sexta-feira, 5 de maio de 2017

CULTURA HOLLYWOODIANA PONTA-GROSSENSE ou O ICÔNICO CINE ÓPERA por Francisco Souto Neto


A monumental fachada do Cine Teatro Ópera (Álbum de Ponta Grossa, editado por Itacil Ferreira de Oliveira). 

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Iza Zilli

Comendador Francisco Souto Neto

Cultura hollywoodiana ponta-grossense
ou
o icônico Cine Ópera

Francisco Souto Neto

       Vivi minha infância e adolescência em Ponta Grossa. No final da década de 40 vi a construção do Edifício Ópera, com cinco andares, o mais alto da cidade e o primeiro com elevador. Era um prédio residencial e seu andar térreo foi ocupado pela monumental entrada do Cine Teatro Ópera, inaugurado em 1950, com 1.400 lugares e os assentos do balcão em couro ou courvin vermelho, no cruzamento das ruas XV de Novembro e Augusto Ribas, uma localização privilegiada. Os cinco andares do prédio de design elegante e a horizontalidade robusta do cinema impressionavam os ponta-grossenses.

FOTO 1 – Panorama de Ponta Grossa mais ou menos em 1948 ou começo de 1949. À esquerda, o Cine Ópera em construção. À direita, a catedral.

FOTO 2 – Foto aérea de Ponta Grossa em 1949 ou 1950. As setas indicam os três cinemas da cidade, a catedral e os locais da residência de Francisco Souto Neto entre as décadas de 40 e começo da de 50, e depois entre os anos de 1955 e 1962.

 
FOTO 3 – Ponta Grossa circa 1950. A antiga catedral domina o horizonte. À direita, o Edifício (o mais alto da cidade) e Cine Ópera. À esquerda, com quatro andares, o segundo prédio mais alto e o segundo a contar com elevador, o Edifício Santana.

       Em 1950 já existiam dois cinemas em Ponta Grossa. O Renascença, inteiramente de madeira, estava dotado de um palco. Seus camarotes, ou “frisas” com as chamávamos, tinham um encanto singular e todas as paredes eram pintadas de verde oliva. O outro cinema, o Império, que era tido como “mal frequentado”. Diziam correr um rio sob o mesmo, e temia-se que o prédio desabasse. O Ópera, suntuoso, tornou-se imediatamente o preferido pelo hight society.

As chanchadas da Atlântida e os seriados

       O filme inaugural foi Carnaval no Fogo, um acontecimento inesquecível para o menino que eu era, dirigido por Watson Macedo e estrelado por Oscarito e Grande Otelo, com Eliana Macedo e Adelaide Chiozzo. Eliana era a “namoradinha do Brasil” e a atriz mais conhecida e com o maior salário do país.

FOTO 4 – O cartaz de Carnaval no Fogo.


FOTO 5 – Eliana Macedo, a artista máxima da Atlântida Cinematográfica, com Anselmo Duarte.

 
FOTO 6 – Cena de Grande Otelo e Oscarito em Carnaval no Fogo.

 
FOTO 7 – Oscarito em primeiro plano. Ao fundo, Eliana Macedo e Adelaide Chiozzo.

       Abaixo, uma cena de filme em que Eliana canta e dança evocando Carmen Miranda, observada por Anselmo Duarte e Grande Otelo:


       Os filmes adorados pelas crianças das matinês aos domingos eram quase sempre “farvéste”, como os garotos pronunciavam farwest, estrelados por Roy Rogers e outros cowboys daquela época. Mais importantes ainda eram os seriados. A cada domingo projetava-se um novo capítulo. Os seriados mais famosos daquele início da década de 50, foram A Deusa de Joba (Darkes Africa no original), de 1936, e O Homem Foguete (King of the Roquet Men), de 1949.
       Depois de adulto, quando surgiram os filmes copiados em fitas VHS, comprei Deusa de Joba para rever aquilo que tanto me entusiasmara na infância, e me surpreendi com a baixíssima qualidade do seriado, uma produção paupérrima, primária e monótona, que certamente seria tratada com a maior indiferença pelas crianças da atualidade.

FOTO 8 – Cartaz do seriado A Deusa de Joba.

 
FOTO 9 – Cena com dois homens alados.

       Se alguém quiser ter uma ideia de como era o seriado A Deusa de Joba, eis o link de uma parte da série:


       Ao contrário do Capitão Marvel que voava pelos poderes outorgados pelo velho Shazam, o herói do seriado O Homem Foguete era impulsionado por dois propulsores atados às espáduas. Eu e meu amigo Carlinhos – Carlos Roberto Emílio – brincávamos de voar enquanto corríamos pela rua com duas garrafas amarradas às costas.

FOTO 10 – Cartaz de O Homem Foguete.

 
FOTO 11 – O Homem Foguete em ação.

       Abaixo, o link do seriado completo O Homem Foguete, para quem se dispuser a verificar essa história fantasiosa e inverossímil que tanto encantava as crianças:


       Mas as crianças do começo da década de 50 não assistiam apenas às matinês. Com muita frequência acompanhavam os pais nas sessões à noite. Aos sete, oito ou nove anos eu costumava ir ao Ópera com meus pais aos domingos. Quando eu não conseguia acompanhar as legendas com a necessária agilidade na leitura, meus pais me explicavam, com paciência, o que estava acontecendo. 
       Os filmes de Hollywood demoravam de um a dois anos, para chegar aos cinemas de Ponta Grossa. Dois deles, projetados entre 1950 e 1951, que fizeram grande sucesso, foram Joana D'Arc, com Ingrid Bergman, e Sansão e Dalila, com Victor Mature e Heddy Lamarr. Eu estava entre os meus 6 e 7 anos. Em minha memória, sempre tive a certeza de ter assistido a esses dois filmes no Cine Ópera... Entretanto as memórias de crianças dessa idade podem ficar retorcidas com a passagem das décadas. Digo isto porque o memorialista Antônio Celso Moreira, de Ponta Grossa, me comprovou que esses filmes foram exibidos no Cine Império e não no Ópera.



FOTO 12 – Cartaz de Joana D’Arc (1948).

 
FOTO 13 – Cartaz de Sansão e Dalila (1949).

       A música de Sansão e Dalila, por Victor Young, ficou para sempre gravada em minha memória. Muitos anos mais tarde comprei um exemplar do referido filme em VHS, e me senti surpreso com o fato de que a trilha sonora, de fato, estava registrada na minha memória com toda a sua fidedignidade.
       Abaixo, a apresentação de Sansão e Dalila com a bela música de Victor Young, e os cinco primeiros minutos do filme:


Hollywood

       Ao começar a cursar o 1º ano do ginásio em 1956, eu e minha família já morávamos na Rua Augusto Ribas, a 50 metros da porta de entrada do Cine Ópera.

FOTO 14 – Na foto acima, o Edifício e o Cine Ópera estão coloridos em amarelo. Residíamos na Rua Augusto Ribas nº 571. Minha casa está com o telhado pintado de vermelho. Uma casinha no fundo do quintal era um quarto de despejo, que apelidamos de “rancho”, onde meu pai guardava ferramentas e muitos objetos sem utilidade à espera de um destino. Assim como os norte-americanos costumavam ter um sótão para guardar tudo o que não está em uso, nós tínhamos o “rancho”. O quarto era grande, onde também se encontrava a cama do Cacique, nosso cão perdigueiro. O nosso quintal está pintado de verde. Ali tínhamos um jardim, uma horta e um galinheiro. O telhado pintado de azul na foto acima, na esquina, era da Câmara Municipal de Ponta Grossa. No lugar do nosso casarão e da Câmara Municipal, hoje existe uma gigantesca agência do Banco do Brasil. Na ilustração acima, está agrupada uma foto da fachada da casa, o desenho da planta da casa no contexto do terreno... e uma fotografia do meu pai Arary Souto, que naquela ocasião era o diretor geral da Rádio Central do Paraná.

 
FOTO 15 – Rua Augusto Ribas com a “ilha” que separava as duas pistas. Na parte mais alta da cidade localizava-se o Cine Ópera, aqui visto de trás.

 
FOTO 16 – Minha mãe (com capa preta) e minha irmã (capa branca) atravessando a Rua Augusto Ribas em tarde chuvosa, para irem à bombonière da Anastácia, que naquele tempo funcionava colada ao Cine Ópera. Anos depois instalou-se no casarão do “lado de cá” da mesma Rua XV.

 
FOTO 17 – Dona Edith Barbosa Souto chegando em casa com o filho de 12 anos, Francisco Souto Neto, em 1956.


FOTO 18 – A cerimônia para entrega dos diplomas ao término do curso ginasial na Academia, foi realizada no palco do Cine Ópera. Era dezembro de 1959. Arary Souto foi chamado para compor a mesa das autoridades. Quando Francisco Souto Neto subiu ao palco para receber o diploma, para sua surpresa foi o próprio pai quem lhe entregou o documento.

FOTO 19 – O Cine Ópera no cartão postal acima, é como o víamos do portão de casa.


FOTO 20 – Olimpio Souto, o mais velho dos três irmãos, em casa, ouvindo Jane Froman.

FOTO 21 – Ivone Barbosa Souto (Ivone Souto da Rosa após o casamento), a irmã “do meio”, em casa, momentos antes de ir ao cinema.

FOTO 22 – Francisco Souto Neto, o irmão “caçula”, aos 15 anos, em casa.

       Meu pai era cinéfilo. Ele e minha mãe iam frequentemente ao cinema. A mim, ele dizia: “se você for comigo, eu pago seu ingresso e você economiza o dinheiro da sua mesada”. Meus pais eram muito liberais. Eu tinha toda a “liberdade com responsabilidade”. Meus colegas precisavam pedir aos pais para irem ao cinema, ou mesmo à casa de algum amigo. Se os pais estivessem mal humorados, simplesmente respondiam “não” e não havia o que discutir. Comigo era diferente. Eu apenas dizia a meus pais: “Vou ao cinema”, ou “vou a tal lugar”, e isto era o suficiente. Eram pais inteligentes que nunca levantaram a mão para agredir um filho.
       Os cinemas de Ponta Grossa tinham certas regras para a exibição dos filmes. Aos domingos havia matinê, quando projetavam trailers, o jornal cinematográfico da semana, quase sempre algum desenho animado – eu gostava muito do Possante, o ratinho voador –  e depois um filme do faroeste norte-americano, ou mexicano da Pelmex, ou ainda comédias com Jerry Lewis ou outros, e finalmente um capítulo do seriado. Ainda aos domingos, à noite projetava-se o lançamento de algum “grande” filme que, como disse anteriormente, chegava à estreia em Ponta Grossa com cerca de dois anos de atraso em relação a São Paulo e Rio. Eram sempre “lançamentos” de filmes norte-americanos “made in Hollywood”, estrelados pelas divas a respeito das quais os jovens tudo sabiam através da revista Cinelândia. Lana Turner em dramas, comédias com Doris Day e Rock Hudson, Jayne Mansfield e Marilyn Monroe, ou fitas com Esther Williams – que nadava o tempo todo; ela estava mais para sereia do que para atriz. Era assim o pasteurizado cinema hollywoodiano da época. Por exemplo, após uma noite mal dormida, agitando-se na cama, Lana Turner acordava com o cabelo perfeitamente penteado, nem sequer um fio fora do lugar. Não era habitual filmar em locação. Se o filme fosse com Carmem Miranda e a história se passasse no Rio de Janeiro, como em Uma Noite no Rio, ele era inteiramente filmado em estúdios, com pinturas do Rio de Janeiro no paredão próprio dos cenários.

FOTO 23 – Lana Turner.

 
FOTO 24 – Doris Day e Rock Hudson.

 
FOTO 25 – Sophia Loren com Jayne Mansfield.

FOTO 26 – Marilyn Monroe.

FOTO 27 – Esther Williams.

FOTO 28 – Carmen Miranda.

       Naquela metade do século XX, o cinéfilo jovem não se importava muito com o nome do diretor do filme. O que valia eram os atores, isto é, o glamour de Hollywood.
       No Cine Ópera, mas também nos outros, às segundas-feiras repetia-se o filme do domingo. Na terça-feira o programa era composto com dois filmes combinados ao acaso. Na quarta eram dois outros filmes. Na quinta o programa apresentava outros dois diferentes... e na sexta, idem. O programa dos sábados era pesado: projetavam três filmes diversos e “inéditos”.

FOTO 29 – Kim Novak

       É claro que eu ia também ao Império e ao Renascença. A propósito, foi no Império que eu assisti a um filme que me encantou, Ulisses, com Kirk Douglas, Rossana Podestá e Silvana Mangano. Naquele tempo alguns filmes eram feitos em dois idiomas: inglês e italiano ou inglês e francês. Mais habitualmente era feito num só idioma, o inglês original, depois dublado para o francês ou italiano. O Ulisses a que assisti, por sorte, era a versão italiana. Lembro-me de ter ficado impressionado com o italiano falado por Silvana Mangano, que fazia dois papéis: o de Penélope e da feiticeira Circe. Tão encantado me senti com o idioma que alguns dias depois me matriculei num curso de italiano ministrado pelo professor Bruno Enei, um excelente mestre, que era amigo e companheiro de Rotary Clube do meu pai.

FOTO 30– Silvana Mangano


       O cinema norte-americano podia, sim, ser muito criativo, como Hitchcock com seu Vertigo (Um Corpo que Cai), dirigindo uma Kim Novak de diáfana beleza, contudo havia muito mais a admirar no cinema do restante do mundo. Numa daquelas sessões de dois filmes diferentes, o segundo era falado num idioma estranho aos meus ouvidos. Tratava-se de A Fonte da Donzela, de Ingmar Bergman, filme sueco. Descobri que havia vida para  além de Hollywood.

FOTO 31 – Ponta Grossa edificando-se no começo da década de 60. Os dois primeiros edifícios com mais de 10 andares em Ponta Grossa foram o Marieta e o Bamerindus. Na foto acima o Edifício e Cine Ópera estão pintados de amarelo. Minha casa na Rua Augusto Ribas, que deste ângulo aparece somente a parte bem superior das paredes (quase no telhado) do lado norte, está assinalada em cor de abóbora. Ao falecimento do meu pai em 1963, mudamo-nos para um apartamento no prédio que está colorido em azul, na Rua Paula Xavier, entre XV de Novembro e Dr. Colares.

       Aos poucos fui descobrindo diretores que não eram fugazes e previsíveis como os gênios da lâmpada de Aladim, mas que podiam ser incrivelmente inovadores. Vittorio de Sica, Federico Fellini, Buñuel, Antonioni, Alain Resnais, Pasolini, Visconti, Rosselini, De Sica e toda uma plêiade de nomes extraordinários. O neorrealismo no cinema italiano foi absolutamente impactante.

Um salto no tempo e a poeira das estrelas

       Passaram-se os anos, passaram-se as décadas. O cinema da metade do século passado agora é só História. Para fazer face ao cinema mundial, o norte-americano também evoluiu enormemente. Hoje o cinema latino-americano está muito representativo. O mexicano tem surpreendido pelo seu profundo sentido social. O argentino também está num patamar notável. Que dizer do admirável cinema dos países asiáticos? 
        O próprio cinema brasileiro vem passando por um momento muito interessante e criativo, notadamente em Pernambuco. Tenho assistido a filmes pernambucanos dignos de prêmios internacionais. O cinema “tradicional” também evolui; para comprovar, basta assistir ao magníficoAquarius, de Kleber Mendonça Filho, com Sônia Braga. Mas isto será assunto para um artigo no futuro. Voltemos ao Cine Ópera. 
       Por algum tempo o Cine Teatro Ópera transformou-se um templo evangélico, mas felizmente depois de alguns anos voltou a ser cinema. Um pouco deformado, mas sobreviveu.
       Agora o edifício e o cinema cercam-se de modernos arranha-céus. 

FOTO 32 – Os três últimos andares do Edifício Ópera com seu terraço famoso, entre os prédios de Ponta Grossa que agora obstruem o horizonte (foto Marcelo Kaczmarech). 

       No último andar do Edifício Ópera funcionava o Clube dos Solteiros, do Nininho. E no terraço do prédio reuniam-se ao redor de um telescópio os membros da Sociedade Ponta-grossense dos Amadores da Astronomia. Meu pai Arary Souto foi diretor da referida sociedade, e algumas vezes o acompanhei ao terraço do Ópera, ávido para perscrutar visualmente o Universo.

FOTO 33 – O terraço do Edifício Ópera, onde se reunia a Sociedade Ponta-grossense de Amadores da Astronomia – SPAA, a cuja diretoria meu pai pertenceu por um tempo (fotomontagem Kaczmarech).

        Aguço o meu olhar e vejo no terraço do Ópera alguns amigos do meu pai, da diretoria da SPAA. Não vejo o meu pai ali. Bem me disse ele, há mais de 60 anos, nesse lugar, em noite estrelada, que somos todos poeira de estrelas. 
         Mas ainda ouço os sons dos filmes provindos do cinema logo abaixo. Primeiro, o tema de Sansão e Dalila. Logo depois, o batuque de A Deusa de Joba...


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segunda-feira, 1 de maio de 2017

REUNIÃO DA ACADEMIA DE LETRAS JOSÉ DE ALENCAR versus EDITORA PRISMAS versus VISCONDE DE SOUTO por Francisco Souto Neto.



Anita Zippin presidindo reunião da Academia de Letras José de Alencar.

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Comendador Francisco Souto Neto

Reunião da Academia de Letras José de Alencar
versus Editora Prismas versus visconde de Souto
Francisco Souto Neto

Embora o Palacete dos Leões – sede da Academia de Letras José de Alencar franqueada por cortesia do BRDE – esteja passando por uma restauração, sua administradora Ana Teresinha Ribeiro Vicente, com a amabilidade que lhe é peculiar, abre as portas do edifício histórico para que nós, acadêmicos, ali continuemos realizando normalmente as nossas sessões mensais.

Na última reunião realizada em 27 de abril sob a presidência de Anita Zippin, compareceram os acadêmicos (em ordem alfabética) Adriano Siqueira, Alberto Silva Gomes, Arioswaldo Trancoso Cruz, Celso Portugal, Dione Mara Souto da Rosa, Francisco Souto Neto, Hamilton Bonat, João Carlos Cascaes, Noilves Araldi, Rubens Faria Gonçalves e Tânia Rosa Ferreira Cascaes, e os convidados Josane Cavallin, Keetrin Oliveira, Mustafá Ibn Ali Kanso e Valter Cardoso.

Ao contrário das vezes anteriores, quando sempre me refiro inteiramente às reuniões da nossa Academia – ALJA –, desta feita vou apenas exibir algumas fotos do nosso encontro, à guisa de introdução ao verdadeiro tema deste artigo, que envolve a Editora Prismas, representada naquela confraria por Keetrin Oliveira, e também a perspectiva da edição da biografia do visconde de Souto, assunto da abertura da reunião pela presidenta Anita Zippin.

Anita Zippin, Arioswaldo Trancoso Cruz e Hamilton Bonat.

João Carlos Cascaes no quadro “Com a palavra”, falando aos presentes sobre sua experiência de vida.

Alberto Silva Gomes, Dione Mara Souto da Rosa, Adriano Siqueira, Valter Cardoso, Mustafá Ibn Ali Kanso, Keetrin Oliveira, Rubens Faria Gonçalves, Josane Cavallin, Noilves Araldi, Celso Portugal.

Arioswaldo olhando antigo álbum com foto de Tânia Cascaes na coluna de Juril Carnasciali.

Assim será a capa da biografia do visconde de Souto, da autoria dos seus trinetos Francisco Souto Neto e Lúcia Helena Souto Martini, a ser publicada pela Editora Prismas, com diagramação e projeto gráfico de Brenner Silva.

Mustafá Ibn Ali Kanso, Keetrin Oliveira, Rubens Faria Gonçalves, Josane Cavallin.

Celso Portugal e o casal Tânia e João Carlos Cascaes.

Noilves Araldi e Francisco Souto Neto.

Hamilton Bonat, Alberto Gomes e Dione Mara Souto da Rosa.

Logo ao início da reunião, a presidenta Anita Zippin propôs duas moções de júbilo. Uma para o escritor e radialista ponta-grossense Aldo Mikaelli que, nas palavras de Zippin, “...está escrevendo o livro Vultos Notáveis de Ponta Grossa, no qual ele vai inserir Arary Souto e Francisco Souto Neto. (...) Todos aqueles que fazem bem à nossa Academia merecem um carinho”. E prossegue: “E a segunda moção de júbilo a Keetrin Oliveira e sua editora, que vieram nos trazer uma luz muito importante para a nossa Academia (...): estão em andamento [as edições de] três livros sem ônus para os escritores. Vocês são os mecenas da cultura. Então Keetrin, você e sua editora recebam nossos parabéns. Um dos livros é do Souto Neto, de quinhentas páginas”.

As palavras acima poderão ser ouvidas no filme feito pelo nosso confrade João Carlos Cascaes, Diretor de Comunicações e Marketing da Academia de Letras:


Os três livros mencionados por Anita Zippin que estão sendo editados pela Prismas, são: Visconde de Souto: Ascensão e “Quebra” no Rio de Janeiro Imperial, de Francisco Souto Neto e Lúcia Helena Souto Martini, A Prosa Gótica de Álvares de Azevedo em Noite na Taverna, de Dione M. S. Rosa, e Naga, da mesma autora.

Breve retrospecto do noticiário sobre a biografia do visconde de Souto

A primeira publicação sobre a biografia do Visconde que eu e minha coautora estávamos escrevendo, partiu da jornalista Elaine C. Bento Prada, no Jornal Centro Cívico de outubro de 2011, que poderá ser lida no seguinte link:


A segunda publicação sobre o mesmo assunto ocorreu quase simultaneamente, e foi feita por José Gil de Almeida no Jornal Água Verde também de outubro de 2011, que está neste link:


Os primeiros jornalistas a divulgar na internet a biografia do Visconde, na qual trabalhávamos, foram Iza Zilli e Aroldo Murá G. Haygert. Esses apoios foram fundamentais para que, nos anos seguintes, pesquisadores nos localizassem como, por exemplo, os Detetives da História, do canal internacional The History Channel (André Guerreiro e Renata Imbriani) que  nos encontraram e divulgaram o “boneco” (“protótipo”) do nosso livro no capítulo “O Elefante sem Identidade” da referida série televisiva, e nos entrevistaram, como poderá ser visto no YouTube:


Outro episódio muito singular envolve a morte de um bebê de apenas três meses. A história é a seguinte: Francisco José Alves Souto, meu bisavô (6º filho do visconde de Souto) casou-se com Maria Luiza de França e Silva e o casal deu ao seu primogênito o nome de Francisco José Alves Souto Filho, que morreu com apenas três meses. Faleceu também Maria Luiza. Agora viúvo, Francisco José Alves Souto contraiu segundas núpcias com Maria da Lapa de Salles Oliveira Souto, e a um dos seus filhos deram o nome de Francisco Souto Júnior (meu avô). Mantiveram o mesmo prenome do primogênito Francisco, mas alteraram o último nome, “Filho”, para “Júnior”. O bebê morto aos três meses (portanto meu tio-avô) foi enterrado no Cemitério Municipal de Petrópolis e lá ficou esquecido. 



O túmulo do bebê “Anjinho de Petrópolis” (Francisco José Alves Souto Filho), morto com apenas três meses, sempre cheio de brinquedos que representam agradecimento por graças ou milagres alcançados. Foto Marco Oddone (Tribuna de Petrópolis).

Seu túmulo continua existindo e ao bebê ali enterrado (hoje apelidado de “Anjinho de Petrópolis”) são atribuídos inúmeros milagres. Quem tiver curiosidade por tal história, consulte a reportagem de Aline Rickly na Tribuna de Petrópolis de 17.11.2013 e veja as fotografias no seguinte link:


A biografia

Eu minha prima Lúcia Helena Souto Martini começamos a pesquisar a vida de nosso trisavô, o visconde de Souto, no ano de 2006. Entre 2007 a 2014 trabalhamos na feitura do livro dia e noite, e fizemos viagens ao Rio de Janeiro, onde viveu nosso biografado no século XIX, para pesquisarmos nas instituições que guardam a memória do Império e para percorremos os locais ligados à história pessoal e ao cotidiano de nosso antepassado. Fomos levados a descobertas surpreendentes sobre aquele homem que foi um dos mais poderosos do Segundo Reinado, mas que caiu no esquecimento da História do Brasil e dos seus próprios descendentes.

Em 2014 contratamos a ONG Unicultura – Soluções Culturais, porque fomos informados de que a mesma providenciaria o enquadramento do livro na Lei Rouanet, obteria patrocínio e editaria a obra. De fato obteve o enquadramento, conforme se vê na foto abaixo, publicado no Diário Oficial da União nº 144, quarta-feira, 30 de julho de 2014:

Diário Oficial da União nº 144, quarta-feira, 30 de julho de 2014, enquadrando a biografia do Visconde de Souto aos benefícios da Lei Rounaet.

Mas depois disso, no tocante à captação de patrocínio, o fracasso foi total. Perdemos tempo e dinheiro com a referida ONG. Essa Organização foi muito lenta, tinha propostas (idênticas à nossa) de um número impressionante de autores e, a meu ver, contemplou com os benefícios da Lei de Incentivo à Cultura apenas a seus amigos mais chegados. Ficamos a ver navios, como dizem os portugueses.

A maior vantagem da Lei Rouanet seria a de que dezenas de exemplares poderiam ser enviados às principais bibliotecas do Brasil e de alguns países que tivessem interesse em recebê-los, a muitas Universidades brasileiras e do Exterior, tudo sem despesas para os autores. Infelizmente essa possibilidade esvaiu-se. Daí levamos nosso livro a algumas das principais editoras do país, começando com a Companhia das Letras. Tudo inútil, pois as mesmas não se interessam por autores não conhecidos, ou pouco conhecidos. Decepção, frustração, ausência de perspectivas.

Editora Prismas

Foi então que a escritora e advogada – minha sobrinha – Dione Mara Souto da Rosa descobriu, através de outro escritor – Adriano Siqueira – a existência de duas editoras associadas, Prismas e Fragmentos, aqui mesmo em Curitiba, que se mostraram abertas a novos talentos e com condições favoráveis a ambas as partes. Minha sobrinha fez contato também com o professor Mustafá Ibn Ali Kanso, diretor da Oficina Literária André Carneiro, que tem ligação com as duas citadas editoras e que vem descobrindo novos talentos literários e estreitando os laços entre as instituições que representam a intelectualidade paranaense. Apresentados por Dione Mara à Academia de Letras José de Alencar, esses mecenas editores e o Professor Kanso estenderam as mãos aos acadêmicos, e estes encontraram neles o endereço seguro para a realização dos seus projetos literários.

Como prova disso, a Editora Prismas interessou-se pela biografia do visconde de Souto e está neste momento ultimando a diagramação da obra. O estudo para sua capa, quarta capa (contracapa), lombada e uma orelha já estão prontos e aprovados, como se vê abaixo.


Estudo para a capa de Visconde de Souto: ascensão e “quebra” no Rio de Janeiro Imperial.

São editoras como esta, decididas e com alto quilate empresarial, que estão estimulando e impulsionando os intelectuais à criatividade. Neste burburinho de novidades, parece-me estarmos presenciando um capítulo inteiramente novo da História das Letras no Estado do Paraná.


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