 
FOTO 10 – Ao fundo Mustafá Ibn Ali Kanso, Lílian Guinski, João Carlos Bonat, Hamilton Bonat e Noilves Araldi. Em primeiro plano Rubens Faria Gonçalves.

FOTO 11 – João Carlos Bonat, Hamilton Bonat, Noilves Araldi, Rubens Faria Gonçalves, Ariadne Zippin Lorenzet.

 
FOTO 12 – Dione Mara Souto da Rosa aplaudida após a sua fala.

 
FOTO 13 – Sobre a mesa, os inúmeros livros presenteados à Academia por Keetrin Oliveira e Conrado Dittrich, em nome da Editora Primas e Editora Fragmentos. À direita da foto, Rubens Faria Gonçalves e Ariadne Zippin Lorenzet, seguidos do casal Porto e Tânia Rosa Ferreira Cascaes.

FOTO 14 – Após a reunião, os colegas reúnem-se ao redor da farta mesa servida pela Pani em Casa: Ariadne Zippin Lorenzet, Francisco Souto Neto, João Carlos Cascaes e Anita Zippin.

-o-

Dione M. S. Rosa: manhã de autógrafos na Casa do Poeta

Convidada por Luís Ronconi e Geraldo Magela, a escritora Dione Mara Souto da Rosa fez o lançamento oficial do seu livro “Luar de Sangue” na Casa do Poeta – no Largo da Ordem – na manhã de domingo, e divulgou doze antologias das quais participou, maioria delas abrangendo a literatura fantástica. A autora – minha sobrinha – advogada que exerce a profissão numa sociedade de profissionais do Direito, também dá aulas de literatura e gramática na Universidade Positivo da Maturidade. Licenciada em Letras, fez mestrado na área da Teoria Literária. Ela faz parte da Academia de Letras José de Alencar, onde ocupa a cadeira patronímica nº 21. Foi laureada em alguns concursos de literatura e participa de antologias poéticas e góticas. Já viajou a países como Romênia e Irlanda para fazer pesquisas e buscar fontes de inspiração para a sua obra literária.

Numa entrevista concedida ao jornal Bem Paraná, publicada na edição de 19 de março corrente, a autora declarou: “Eu sou estudante de mitologia e toda a minha temática abrange mitos e lendas. Gosto de mesclar mitologia com histórias da minha criatividade. Tenho especial interesse em literatura sobre vampiros, lobisomens e seres sobrenaturais, e sou entusiasta da mitologia celta, hindu e maia, além de adorar histórias sobre o nosso folclore”.

Dione M. S. Rosa, uma autora de quem ainda leremos muitos novos livros.

FOTO 15 – No Largo da Ordem, as portas de entrada à Casa do Poeta, com cartaz de livro da autora Dione M. S. Rosa.

FOTO 16 – A escritora Dione M. S. Rosa e seus livros.

 
FOTO 17 – A autora Dione M. S. Rosa com sua filha Isabelle Edith Aguilar da Rosa.

 
FOTO 18 – A autora Dione M. S. Rosa com Geraldo Magela, o responsável pela Casa do Poeta.

 
FOTO 19 – Rubens Faria Gonçalves, Dione M. S. Rosa e Isabelle Edith Aguilar da Rosa.

 
FOTO 20 – Rubens Faria Gonçalves, Dione Mara Souto da Rosa e Francisco Souto Neto.

 
FOTO 21 – A autora autografando para Rosicler Noguchi.

 
FOTO 22 – Suely Ioshii, Rubens Faria Gonçalves e a autora com seus livros.

FOTO 23 – Dione M. S. Rosa e Luís Ronconi.


FOTO 24 - Dione M. S. Rosa e Mustafá Ibn Ali Kanso

 
FOTO 25 – Regina Helena Urias Cabreira, Marion Souto da Rosa Lemes, Isabelle Edith Aguilar da Rosa, Dione M. S. Rosa, Rossana Souto da Rosa Lemes e Felipe Bill.

 
FOTO 26 – A autora e Adriano Siqueira.


-o-

domingo, 12 de março de 2017

DUBAI - DESLUMBRE, OUSADIA E DELÍRIO por FRANCISCO SOUTO NETO para o PORTAL IZA ZILLI.


Dubai

PORTAL IZA ZILLI

Iza Zilli


Comendador Francisco Souto Neto

Dubai – Deslumbre, ousadia e delírio

Francisco Souto Neto

Emirados Árabes Unidos é o nome de um pequeno país debruçado sobre o Golfo Pérsico. Sete emirados formam a nação, cujo território, com apenas 83.600 km² (menor do que a área do Estado brasileiro de Santa Catarina) é um deserto semi-árido, abrandado por alguns oásis. Com uma produção de petróleo insignificante em proporção à dos seus ricos vizinhos, era um país inexpressivo em termos de turismo até muito recentemente.

FOTO 1 - Dubai em 1990. A foto na parte de baixo, de 2008, foi tirada do mesmo ângulo.

FOTO 2 - Dubai em 2017.

Projetos ousados

Em meados da década de 1980, o xeque (“sheik” em inglês) de Dubai, Mohammed bin Rashid Al Maktoun, concebeu um ambicioso plano para transformar aquela inexpressiva cidade na mais ousada do mundo, em termos de avanços tecnológicos e arquiteturais, de modo a tornar-se polo de atração turística mundial. E em pouco mais de vinte anos, concretizou projetos absolutamente surpreendentes. O primeiro deles foi acrescentar área ao território, criando arquipélagos artificiais, como o Palm Islands, em forma de palmeira, para abrigar elegantes vivendas e enormes hotéis. Alguns arquipélagos muito maiores estão em construção e outros já prontos, dentre os quais um conjunto de ilhas com a forma do mapa-múndi, tão grandes que são avistadas do espaço sideral.

 FOTO 3 - O arquipélago artificial Palm Islands, em forma de palmeira.

 FOTO 4 - Edifícios e mansões nos "galhos" da "palmeira".

FOTO 5 - O arquipélago formando os continentes da Terra.

A avenida principal cingiu-se de edifícios futuristas, os maiores com cerca de 100 andares. Até há pouco tempo, o Hotel Burj Al-Arab era o símbolo de Dubai, erguido no mar, com 321 metros de altura, evocando a vela de um barco. Porém em 2005 começou a ser construído outro edifício, então denominado Burj Dubai, que em 4 de janeiro de 2010, ao ser inaugurado como o prédio mais notável e mais alto do mundo – 828 metros de altura –  teve o nome alterado para Burj Khalifa.

FOTO 6 - No prédio em forma de vela, o hotel mais caro do mundo.

O Burj Khalifa

Para que se tenha uma ideia do que sejam os 828 metros do Burj Khalifa, basta dizer que o Pão de Açúcar tem 396 metros e o Corcovado 710. Portanto, esse prédio é mais alto do que o pico que ostenta o Cristo Redentor.
O desenho do Burj Khalifa foi feito por Skidmore, Owings e Merrill, os mesmos arquitetos da Sears Towers, que é o segundo mais alto prédio dos Estados Unidos, em Chicago, com 108 andares e 442 metros de altura.
O Burj Khalifa foi decorado pelo italiano Giorgio Armani, cujo hotel – o Hotel Armani – instalou-se nos seus primeiros 37 andares. Do 45º andar ao 108º há aproximadamente 700 apartamentos privados. Os pisos restantes foram ocupados por escritórios.
Ao redor do andar térreo do Burj Khalifa construiu-se uma área vastíssima que engloba 30 mil residências, nove hotéis e dezenove torres residenciais com cerca de 40 andares cada, cercados por jardins e espelhos d’água.

FOTO 7 - Burj Khalifa, o edifício mais alto do mundo.

FOTO 8 - O Burj Khalifa.


O que mais impressiona nos Emirados Árabes Unidos é a pujança e o desejo de crescer e de se superar. Para criar-se um belíssimo e eficiente sistema metroviário bastou ao xeque estalar um dedo. As composições do metrô de Dubai foram concebidas com linhas aerodinâmicas e suas estações lembram naves espaciais da ficção científica. Bem a propósito, não há nada no mundo que se assemelhe tanto aos desenhos das metrópoles imaginadas pelo criador de Flash Gordon, quanto a cidade de Dubai. Em termos de vontade política, essa cidade deveria servir de exemplo aos políticos brasileiros, tão habituados a prometer em tempo de eleições a realização de “grandes” obras (na verdade bem modestas, em relação ao que se vê realizado no mundo) e nada cumprir.

FOTO 9 - À esquerda, o metrô de Dubai e uma das suas estações.

FOTO 10 - Futurista estação de metrô de Dubai.

FOTO 11 - Interior de uma das estações de metrô.

FOTO 12 - Dubai vista do alto.

FOTO 13 - Avenidas de Dubai.

FOTO 14 - Os lagos de Dubai.

FOTO 15 - Dubai à noite.

Agora constrói-se em Dubai um prédio que superará o Burj Khalifa. Será o “Tall Tower Aka Al-Burj”, que terá mais de um quilômetro de altura, mais de 200 andares e será inaugurado em 2020. Dubai é ousadia, é deslumbre, é um delírio arquitetônico.

FOTO 16 - Um dos projetos de edifícios para Dubai muito mais altos do que o Burj Khalifa. Este teria  mais de 200 andares e mais de um quilômetro de altura. Acima, em comparação ao Burj Khalifa. 


-o-

sábado, 18 de fevereiro de 2017

OS ITALIANOS DE SAVONA, por Francisco Souto Neto para o Portal Iza Zilli.

PORTAL IZA ZILLI
- O maior portal de comunicação social do Paraná - 

Iza Zilli

Comendador Francisco Souto Neto

Os italianos de Savona
Francisco Souto Neto

       No ano de 2001 tive que ir à cidade de Savona, ao norte da Itália, porque dali partiria o navio que me levaria em cruzeiro pelo Mediterrâneo. Embora as publicações sobre a Ligúria nada apontassem de grande interesse a respeito de Savona, eu, que me considero um turista independente, resolvi chegar à localidade com três dias de antecedência ao embarque no Costa Riviera, para poder conhecer e vivenciar a antiga cidade portuária e seus arredores.

Uma Savona escura e atemorizante

Devido a um atraso do trem, cheguei a Savona quando já era noite. Achei a estação ferroviária esquisita e escura. Sua porta desembocava numa enorme escadaria, desagradável obstáculo para as rodinhas da minha mala. Do outro lado da rua mal iluminada, vi apenas um matagal. Talvez mais “perdido” do que eu, um senhor que estava saindo da estação, olhou para aquele mato e comentou em italiano com forte sotaque: “Isto se parece com a Bulgária”. Pensei: “Só se for a Bulgária após um bombardeio”.

FOTO 1 – Escuridão...

       Eu tinha uma reserva no Hotel Savona, distante uns 500 metros da estação. Não havia táxi, e fui a pé puxando a mala até ao destino. Meus passos ecoavam pelas ruas vazias e silenciosas. Temi ser assaltado e me apressei. Após o grande terreno baldio, passei pela Piazza Aldo Moro, àquela hora sem uma viva alma, atravessei uma ponte e cheguei ileso à Piazza Del Populo, onde se localizava o meu hotel.

       Na manhã seguinte, observei pela janela as árvores da praça e o movimento das pessoas. Uma senhora de bastante idade que vinha carregando pesada sacola de supermercado, sentou-se num dos bancos e começou a movimentar os pés no ar. Depois contornou aquele banco e, segurando-se numa das laterais, abaixou-se por algum tempo e levantou-se. Repetiu por muitas vezes a flexão dos joelhos. Percebi que ela se exercitava no caminho entre o mercado e a sua casa. Fui ao banheiro, escovei os dentes, voltei à janela, e lá continuava a senhora a exercitar-se, enquanto sua sacola repousava sobre o banco. Naquele exato momento passei a gostar de Savona, sem saber ainda que a cidade me reservava muitas outras situações de extremo brilho humano.

Uma Savona brilhante e encantadora

FOTO 2 – Rua que conduz ao porto, ao fundo. As calçadas cobertas por galerias são uma característica da cidade e da região.

FOTO 3 – Magnífica esquina de Savona.

FOTO 4 – O porto de Savona.

FOTO 5 – Francisco Souto Neto em frente a exuberante jardim de Savona.

       Optei por um passeio a pé, em direção às praias. Após uns cinco quarteirões de riquíssima arquitetura e lojas finas, avistei o azulíssimo Mar da Ligúria. De repente vi surgir ante meus olhos um mundo todo diferente. Numa extensa rua para pedestres, paralela à praia, passeavam pessoas muito velhas, exageradamente elegantes. No lado da rua oposto à praia, havia jardins repletos de parques onde observei uma febril atividade de crianças. Como num quadro de Brueghel, havia ali todo gênero de jogos infantis. No outro lado estava a praia propriamente dita, mas muito diferente das que vemos no Brasil. Um curto espaço das areias era livre. A partir dali, a cada trecho de uns 40 metros, havia cercas de delimitavam os diversos espaços pagos de praia particular, onde as pessoas encontram cabines para trocar de roupa, chuveiros, espreguiçadeiras e guarda-sóis coloridos. A areia desses espaços particulares era incessantemente varrida pelos empregados. À disposição dos usuários havia bares e lanchonetes de aspecto asséptico. Notei que as pessoas mais velhas ficam deitadas nas espreguiçadeiras, enquanto os adolescentes e crianças brincam manualmente com bolas. Eram centenas as pessoas que se divertiam nas praias pagas, mas curiosamente ninguém se atrevia a molhar mais do que os pés. Apenas umas cinco pessoas andavam ao quebrar das ondas, mas ninguém nadava. Andei cerca de um quilômetro pela calçada, que fica uns quatro metros acima do nível das praias, sem ver uma única pessoa nadando, embora as areias particulares estivessem cheias de gente. Trata-se, pois, de uma questão cultural: os savonenses gostam de estar na praia, e não do banho de mar, e assim é.

FOTO 6 – Atrás de Francisco Souto Neto, as praias particulares. À esquerda da foto, vêem-se pessoas jogando na areia. Na extrema direita, um pouco fora da foto,  localiza-se a Passeggiata Walter Tobagi, com suas árvores, exclusivamente para pedestres.

Amarcord de Fellini na praia à noite

       É como se existissem três diferentes Savonas: a do centro da cidade cosmopolita, a do seu porto e a da praia. Se esta última pareceu-me interessante durante o dia, sua faceta noturna, sobretudo no setor livre e, portanto, grátis, mostrou-se surpreendente. É que além dos habituais donos de cachorros – e vi uma moça dividindo o sorvete com seu cão guloso, ambos alternando-se nas lambidas – e das crianças brincando à Brueghel, havia barracões a beira-mar enfeitados com bandeirinhas que abrigavam palcos, nos quais dançavam casais embalados por músicos e cantores apreciados por pessoas que bebiam sentadas em frente a mesinhas armadas na areia.

       Num desses palcos destacavam-se dois pares, o primeiro formado por duas mulheres de meia-idade que dançavam com admirável sincronismo, seus pezinhos ágeis e rápidos elevados pelos saltos altos; e o segundo por um senhor calvo, muito barrigudo, e sua mulher bem baixinha. Aquele barrigão afastava a bailarina, mas ainda assim rodopiavam com segurança, beleza e alegria.

       Os aromas variados, compostos dos perfumes das pessoas e das cozinhas das lanchonetes ao ar livre, temperavam o footing, principalmente dos idosos. Vi três senhoras passeando de braços dados – como a Gradisca de Fellini e suas duas amigas – mas todas elas de cabelos brancos, com batom vermelho, saltos altos e muito elegantes. Elas passaram em frente a um velhinho garboso sentado num dos bancos, que com elas flertou sem dissimulações.

FOTO 7 – Nesta cena de Amarcord, de Federico Fellini, três amigas (Gradisca, a atriz Magali Noel, ao centro) fazem o footing, com a Gradisca apoiada no braço de cada uma das amigas, tal como as senhoras idosas da Passeggiata Walter Tobagi de Savona.

       Como num filme felliniano, tudo era extremamente belo e inacreditável para quem vive no nosso Brasil atual. E que privilégio o das crianças que brincam dia e noite na segurança dos parques, e o dos idosos bem tratados que vivem em países civilizados, que se vestem bem e que passeiam e namoram na praia sem o temor a assaltos.

       Em suma, minha primeira impressão negativa de Savona se dissipou, enquanto esta, a de uma cidade adorável, invejável e extraordinária, ocupou todo o espaço da minha memória.

       No terceiro dia, ao embarcar no Costa Riviera, sentia-me em êxtase, encantado com a singela beleza do cotidiano de Savona e com aquela italianada maravilhosa e feliz.

FOTO 8 –  Alegres idosas de Savona

-o-